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Caminho e conquistas de Alexandre Kalil no Galo

Ex-presidente, atual prefeito de BH faz 60 anos no mesmo dia em que Atlético completa 111.


Na última quarta-feira (20), o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, concedeu entrevista que não teve como assunto questões da gestão pública do município. É que antes de ser eleito para a Prefeitura, em 2016, Kalil passou mais de 15 anos como um dos homens mais fortes da política interna do Clube Atlético Mineiro. A princípio como presidente do Conselho Deliberativo, por quase seis anos, o que marcou a passagem do mandatário foram outros seis anos: de 2008 a 2014, ele conquistou dois mandatos na Presidência administrativa do Galo, mas quem realmente conquistou muito foi o clube. Foi um dos períodos mais vitoriosos da história do Atlético, talvez até o mais vitorioso. Três estaduais, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e, principalmente, a Libertadores, o maior título da equipe em todos os tempos. Com um currículo desses, é inevitável que falar de Kalil, até hoje, seja também falar de Atlético.


Como prefeito, é claro, o político Alexandre Kalil (PODE/MG) está afastado do Atlético como nunca esteve antes. Sua história como homem público, no entanto, é indissociável do clube. Talvez seja o maior presidente que o Galo já teve – certamente é o mais vencedor. O estilo de gestão centralizador e as declarações polêmicas também tiveram papel preponderante no renome que o dirigente tem, porém, lembrá-lo apenas por isso seria injusto. Desde o trabalho no volêi atleticano, que se tornou referência para a modalidade em Minas Gerais, até o título da Copa do Brasil, em seus últimos dias como presidente, Kalil sempre buscou fazer mais do que falar; e olha que sempre falou muito. Quando pecou, foi por excesso, não por falta. E neste 25 de março, o histórico mandatário completa 60 anos de idade, no mesmo dia em que o Atlético comemora 111 anos de fundação. Como se o caminho de um já não fosse suficientemente ligado ao outro...


Coletiva de Alexandre Kalil em 2014, seu último ano na Presidência: foram dois títulos inéditos, da Recopa Sul-Americana e da Copa do Brasil. (Bruno Cantini/CAM)

Na controversa entrevista recente, já ficou infame a declaração do ex-presidente sobre o Mineirão, casa histórica da equipe, ser o "túmulo do Atlético". No último domingo (24), em partida de pouca relevância, a torcida do Galo lotou o estádio na vitória sobre o Tupynambás, por 3 a 1, nas quartas de final do Campeonato Mineiro. A festa, com 47 mil pessoas, já foi parte das comemorações de aniversário do clube. Enquanto isso, o prefeito da capital mineira certamente celebrava a vitória, apesar de considerar que o Gigante da Pampulha "emperrou o Atlético por 44 anos". O estádio próprio que Kalil tanto queria nunca saiu em sua gestão, mas parece estar se encaminhando, dois mandatos após a saída do ex-mandatário – ambos os presidentes eleitos desde então foram apoiados por ele. O sonho é antigo. A expansão estrutural, inclusive, vem desde o mandato de Elias Kalil, pai de Alexandre, que iniciou a construção do CT Cidade do Galo em 1982.


Foi durante a Presidência do pai que Alexandre Kalil tomou as rédeas do vôlei atleticano. Em pouco tempo, fez do Atlético tetracampeão estadual e uma das forças da modalidade no país. Desde então, se tornou parte da engrenagem do clube, como conselheiro e, principalmente, como presidente do Conselho Deliberativo por dois mandatos, entre 1999 e 2006. Desde lá, advogava pela estrutura interna do clube, inclusive financeira; mas sempre no sentido de responsabilidade e transparência, não necessariamente de austeridade em vez de títulos. Para ele, "futebol não é uma coisa ou outra". Na verdade, a forma de gestão de Kalil é um exemplo do seu tempo: se criar como dirigente nos anos 1980 não significa competência ou incompetência automática, mas em muitos casos significa um estilo mais personalista de gerenciamento. No Galo de Alexandre Kalil, famosamente, não se comprava um guardanapo sem a assinatura direta dele. Isso, é claro, quando se tornou presidente.


O episódio do anúncio da contratação de Anelka, que ficou famoso, foi uma demonstração da gestão centralizadora de Kalil. Ele mesmo negociou e teve confirmação direta do irmão de Anelka, que depois se revelou, nas palavras do presidente, um "vigarista".

A eleição que elevou Kalil à cadeira mais alta do Atlético/MG ocorreu no fim de 2008. Dois anos antes, o clube estava disputando (e vencendo) a Série B. Retomar a normalidade vitoriosa era um desafio direto do presidente – que, se assinava por qualquer guardanapo adquirido, estava ainda mais envolvido, pessoalmente, em cada contratação e na formação dos elencos. O de 2009 ficou em sétimo na Série A, enquanto o de 2010 lutou contra o rebaixamento, apesar do título mineiro. Já no período, a transição de saída da pior fase da história do clube se consolidava, com Diego Tardelli, Ricardinho, Réver, Diego Souza e outros atletas importantes. O projeto chegou no auge em 2012. Após conquista invicta do Mineiro, Kalil acertou uma de suas maiores tacadas: Ronaldinho Gaúcho. Vice-campeão brasileiro e de volta à Libertadores após 13 anos, direto para conquistá-la. A história do sofrido título, contada dentro de campo, todos sabem.


Aquele time também tinha Jô e Victor como destaques. O goleiro segue, até hoje, um dos pilares do Atlético. O legado de Kalil é sentido dentro do campo e fora dele. Para um presidente que não se gabava da questão financeira, ele elevou a arrecadação do Galo e recolocou o clube no patamar que merece. Também fora de campo, é claro, Kalil foi marcado por declarações infelizes. Desde não se importar se os jogadores "tomarem um cacete na madrugada" até comparar cruzeirenses com aleijados. Por outro lado, sua participação como dirigente nos momentos finais do Clube dos 13 foi muito digna, assim como a tentativa de coordenar a Primeira Liga – certamente assuntos para relatos futuros, contados em detalhes, aqui no NesF. A relação maior de Kalil nunca foi com o futebol em si, mas com o Clube Atlético Mineiro. Ambos estão ligados desde o nascimento, nos dias 25 de março de 1908 e de 1959. Mas acima de tudo, ligados pela história de cada um.

 

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