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Dez anos de Série D: um balanço (parte 1)

Quarta Divisão completou sua décima edição; o que aguarda os clubes que ascendem dela?


Apenas 20 dias atrás, o Brasil conheceu seu primeiro campeão nacional de 2018: o Ferroviário. Após destruir o Treze com um 3 a 0 em casa, o clube cearense pôde até perder o jogo de volta por 1 a 0, em Campina Grande, e levar o merecido título da Série D. O Ferrão foi o décimo clube diferente a ser campeão nas dez edições realizadas da Quarta Divisão. Mas o caráter democrático da competição não termina aí. Também foram 20 finalistas distintos e oito estados – de quatro das cinco regiões do país – com clubes triunfantes. Apenas o Centro-Oeste ainda não teve representantes campeões, mas esteve em uma final, com o CRAC, em 2012. A decisão deste ano, entre os nordestinos Ferroviário e Treze, foi a primeira da história entre duas equipes da mesma região. Se o torneio em si tem funcionado sob uma perspectiva nacional, é igualmente importante entender como a nova base da pirâmide do futebol brasileiro, agora que ela completará uma década, afeta o restante do funil.


De imediato, as histórias de sucesso chamam a atenção. A principal, claro, é da Chapecoense, que iniciou sua ascensão impressionante justamente na temporada de estreia da Quarta Divisão. O clube catarinense foi semifinalista naquele ano, perdendo a vaga na final para o Macaé, mas garantiu o acesso à Série C. Dela, após dois anos batendo na trave, o Verdão do Oeste subiu para a Segundona em 2012, e logo no ano seguinte já foi vice-campeão da Série B, ficando atrás apenas do gigante Palmeiras. Desde 2014, a Chape segura firme sua carteirinha da Primeira Divisão, chegando a ficar entre os oito melhores no ano passado. Mas o time do Índio Condá não foi o único. Embora não estejam mais na elite, Joinville e Santa Cruz também experimentaram promoções meteóricas – o Coelho chegou a conquistar dois títulos nacionais pelo caminho, mas voltará à última divisão em 2019. Além disso, sete das 20 equipes que disputam atualmente a Segundona passaram pela Série D nestes dez anos de história.


É claro que não são todos que conseguem um progresso exponencial após deixar a Quarta Divisão. Entretanto, com cem clubes espalhados por todos os níveis do Brasileiro a partir de 2009 e, após alguns anos de existência da Série D, o aumento para 128 em 2016, o Brasil passou a ter duas competições extremamente nacionais na base do seu futebol, ao invés de apenas uma. São, no mínimo, cerca de 700 clubes no país, o que significa que ainda falta muito para a pirâmide abrigar, de alguma forma, a maioria. Mas a última década de Série D foi um passo no caminho certo. A seguir, a primeira parte do levantamento feito pelo NesF com o caminho de todos os clubes promovidos da última divisão nacional (e em destaque, o melhor ano de cada equipe):


São Raimundo/PA (campeão de 2009)

Série C 2010: rebaixado

Série D 2011: eliminado na 1ª fase

Sem divisão de 2012 a 2015

Série D 2016: eliminado nas 16-avos-de-final

Série D 2017: eliminado na 1ª fase

Série D 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série D 2019


Macaé (vice-campeão de 2009)

Série C 2010: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2011: eliminado na 1ª fase

Série C 2012: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2013: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2014: campeão

Série B 2015: rebaixado

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: rebaixado

Série D 2018: eliminado nas 16-avos-de-final

Pode se qualificar para a Série D 2019 (via Copa Rio)


Chapecoense (semifinalista de 2009)

Série C 2010: eliminada nas quartas-de-final

Série C 2011: eliminada na 2ª fase

Série C 2012: semifinalista

Série B 2013: vice-campeã

Série A 2014: 15ª colocada

Série A 2015: 14ª colocada

Série A 2016: 11ª colocada

Série A 2017: 8ª colocada

Série A 2018: 15ª colocada (em andamento)


Nivaldo Goleiro Chapecoense
Goleiro Nivaldo chegou na Chapecoense quando o clube não tinha divisão: ele participou de todos os acessos na escalada da Série D à Série A. (Divulgação/Chapecoense)

Alecrim (semifinalista de 2009)

Série C 2010: rebaixado

Série D 2011: eliminado na 1ª fase

Sem divisão de 2012 a 2019


Guarany/CE (campeão de 2010)

Série C 2011: eliminado na 1ª fase

Série C 2012: rebaixado

Série D 2013: eliminado na 1ª fase

Série D 2014: eliminado na 1ª fase

Sem divisão em 2015 e 2016

Série D 2017: eliminado nas oitavas-de-final

Sem divisão em 2018 e 2019


Madureira (vice-campeão de 2010)

Série C 2011: eliminado na 1ª fase

Série C 2012: eliminado na 1ª fase

Série C 2013: eliminado na 1ª fase

Série C 2014: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2015: rebaixado

Série D 2016: eliminado na 1ª fase

Sem divisão em 2017

Série D 2018: eliminado na 1ª fase

Sem divisão em 2019


Araguaína (semifinalista de 2010)

Série C 2011: rebaixado

Série D 2012: eliminado na 1ª fase

Sem divisão de 2013 a 2019


Joinville (semifinalista de 2010)

Série C 2011: campeão

Série B 2012: 6º colocado

Série B 2013: 6º colocado

Série B 2014: campeão

Série A 2015: rebaixado

Série B 2016: rebaixado

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: rebaixado

Qualificado para a Série D 2019


Tupi (campeão de 2011 e semifinalista de 2013)

Série C 2012: rebaixado

Série D 2013: semifinalista

Série C 2014: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2015: semifinalista

Série B 2016: rebaixado

Série C 2017: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2018: rebaixado

Qualificado para a Série D 2019


Oeste (semifinalista de 2011)

Série C 2012: campeão

Série B 2013: 15º colocado

Série B 2014: 15º colocado

Série B 2015: 16º colocado

Série B 2016: 16º colocado

Série B 2017: 6º colocado

Série B 2018: 11º colocado (em andamento)


Sampaio Corrêa (campeão de 2012)

Série C 2013: vice-campeão

Série B 2014: 10º colocado

Série B 2015: 8º colocado

Série B 2016: rebaixado

Série C 2017: semifinalista

Série B 2018: 19º colocado (em andamento)


CRAC (vice-campeão de 2012)

Série C 2013: eliminado na 1ª fase

Série C 2014: rebaixado

Série D 2015: eliminado nas oitavas-de-final

Sem divisão de 2016 a 2019


Baraúnas (semifinalista de 2012)

Série C 2013: rebaixado

Série D 2014: eliminado na 1ª fase

Sem divisão de 2015 a 2019


Mogi Mirim (semifinalista de 2012)

Série C 2013: eliminado na 1ª fase

Série C 2014: semifinalista

Série B 2015: rebaixado

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: rebaixado

Série D 2018: eliminado na 1ª fase

Sem divisão em 2019


Com esta primeira parte do levantamento, já é possível perceber certos padrões. Mas cabe à coluna da próxima semana, com o mosaico completo, oferecer mais perspectiva. Além disso, os mais atentos podem ter notado que o vice-campeão e um dos semifinalistas de 2011, Santa Cruz e Cuiabá, respectivamente, não entraram nesta primeira parcela da pesquisa. Como ambos estão envolvidos nas quartas-de-final da Terceirona 2018, que terminam na próxima segunda-feira (27), foram deixados para a segunda parte do levantamento, para oferecer uma informação mais apurada – já que estes jogos decidem quem continuará onde está em 2019 e quem disputará a Segunda Divisão do ano que vem, mudando o panorama das equipes. Portanto, fique de olho, pois esta edição do Numerologia, assim como as Séries C e D, não tem fase única. Continua na próxima semana...

 

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