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Dez anos de Série D: um balanço (parte 2)

A segunda parte do retrospecto de quem subiu da Quarta Divisão, após suas dez edições.


Na semana passada, o NesF publicou a primeira parte do balanço de dez anos da Quarta Divisão, com o caminho pós-Série D dos 14 primeiros clubes a ascenderem da última divisão nacional desde sua criação, em 2009. Hoje, o cenário fica completo, com as 21 equipes restantes. E vendo o mosaico integral, você pode tirar sua própria conclusão sobre os caminhos de cada clube após deixar Série D. Alguns números, no entanto, se destacam de imediato: em dez edições, foram 39 equipes diferentes elevadas para a Série C – apenas o Tupi subiu repetidamente, em 2011 e 2013. Juntam-se aos 35 que fizeram parte deste levantamento o novo campeão Ferroviário e o vice Treze, que terão a companhia, na Terceirona do ano que vem, dos semifinalistas São José/RS e Imperatriz. E nesta segunda-feira (27), foram definidos os quatro clubes que deixam a Série C, rumo à B. Três deles (Operário/PR, Cuiabá e Botafogo/SP) passaram pela Quarta Divisão, nestes dez anos de história.


Chegar à Segundona tem sido uma constante para os times que saem da Série D. Dos 35 presentes neste levantamento, 16 conseguiram o feito. São 45,7% dos clubes subindo mais um nível do futebol brasileiro. O CSA, inclusive, atual vice-líder da Série B, busca ser o primeiro desde a criação do quarto nível nacional a escalar a pirâmide inteira no menor tempo possível: três anos. O Azulão foi vice-campeão da Série D em 2016, conquistou a Terceirona no ano passado e agora busca o passo final, o acesso para disputar a elite em 2019. No ano que vem, o Operário de Ponta Grossa também poderá tentar a mesma conquista. A barreira da Série A é difícil de ser quebrada, entretanto. Apenas três clubes (Chapecoense, Santa Cruz e Joinville) chegaram lá após disputarem a Série D. O afunilamento costuma ser especialmente cruel com times do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como em 2015, quando a Primeira Divisão teve apenas duas equipes que não eram do Sudeste ou do Sul. Um sintoma de questões que vão além do futebol.


A Série A não abriga um clube da região Norte desde que o Paysandu foi rebaixado, em 2005. Ou seja, uma das cinco regiões do país não participou nenhuma vez do atual ciclo da principal competição nacional, já que a Primeira Divisão no formato corrente – por pontos corridos e com 20 clubes – começou em 2006. Entre outros motivos, é por isso que as Séries C e D possuem características muito mais nacionais que a elite. Da base para o topo da pirâmide, há um estreitamento inevitável, com as diferenças socioeconômicas entre as regiões. O futebol não ocorre em uma bolha e é muito afetado, claro, por questões do tipo. Não é razoável exigir que o esporte seja imaculado; ele reflete o contexto em que está inserido. No entanto, está sujeito a cobrança por melhorias como qualquer setor da sociedade. E se a Série D está longe de ser suficiente para lidar com tais (e outros) problemas, os últimos dez anos mostram que, para a transição das equipes, quatro divisões são melhores que três. Abaixo, a segunda parte do levantamento:


Santa Cruz (vice-campeão de 2011)

Série C 2012: eliminado na 1ª fase

Série C 2013: campeão

Série B 2014: 9º colocado

Série B 2015: vice-campeão

Série A 2016: rebaixado

Série B 2017: rebaixado

Série C 2018: eliminado nas quartas-de-final

Qualificado para a Série C de 2019


Cuiabá (semifinalista de 2011)

Série C 2012: eliminado na 1ª fase

Série C 2013: eliminado na 1ª fase

Série C 2014: eliminado na 1ª fase

Série C 2015: eliminado na 1ª fase

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: semifinalista (em andamento)

Qualificado para a Série B de 2019


Botafogo/PB (campeão de 2013)

Série C 2014: eliminado na 1ª fase

Série C 2015: eliminado na 1ª fase

Série C 2016: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: eliminado nas quartas-de-final

Qualificado para a Série C de 2019


Juventude (vice-campeão de 2013)

Série C 2014: eliminado na 1ª fase

Série C 2015: eliminado na 1ª fase

Série C 2016: semifinalista

Série B 2017: 9º colocado

Série B 2018: 14º colocado (em andamento)


Salgueiro (semifinalista de 2013)

Série C 2014: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2015: eliminado na 1ª fase

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: rebaixado

Qualificado para a Série D 2019


Tombense (campeão de 2014)

Série C 2015: eliminado na 1ª fase

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série C 2019


Brasil/RS (vice-campeão de 2014)

Série C 2015: semifinalista

Série B 2016: 11º colocado

Série B 2017: 8º colocado

Série B 2018: 18º colocado (em andamento)


Brasil Pelotas Londrina 2018
Brasil de Pelotas e Londrina se enfrentam pela Série B 2018: duelo já virou rotina para os dois clubes, que jogam entre si novamente na próxima semana. (Gustavo Oliveira/Londrina EC)

Londrina (semifinalista de 2014)

Série C 2015: vice-campeão

Série B 2016: 6º colocado

Série B 2017: 5º colocado

Série B 2018: 12º colocado (em andamento)


Confiança (semifinalista de 2014)

Série C 2015: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série C 2019


Botafogo/SP (campeão de 2015)

Série C 2016: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: semifinalista (em andamento)

Qualificado para a Série B de 2019


River/PI (vice-campeão de 2015)

Série C 2016: rebaixado

Série D 2017: eliminado na 1ª fase

Sem divisão em 2018

Qualificado para a Série D 2019


Remo (semifinalista de 2015)

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série C 2019


Ypiranga/RS (semifinalista de 2015)

Série C 2016: eliminado na 1ª fase

Série C 2017: eliminado na 1ª fase

Série C 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série C 2019


Volta Redonda (campeão de 2016)

Série C 2017: eliminado nas quartas-de-final

Série C 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série C 2019


CSA (vice-campeão de 2016)

Série C 2017: campeão

Série B 2018: vice-líder (em andamento)


São Bento (semifinalista de 2016)

Série C 2017: semifinalista

Série B 2018: 13º colocado (em andamento)


Moto Club (semifinalista de 2016)

Série C 2017: rebaixado

Série D 2018: eliminado nas oitavas-de-final

Qualificado para a Série D 2019


Operário/PR (campeão de 2017)

Série C 2018: semifinalista

Qualificado para a Série B de 2019


Globo (vice-campeão de 2017)

Série C 2018: eliminado na 1ª fase

Qualificado para a Série C 2019


Atlético/AC (semifinalista de 2017)

Série C 2018: eliminado nas quartas-de-final

Qualificado para a Série C de 2019


Juazeirense (semifinalista de 2017)

Série C 2018: rebaixado

Qualificado para a Série D 2019


A ideia de dividir este levantamento em duas partes teve como objetivo, principalmente, permitir que o NesF compartilhasse com você o levantamento completo, não apenas números específicos e selecionados – embora isso esteja presente também. Assim, você também pode tirar suas próprias conclusões e comentar sobre o que foi (ou não foi) destacado neste recorte. Aqui vai uma última perspectiva, no entanto, que mostra o caráter um pouco mais nacional da Série D, mas também o ótimo aproveitamento nordestino na competição – que, em 2018, foi decidida por dois clubes da região: os números de times de cada parte do país que subiram para a Série C nestes dez anos, já incluindo os quatro que se qualificaram para disputá-la apenas em 2019.


Nordeste: 16

Sudeste: 9

Sul: 8

Norte: 4

Centro-Oeste: 2

 

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