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A maldição dos QBs que acomete a NFL

Com a temporada ainda no começo, a liga já vê atletas de sua principal função sofrerem.


A posição de quarterback é a mais importante de um time de futebol americano. Claro que muitos times já chegaram longe (ou até mesmo foram campeões) com uma defesa que os carregou, ou talvez com um jogador mediano na posição – um alô para Joe Flacco, Trent Dilfer e Eli Manning –, mas quando se tem alguém de confiança liderando o ataque, o time é diferente. Pois a temporada 2019/20 começa de uma maneira estranha para os "marechais de campo", como os mexicanos gostam de apelidar a posição. Ainda antes da terceira rodada da temporada regular, a NFL vê suas franquias passarem por diversas mudanças de jogadores na principal função do esporte. Como será que tudo isso pode afetar a liga e o andamento das divisões?


É importante lembrar que as turbulências com QBs começaram até mesmo antes do chute inicial deste ano. A primeira baixa, por assim dizer, foi do Washington Redskins, que viu Alex Smith sofrer uma gravíssima lesão em novembro do ano passado, quando quebrou a tíbia e a fíbula. O atleta já deixou as muletas para trás, mas, quase um ano depois, ainda está com a perna engessada e é dúvida até mesmo para continuar carreira no esporte profissional. Em seu lugar, Case Keenum não desperta otimismo na torcida ou mesmo em sua equipe, o que tornou o time da capital americana um azarão para os playoffs.


Quem também sofreu antes mesmo de entrar em campo foi o Indianapolis Colts, que viu seu menino de ouro, Andrew Luck, se aposentar no último mês. Cansado de um ciclo eterno de lesão, recuperação e dor, o camisa 12 do time da ferradura achou melhor pendurar as chuteiras. Em seu lugar entrou Jacoby Brissett, que já havia substituído Luck em algumas de suas inúmeras lesões.


Assim, chegamos à situação atual: a terceira rodada sequer começou e já ocorreram seis grandes mudanças na liga. Claro que é um esporte de contato, mas isso significa que um quinto da liga passa por dificuldade na posição mais importante. É como se uma divisão e meia tivesse que trocar seus titulares, do dia para a noite.


Nenhum caso, porém, chega perto da bizarrice que aconteceu com o New York Jets. Após jogar na primeira rodada, o quarterback titular, Sam Darnold, foi diagnosticado com mononucleose. A doença do beijo, como é conhecida, causa uma sensação interminável de fadiga e para um atleta profissional, mesmo depois de curado o desempenho pode sofrer. Trevor Siemian chegou para comandar o time na segunda rodada, mas um agarrão faltoso causou o rompimento do ligamento do tornozelo esquerdo, deixando-o fora do restante da temporada. Cabe agora a Luke Falk, de apenas 24 anos, vestir a camisa verde e tentar passar o mínimo de vergonha possível.


Se pudermos colocar uma régua para medir azar – quem em teoria é o que eu já estou fazendo –, a do Jacksonville Jaguars seria longa. O time entrou na temporada com grandes aspirações de playoffs. A defesa mantém uma base sólida e a contratação de Nick Foles parecia ser o que faltava para o ataque engrenar. Mas o futebol americano é uma caixinha de surpresas (RÁ!) e em uma jogada o ombro de Foles sentiu mais do que deveria. O jogador passou por cirurgia e está fora pelo menos até a décima rodada. Gardner Minshew está longe fazer um trabalho ruim para um reserva, mas é como dar uma volta no carro esporte, bater em um poste e aguardar o conserto com um Gol 1.0 arranjado pela seguradora.


Big Ben, durante partida dos Steelers. (Andy Butler/Creative Commons)

A partir de agora, ainda que haja lesões envolvidas, chegamos em uma categoria de que levanta dúvidas sobre a continuidade da carreira dos atletas. Estou falando de Ben Roethlisberger, Drew Brees e Eli Manning.


O primeiro a sair de campo, cronologicamente, foi Big Ben. O histórico QB do Pittsburgh Steelers sentiu uma lesão no cotovelo que demonstrou dano ligamentar. O atleta optou então por uma cirurgia que o deixa de fora do restante de temporada. Em seu lugar, está o jovem Mason Rudolph. Roethlisberger não costuma se afastar por lesões; na verdade, ele é lembrado por muitos como um jogador que aguenta até mesmo a pior das condições. Por mais de uma temporada, inclusive, entrou em campo seguidamente com uma contusão crônica no tornozelo. No entanto, o desmonte atual dos Steelers começa a pesar sobre as campanhas abaixo da crítica nos últimos anos. Aos poucos, torcida e franquia parecem prontas para abraçar um novo quarterback.


Drew Brees, por sua vez, entra simplesmente na categoria de "talvez se aposente", por sua idade. Quebrando recorde atrás de recorde, o QB do New Orleans Saints, prestes a completar 41 anos, chocou o polegar contra um adversário, tendo que se submeter a um processo (adivinha...) cirúrgico que o deixa fora de campo até as últimas semanas da temporada regular. Em seu lugar entra o inconstante Teddy Bridgewater. É seguro dizer que ninguém na Louisiana pensa em Teddy como o titular permanente, mas não é impossível que logo a carreira de Brees seja água debaixo da ponte.


O último (por enquanto) da lista de ex-comandantes de ataque é um grande enigma. Eli Manning é um QB mediano com dois anéis de Super Bowl na carreira, o que faz dele uma espécia de Joe Flacco com sorte. Mas é impossível não ver a sequência de desastrosas atitudes tomadas pela (des)organização do New York Giants. Não é de hoje que a administração está insatisfeita com Eli, mas não soube lidar com a queda do maior jogador de sua franquia. Na dúvida entre o que era pior, se queimar o atleta ou vê-lo se apagar sozinho, a equipe de Nova Iorque permitiu que as duas situações acontecessem com seu QB. A fase é fraquíssima e colocar o garoto Daniel Jones não promete mudar isso de uma hora para a outra. Mas Eli, que está sendo um profissional exemplar em uma situação infeliz, merecia mais respeito dentro da instituição.


Para finalizar nosso querido cronograma de bruxa solta de 2019, o Miami Dolphins está tão terrível que deixará Ryan Fitzpatrick no banco para dar a Josh Rosen uma nova oportunidade de liderar um time que não tem a menor chance de dar certo. Conhecem a frase "o verdadeiro sentido de tanto faz"? É isso, só que no pior dos casos.


E quem também pode sofrer com lesões, como tem sido nos últimos anos, é o Carolina Panthers. O titular Cam Newton, que todo ano é obrigado a voltar às pressas de alguma contusão sem tratá-la de forma adequada, já está faltando treinos constantemente, com incômodos no pé direito.


Sendo assim, corram para casa, tranquem seus QBs e torçam para que nenhum linebacker maldoso os acerte. Neste ano, parece que o número 100 da NFL na verdade é um 666 disfarçado.

 

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