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Afinal, o que (e como) será a Liga da Conferência?

Terceiro nível contempla menos poderosos da Europa, mas nos termos dos gigantes da UEFA.


O último ano está sendo de muitas mudanças para o cenário mundial do futebol. Se a FIFA, com seu novo Mundial de Clubes e a extensão da Copa do Mundo, lidera o comboio, a UEFA não fica atrás. A Liga das Nações foi considerada um sucesso e o presidente da entidade, Aleksander Čeferin, tenta cumprir um objetivo de gestão. No início do ano, assinou um acordo em que se comprometia, em parceria com a Associação de Clubes Europeus (ECA), a "delinear o futuro das competições de clubes". A ECA, claro, é capitaneada pelos grandes times europeus e presidida por Andrea Agnelli, o mandatário da Juventus. Assim, é necessário ver o anúncio oficial da Liga da Conferência, a nova competição interclubes, há cerca de dois meses, sob este prisma. Enquanto a UEFA se vangloria de, sem mexer no calendário, incluir de 9 a 12 campeões nacionais que hoje não jogam fase de grupos de nenhum torneio, os efeitos não param por aí.


A formatação, pelo menos, é bem simples. A partir da temporada 2021/22, as três competições de clubes da Europa terão organização similar à Liga dos Campeões. Os 32 times (sim, a Liga Europa não terá mais 48 participantes) se dividem em oito grupos de quatro e lutam pelo mata-mata. As qualificações seguem as mesmas via campeonatos nacionais, porém ninguém terá vaga direta na fase de grupos da Liga da Conferência. Tudo será decidido em playoffs, que incluirão quase 40 eliminados nas fases prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Os países top 5 no ranking de coeficiente terão só uma vaga, enquanto, por exemplo, todas as nações entre a 15ª e a 51ª contarão com três participantes. É nisso que a UEFA se baseia para vender a ideia como benéfica aos centros menores. E de fato é. Porém, também é a migalha que satisfaz, mas não enche. A lógica é a mesma do "caminho dos campeões" de Michel Platini.


O ex-presidente da UEFA, Michel Platini, também jogava o jogo de saciar Davi para satisfazer Golias. (Divulgação/UEFA)

Talvez o melhor exemplo do efeito deste tipo de mudança, já testada, seja o Sevilla. Um clube cada vez mais bem-sucedido, mas que mesmo assim vê o quão impossível se tornou entrar no grupo de elite. A UEFA parece querer mais Sevillas e menos concorrentes para os Barcelonas, os Liverpools e os PSGs. Está aí a grande contradição da Liga da Conferência. A nova base da pirâmide mudará a relação entre as competições. Os terceiros colocados da Liga dos Campeões não entrarão mais no bolo do mata-mata ao lado dos dois classificados de cada grupo da Liga Europa, mas terão uma fase exclusiva para eles, contra os segundos colocados. Sim, a partir de 2021/22, apenas os campeões de grupo estarão garantidos no mata-mata. Quem fica em segundo encara, antes, o nível superior. E o mesmo vale para a Liga da Conferência com relação à Liga Europa. Ou seja, para títulos, pode ser melhor ficar em terceiro do que ficar em segundo.


Na Liga dos Campeões 2019/20, menos de 30% dos países filiados à UEFA estão representados. E os ingleses, que têm o campeonato nacional mais desgastante, já estão percebendo os efeitos: Everton, West Ham e Southampton, três que jogaram a Liga Europa recentemente, agora lutam contra o rebaixamento.

A mudança ficará mais palpável a partir da próxima temporada, quando torneios nacionais iniciam adaptados com zonas de classificação para a edição inaugural da Liga da Conferência. Os jogos são às quintas, assim como a Liga Europa. A UEFA ainda trata o torneio como experimental, garantindo a realização só entre 2021 e 2024. Porém, já há acordos de televisão fechados para a transmissão do campeonato. O campeão terá vaga direta na Liga Europa seguinte, da mesma forma que o vencedor do segundo nível conquista o direito de jogar a Liga dos Campeões. Por enquanto, quase 60% dos times da principal competição de clubes vêm de apenas cinco países. E o calendário cruel de jogos europeus na quinta fez com que, por exemplo, todos os times ingleses que jogaram a Liga Europa recentemente tenham caído de produção na temporada em que, talvez, pudessem brigar no topo. A UEFA dá com uma mão e tira com a outra. Sutilmente.

 

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