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Anthony Davis, Pelicans e NBA: triângulo rancoroso

Em situação bizarra, jogador quer ser trocado, time não quer usá-lo e liga o obriga a jogar.


Em um cenário de ligas sem um sistema de divisões e com um trabalho de base que depende muito mais das universidades do país, é o sonho de qualquer time ter a chance de escolher um jogador que possa se tornar uma estrela da franquia. Em 2012, o então New Orleans Hornets, hoje New Orleans Pelicans, parecia estar diante de um sonho: a primeira escolha geral do draft, Anthony Davis. "The Brow", como é apelidado o jogador – por conta de sua chamativa monocelha –, logo se mostrou um jogador qualificado e atingiu o status de um dos grandes da NBA. Mas hoje, sete anos depois do jovem ala-pivô chegar ao time, ele tem se tornado um estorvo. Só que a situação é complexa: o time, o jogador e a liga têm culpa no cartório.


Davis sempre foi alvo de grandes times da Associação Nacional de Basquete, principalmente durante a transição da franquia, de Hornets para Pelicans, quando foi cogitado um total desmonte do time para uma franquia nova surgir "do zero". Porém, a situação ficou realmente grave no último dia 28 de janeiro, quando o empresário do jogador, Rich Paul, requisitou publicamente uma troca. O anúncio não poderia vir em pior hora, já que faltavam apenas 10 dias para o fechamento da janela da liga. Muitos times já haviam comprometido possíveis moedas de troca, que poderiam ser usadas para conseguir contar com o talento do Sobrancelha.


Das poucas equipes com uma artilharia pesada o suficiente para bancar a ida de Davis, estava o Los Angeles Lakers, que sofreu uma enxurrada de questionamentos por parte da imprensa, que buscava saber se o time teria interesse no ala-pivô. O time da Cidade dos Anjos, de fato, parecia atraído pela chance de adquirir o jogador – e colocá-lo em uma dupla gigantesca com LeBron James –, mas nem tudo ocorreu como planejado.


Anthony Davis durante partida contra os Wizards, em 2014: o casamento com Nova Orleães parece já ter acabado, mas a separação ainda não veio. (Keith Allison/Creative Commons)

A abordagem do time de Los Angeles para adquirir o jogador foi um tiro pela culatra, deixando a diretoria de New Orleans irritada por não ser incluída na conversa inicial e iniciando um clima de desconfiança no vestiário dos Lakers. Pois a janela fechou e Anthony não foi a lugar nenhum, deixando um grande elefante na sala de estar dos Pelicans. O time, desde então, optou por não o colocar para jogar, o que parece uma ideia suicida quando você tem um dos melhores de toda a liga no banco. O raciocínio é que, assim, a equipe já vai sendo preparada para funcionar sem sua principal estrela, e a franquia pode "queimar a largada" de seu próprio futuro, uma vez que a saída do jogador é inevitável.


Mas é claro que a NBA não poderia deixar isso acontecer, pois é inadmissível para liga que um dos seus melhores atletas fique longe dos holofotes. O comissário Adam Silver deixou bem claro que os Pelicans precisam escalar Anthony Davis, sob risco de punição. Um ato por si só bizarro, pois o comissário ativamente interfere na gestão do elenco de uma equipe. E Silver talvez, seja mesmo um mandatário de boas ideias e execução problemática. Ele é terminantemente contra "tankar" para ter uma escolha mais alta no draft e, supostamente, não vê com bons olhos quando um atleta abre o jogo sobre a vontade de ser trocado. Em tese, tudo em nome da salubridade do esporte. No entanto, muitas vezes colocando os pés pelas mãos.


Davis e New Orleans estão no limbo. O time, obrigado a escalar o ala-pivô todo jogo, não consegue colocar em prática seu projeto – concorde-se com a estratégia ou não – de preparar o time sem ele. Mesmo jogando vinte minutos ou menos, o Sobrancelha consegue um duplo duplo com certa facilidade. Anthony, por sua vez, joga longe do seu auge, praticamente entrando só para se aquecer. A situação não apenas tira seu preparo físico, mas aumenta a antipatia da torcida dos Pelicans com o craque.


Em abril, talvez essa novela chegue a um fim. E todos os envolvidos talvez fiquem com um gosto amargo. Só é difícil, neste momento, saber quem vai sair perdendo mais nesta grande comédia, uma sequência de erros que nem clube, nem liga, nem jogador se mostram capazes de solucionar.


 

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