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A derrocada pode ensinar muito aos Warriors

Equipe dominante da NBA nos últimos anos passa por crise grave, mas talvez necessária.


Existem algumas pequenas regras em nosso grande universo aleatório. Uma delas é que tudo que sobe, um dia tem que descer. Neste caso, estou falando de dois marcos importantes. O primeiro é a mudança de paradigma que vem ocorrendo na Conferência Oeste da NBA. O Golden State Warriors, que dominou a liga nos últimos cinco anos, segue em queda livre depois de mudanças na intertemporada e a lesão de Stephen Curry. O segundo é o possível fim de uma dinastia.


Um time que é lanterna da conferência, tem porcentagem de vitórias abaixo de 20% e conseguiu perder 13 de 16 jogos. Poderíamos facilmente estar falando do New York Knicks, que vem tentando se reestruturar nos últimos anos, mas até os nova-iorquinos têm números melhores que os Warriors.


O último revés da equipe, para o Dallas Mavericks nesta quarta-feira (20), marcou não só o fundo do poço da temporada atual, mas a pior derrota da franquia em 46 anos. O placar de 142 a 94 escancarou a má fase do time de São Francisco, além de engrandecer o talento do jovem esloveno Luka Dončić, dos Mavs, que anotou um triplo-duplo em 25 minutos, recorde da NBA.


Posso até parecer engenheiro de obra pronta ao escrever isso, mas a atual derrocada dos Warriors já tinha sinais plantados até mesmo nas temporadas vitoriosas do clube. Um dos pilares disso é Steve Kerr. O treinador tem seu mérito, é claro, mas sempre foi muito mais um gerenciador de vestiário do que um coordenador tático dentro da quadra. No ano da famosa derrota para o Cleveland Cavaliers, na qual o time tomou a histórica virada após fazer 3 a 1 na série, o psicológico foi um grande peso que evidenciou o despreparo de um elenco jovem diante da adversidade.


Willie Cauley-Stein se tornou um dos novos pilares do time, mas mesmo ele sofreu com lesões recentemente. (Divulgação/Twitter GSW)

Por outro lado, é normal que se opte por este perfil de técnico quando você tem grandes estrelas, ainda mais quando em uma franquia sem tradição como os Warriors. O que não é ofensa alguma, é fato que apenas recentemente o time começou a ser uma marca forte na liga, ainda que rapidamente tenha criado um legado. Quando não se figura entre os maiorais, é difícil ter um padrão até mesmo de torcida e gerenciamento. Este ano ruim pode mudar isso. É uma temporada de redimensionamento.


O time funcionou muito bem, até demais, mesmo sem uma coordenação tática espetacular, porque todas as engrenagens da máquina Golden State Warriors funcionavam em sua máxima capacidade. Isso ficava ainda mais claro quando um ou outro jogador se machucava, pois o rolo compressor seguia amassando os adversários, sempre na base de um aproveitamento técnico absurdo. Mas isso também gerou uma soberba: a distância dos Warriors para os outros parecia suficiente.


A grande final da temporada passada é um claro exemplo de tudo isso. Não que o Toronto Raptors não tivesse talento de sobra, mas foi a inteligência tática que os levou ao título. Os Warriors eram favoritos e, com todos os olhos voltados para eles, Toronto apenas teve um olhar diferente. Menos impressionado e mais estratégico, analisando sem medo os multicampeões e entendendo como eles jogavam.


A ausência de Stephen Curry também é um fator, obviamente, afinal estamos falando do líder indiscutível da equipe. A incerteza sobre o tempo que a estrela ficará de fora é mais um impacto no emocional da equipe, que sangra para tirar o que pode de um elenco que, convenhamos, também tem outros jogadores de renome, como Draymond Green e D'Angelo Russell. Mesmo estes dois, porém, sofreram pequenas lesões recentemente. Um cenário que, com a saída de Kevin Durant e a lesão de Klay Thompson, sugere um verdadeiro pandemônio.


Entretanto, existe saída para este buraco. Não é como se o time fosse um lixo completo. Em meio à crise, Eric Paschall tem se destacado; Ky Bowman, Alec Burks e Glenn Robinson às vezes produzem... É preciso entender que derrotas não são o fim do mundo. Talvez o time precise reaprender a perder para voltar a ganhar e isso pode passar por toda uma reestruturação tática e até mesmo da comissão técnica. A parte boa é essa: o futuro dos Warriors só depende deles.

 

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