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As eliminatórias de 2022 e o caminho para 2026

Copa do Catar já começou, com mudanças que preveem futuro inchaço, mas muita incerteza.


Em junho, teve início o processo eliminatório para a Copa do Mundo de 2022, no Catar, a última no formato atual. Com 32 seleções divididas em oito grupos de quatro equipes, como o Mundial ocorre desde 1998, será o canto do cisne do melhor regulamento que o torneio já teve. A partir de 2026, a Copa que será realizada por Canadá, México e Estados Unidos terá 48 seleções divididas de forma ainda indefinida. Também indefinido, é claro, está o processo qualificatório para 2026. A ampliação de vagas significa que ele deve mudar consideravelmente... Ou não. De certa forma, após pressão da FIFA para tentar antecipar o inchaço para 2022, as eliminatórias do Catar podem ser bom parâmetro do futuro. Enquanto a qualificação asiática já começou e a sul-americana foi definida em janeiro, no mesmo formato dos últimos ciclos de Copa, o processo africano e norte-americano só se oficializou na última semana. E com mudanças.


No caso da Confederação Africana (CAF), as eliminatórias voltaram para o formato pré-Copa de 2014. Após uma fase inicial de mata-mata, disputada pelas equipes de ranking inferior, 40 seleções se dividem em quatro grupos de dez, disputando entre si o direito de ir às finais. Sim, as cinco vagas da África para o Mundial do Catar serão decididas em confrontos diretos: cinco disputas em ida e volta entre os dez campeões de grupo. O formato é, no mínimo, empolgante, ao contrário do último. E o principal: é de fácil ajuste para 2026, quando o continente terá nove vagas, ao invés de cinco. Com um pequeno aumento na primeira fase, é fácil diminuir para 36 as seleções na fase de grupos – levando à Copa os nove campeões de grupo ou, para manter as finais, organizando nova disputa que envolva também os segundos colocados. Se é impossível cravar o formato futuro, está claro o quão próximo o atual está das demandas de 2026.


O sorteio da fase de grupos, que já é a segunda das eliminatórias asiáticas, realizado nesta semana: a Copa do Catar já começou. (Divulgação/AFC)

Para o continente asiático, o formato foi modificado antes da Copa de 2018, na Rússia, com as duas primeiras fases servindo também de qualificação para a Copa da Ásia. Em 2026, serão oito equipes asiáticas no Mundial, ao invés de 4,5 (quatro com vaga direta e uma indo à repescagem, como é atualmente). Por um lado, no regulamento atual a segunda fase tem oito grupos e classifica doze, os primeiros e os quatro melhores segundos. Passando 16, já é possível dividir com tranquilidade a classificação dos oito que vão à Copa, seja com novos grupos ou em finais diretas, tal qual a África. O sorteio da fase de grupos, inclusive, foi realizado na última quarta-feira (17), na Malásia. Seis seleções já foram eliminadas no play-off inicial. Em vez de um sorteio geral e simbólico, recebido pelo país-sede (como o Brasil fez em 2011), tanta confusão, mudanças e incertezas fizeram a FIFA desistir recentemente da ideia.


Europa e Oceania, por exemplo, sequer têm formato definido para suas qualificações. A UEFA promete anunciar o regulamento em setembro, já a OFC não oferece previsão alguma. Até aqui, o continente europeu tem direito a 13 vagas, que se tornarão 16 para a Copa de 2026. E a Oceania finalmente ganhará vaga direta – possui apenas 0,5, ou seja, classifica uma seleção à repescagem. O próprio processo de repescagem sofrerá mudança drástica para as eliminatórias de 2026, mas ainda não se sabe exatamente como funcionará. Serão seis equipes de quase todas as Confederações (com exceção da UEFA) disputando duas vagas. Como esses seis irão à repescagem? Ninguém sabe. Na verdade, com tantas incertezas, passa batido até mesmo o fato de que ainda não foi definida nem mesmo a classificação (ou não) dos países-sede. Serão 60 jogos nos Estados Unidos, dez no Canadá e dez no México. Uma das seleções estará lá?


A Copa de 2026 será a primeira da história que já começará as eliminatórias com a garantia de que todas as Confederações continentais terão representantes no Mundial. A Oceania terá, pela primeira vez, uma vaga no torneio sem precisar disputar um play-off intercontinental.

Para ser honesto, as eliminatórias da CONCACAF são feitas para que as principais seleções se classifiquem com um pé nas costas. E mesmo assim, os Estados Unidos protagonizaram vexame e ficaram de fora da Copa de 2018. Assim, a mudança para o próximo Mundial é ainda mais benéfica às seleções de melhor ranking. As seis jogarão apenas hexagonal entre si, com as três melhores indo direto ao Catar, enquanto a quarta colocada jogará play-off contra um único sobrevivente de gigante fase que envolve os outros 29 times. A CONCACAF é o ponto fora da curva, já que será obrigada a mudar bastante seu formato para 2026: terá seis vagas ao invés de 3,5 e não poderá simplesmente levar os seis de melhor ranking para a Copa (como aparentemente gostaria). E tem Liga das Nações, que começa em setembro. Europa tem a sua e África também deve ter, com possibilidade de um papel na Copa, complicando ainda mais a equação.


A CONMEBOL mantém o formato para 2022, com 4,5 vagas. A partir de 2026, serão seis, e há preocupação com a competitividade da qualificação se simplesmente 60% de um único grupo se classificar. Outra equação dura. O único continente cujo número total de países afiliados é múltiplo do número de vagas para a Copa do Catar (9/54) é a África, o que significa que até mesmo uma simples fase de grupos seria opção – embora menos atraente, é claro. O restante das Confederações têm planejamento complexo pela frente até o próximo ciclo. Algumas decidiram se antecipar e plantar um embrião já para 2022. Outras, empurram com a barriga. A verdade é que o futebol de seleções está passando por inúmeras e profundas mudanças, em tese visando melhorar o calendário e o interesse, que decaiu nos últimos anos – com exceção do Mundial. Será que tal desorganização afetará a Copa do Catar, já envolta em controvérsias?

 

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