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A FIFA, as federações, as ligas e a briga por 2024

União entre UEFA e Conmebol explicita interesses no próximo calendário mundial do futebol.


O calendário do futebol internacional passou por muitas mudanças nos últimos anos. Desde a Liga das Nações, no futebol de seleções da Europa e da América do Norte, até o anúncio do Mundial de Clubes remodelado, a partir de 2021, passando por inúmeras competições novas aparecendo a todo momento, além de algumas antigas que são revividas – como a Supercopa do Brasil e a proposta da Conmebol para outra Supercopa dos Campeões da Libertadores. É um momento de quedas de braço nos bastidores entre as organizações do mundo todo, especialmente quando o calendário já está tão apertado em quase todos os países. Na última semana, as duas mais importantes confederações continentais se reuniram na sede da UEFA, na Suíça, para estreitar relações e se fortalecer diante da FIFA. A Conmebol, em especial, se vê frágil. Um apoio mútuo com os europeus pode ajudar ambos no tema mais importante: o calendário a partir de 2024.


Nas últimas temporadas, assim como nas próximas, é uma corrida de antecipação. A busca de cada órgão do futebol é pelo estabelecimento de novos marcos em seus próprios calendários, se possível angariando argumentos (leia-se, sucesso financeiro) para ter poder de decisão e de barganha para os próximos seis anos. Isso porque, após diminuir o cronograma internacional de um período de oito anos (2008-14) para quatro (2014-18), a FIFA ficou no meio termo no último ciclo (2018-24). Ou seja, mudanças mais significativas e duradouras ainda precisarão ser confirmadas na previsão da entidade máxima do futebol. Por um lado, ela precisa agradar suas filiadas, mas por outro, quer abrir mão do mínimo possível de poder. Juntas, Conmebol e UEFA ganham força nas propostas defendidas por cada uma, e o troca-troca nos bastidores está a todo vapor; seja para convencer a FIFA em certas pautas, seja para romper com ela em outras.


Gianni Infantino, ex-secretário geral da UEFA e eleito presidente da FIFA com o apoio da entidade europeia, agora é um concorrente por interesses. (Divulgação/UEFA.com)

Neste ano, a Conmebol se prepara para realizar a quarta Copa América em cinco anos, cada uma mais rentável e menos competitiva que a outra, enquanto até mesmo a CAF, no continente africano, se mexeu: citando questões climáticas em Camarões, moveu a Copa Africana de Nações de volta para janeiro-fevereiro, após a primeira edição em junho-julho (e a primeira com 24 seleções) ter tido, também, problemas de competitividade – com jogadores em fim de temporada – e de mídia – lutando por espaço com a Copa Ouro e com a própria Copa América. A princípio, a CAF mexeu apenas na edição de 2021, mas a de 2023 pode ter o mesmo destino. Um importante torneio de seleções no inverno europeu voltará a ser um problema para muitos clubes, mas a temporada é de caça aberta. Cada um usa a arma que possui; e apenas para se proteger e atacar os concorrentes. Não há, necessariamente, uma preocupação com o futebol em geral.


A entidade máxima do futebol já se mexeu desde o encontro das duas confederações mais poderosas: a próxima reunião de cúpula da FIFA, que estava marcada para Assunção, próximo da Conmebol, foi remanejada para Zurique, onde fica a sede da FIFA. Sinal dado, sinal recebido.

Após a reunião entre UEFA e Conmebol, representantes da própria CAF e da Concacaf, da América do Norte, demonstraram interesse em participar de encontros futuros. De certa maneira, ninguém está satisfeito com a situação atual, mas também ninguém parece disposto a ceder muito. Em tese, a FIFA tem total interesse em montar, para 2024, um calendário equilibrado e que atenda, pelo menos em parte, as demandas. As rusgas, em muitos casos, não precisam significar atitudes radicais, só o envio de sinais de insatisfação latente, como a ECA faz com a UEFA há décadas. Até porque, em cenário de decadência do futebol de seleções e ascensão do futebol de clubes, a mera quantidade de interessados aumenta (e muito), extrapolando as federações nacionais e internacionais. Os clubes e as ligas independentes, como a Premier League, podem não ter todos os seus desejos atendidos, mas se tornam mais importantes a cada ano. Imagine como será em 2024.

 

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