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A estagnação da seleção brasileira feminina

Perto dos cinco anos como técnico, exceto intervalo de 11 meses, Vadão passa por crise.


Nesta terça-feira (5), a seleção feminina do Brasil se despediu da Copa She Believes, realizada nos Estados Unidos, com derrota para o time da casa por 1 a 0. Foi a terceira partida das comandadas de Vadão, e o terceiro revés. Na primeira rodada, a Inglaterra venceu por 2 a 1, enquanto o carrasco do segundo jogo foi o Japão: 3 a 1. A sequência fez o time completar sete derrotas consecutivas, em plena preparação para a Copa do Mundo de 2019. Além disso, as decisões de Vadão também têm sido bastante contestadas, como a escalação da atacante Andressa Alves na lateral-esquerda. Já é a segunda passagem do técnico paulista, com muitos altos e baixos. A treinadora Emily Lima, que o substituiu por onze meses, no entanto, foi demitida com menos tempo de trabalho, além de estatísticas e desempenho similares. Neste Dia Internacional da Mulher, nada mais apropriado do que discutir a seleção feminina e levantar os números recentes dos dois comandantes.


Oswaldo Alvarez abriu sua primeira passagem com quatro empates seguidos, transformada em sete jogos de invencibilidade com três vitórias. A seleção foi campeã da Copa América em 2014, um torneio historicamente de baixo nível técnico, mas importante, até porque classifica para as Olimpíadas, que foram justamente o fim da linha para Vadão. Até lá o time ganhou o Torneio Internacional de Brasília, em 2014, fez campanha muito fraca na Copa Algarve e caiu nas oitavas da Copa do Mundo, em 2015, mas pelo menos levou o ouro nos Jogos Panamericanos e venceu o Torneio Internacional de Natal. Na próxima Copa Algarve, de 2016, derrota na final. E, é claro, o amargo quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio, após derrota nos pênaltis para a Suécia nas semifinais e um jogo fraco contra o Canadá pelo bronze. A saída de Vadão após as Olimpíadas era programada, mas também não havia motivo para mantê-lo.


Emily Lima iniciou com sete vitórias consecutivas e o título do Torneio Internacional de Manaus, incluindo dois triunfos seguidos diante da Itália, que estará no grupo do Brasil na Copa do Mundo que começa em junho. A treinadora teve mais uma competição, o Torneio das Nações, mas o Brasil foi muito mal e não venceu nenhum dos três jogos. Apanhou de 6 a 1 da Austrália, aliás, e em dois amistosos após o campeonato a equipe foi derrotada de novo pelo mesmo adversário. Desde a época de Vadão, o Brasil é um freguês do time australiano, algo que Emily não conseguiu mudar. Quatro derrotas seguidas – cinco nos últimos seis jogos – e a demissão. Vadão recomeçou imediatamente o trabalho com uma invencibilidade de doze partidas, incluindo nove vitórias consecutivas e os títulos da Copa CFA e de mais uma Copa América, garantindo vaga para a Copa da França e para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Desde então, oito derrotas em nove jogos. Veja os números:


Vadão (abr/2014 – set/2016)

53 jogos

30 vitórias

12 empates

11 derrotas

64,1% de aproveitamento

118 gols pró

40 gols contra


Vadão, a caminho de mais uma Copa do Mundo à frente da seleção feminina: trabalho é morno e de altos e baixos desde 2014. (Rafael Ribeiro/CBF)

Emily Lima (out/2016 – set/2017)

13 jogos

7 vitórias

1 empate

5 derrotas

56,4% de aproveitamento

36 gols pró

24 gols contra


Vadão (out/2017 – mar/2019)

21 jogos

12 vitórias

1 empate

8 derrotas

58,7% de aproveitamento

52 gols pró

23 gols contra


O trabalho de Emily Lima teve inúmeros problemas, em especial defensivos, e passou longe de ser perfeito – como o de Vadão. A queda significativa no ranking da FIFA, aliás, desde 2014 (quando Vadão assumiu), fez com que o Brasil não fosse cabeça-de-chave no sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2019. O grupo, portanto, é duríssimo, com Itália, Austrália e Jamaica. Os números, é claro, não são tudo, já que a equipe atual também tem extremas dificuldades de criação, jogando em um anacrônico sistema 4-2-4, com um meio-campo esvaziado. A visibilidade é menor, a cobrança é menor, e Vadão vai seguindo... A comparação com o período de Emily – que reclamou publicamente da falta de respaldo que teve junto à CBF – mostra números similares e um time estagnado e em crise. Com 74 jogos sob Vadão e só 13 sob Emily, a responsabilidade de cada um fica clara. Que não seja nenhum dos dois, mas a seleção feminina precisa encontrar um caminho...


 

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