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A nova chance de Colin Kaepernick

Três anos depois, QB volta a ser considerado para atuar na NFL, mas terá o mesmo obstáculo.


Muito acontece no passar de três anos em qualquer liga esportiva profissional de alto rendimento. Algumas carreiras começam, outras terminam e há casos em que ambas as coisas ocorrem com o mesmo atleta neste intervalo. Hoje em dia, também é comum pessoas deixarem o esporte e se arrependerem, sentindo falta da vida de esportista e fazendo da aposentadoria uma porta giratória. No meio disso tudo, um ciclo ímpar se instaurou: Colin Kaepernick, ex-quarterback do San Francisco 49ers, entrou em um limbo profissional que só poderia se assemelhar ao estado do gato de Schrödinger, estando ativo e inativo ao mesmo tempo. Porém, uma movimentação recente da NFL pode mudar a situação do jogador.


"Meus representantes acabaram de me informar que o escritório da NFL foi atrás deles para um treino em Atlanta no sábado (16). Eu me mantive em forma e pronto para isso por três anos. Mal posso esperar para ver os técnicos e dirigentes no sábado", escreveu o atleta em conta oficial no Twitter. Rapidamente, devido ao histórico de Kaepernick, a informação já repercute.


A publicação é a primeira interação positiva entre o jogador e a liga desde que ele ficou desempregado, antes da temporada de 2017. O QB iniciou uma série de protestos durante o hino americano, sempre tocado antes das partidas da NFL, para levantar a atenção da imprensa e do público para os abusos policiais contra a população negra dos Estados Unidos.


Em 2012, contra os Ravens, Kaepernick ficou a uma jogada de ser campeão com os 49ers. (Au Kirk/Creative Commons)

Apesar de uma ou outra manifestação de apoio, não seria exagerado dizer que a liga e os torcedores não aceitaram o modo como Kaepernick protestou, considerando um desrespeito ao hino e à pátria. E se o atleta estava longe do auge da forma, quando levou os 49ers ao Super Bowl, também parecia acima da média de QBs reservas e até de alguns titulares da NFL. No entanto, o jogador foi demitido e sequer considerado para qualquer time durante as últimas três temporadas.


Kaepernick moveu um processo contra a NFL e os donos das franquias por, basicamente, não permiti-lo trabalhar apenas pelo protesto. Uma alegação que talvez seja difícil de provar, mas cujo efeito prático também é duro de negar, quando jogadores como Joe Flacco, Andy Dalton e Eli Manning seguem empregados, isso para não falar de Brian Hoyer, Trevor Siemian e Blake Bortles. As partes até chegaram a um acordo, que foi mantido sob sigilo de contrato e jamais divulgado.


Agora, três longos anos depois, Kaepernick vai até o estado da Geórgia para realizar treinamentos em campo e entrevistas com a imprensa. Estarão presentes durante a atividade diversos olheiros da NFL, antigos treinadores da liga e equipes possivelmente interessadas também devem ter representantes em Atlanta. Além disso, todos os 32 times receberão o vídeo dos treinos e entrevistas. Caso queiram, podem realizar entrevistas específicas com o jogador, logo após o encerramento das atividades. Será mesmo um pro-day no melhor estilo universitário, quando um atleta é sabatinado antes da transição para o profissional.


Mesmo com todo este aparato, ainda não há certeza de que realmente a condição atual de Colin Kaepernick mudará. Como será o desempenho dele após três anos? Cada pequeno problema deve ser amplificado. Pior do que alijar o atleta é justamente deixá-lo de fora por tanto tempo de um esporte que demanda ritmo e precisão. Kaepernick terá que ser perfeito para não se tornar a profecia autorrealizável da NFL. E ainda assim, com ceticismo diante das barreiras que a liga constrói sobre si mesma, é bom poder acreditar que uma injustiça pode ser reparada através do esporte. É por isso que torcemos. Um bom "antes tarde do que nunca".

 

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