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Dinastias não acabam, só entram para a história

Quando legado já está firmado, caso do New England Patriots, não existe "fim de uma era".


O cenário já é habitual para o fã de futebol americano: com problemas por lesões, por falta de experiência de jogadores recém-chegados ou apenas por um início mais lento, o New England Patriots começa a pipocar no noticiário esportivo com a batida questão do "fim da dinastia". Quem consome a NFL já está cansado de ouvir – e até parte da própria imprensa já aprendeu a não falar – que está chegando o "fim de uma era". Porém, muitos ainda forçam uma leitura mais polêmica para movimentar a temporada de tiro curto da Liga Nacional de Futebol Americano. A dinastia não acabou, ela já está consolidada na história do esporte e independe de novas conquistas. Talvez a pergunta devesse ser: "quando uma nova vai surgir"?


A história é conhecida e digna de qualquer filme/documentário sobre esportes. O jovem desacreditado, selecionado na posição #199 do Draft no ano 2000, sai de terceira opção naquela mesma temporada para assumir a vaga de backup: o reserva direto do quarterback titular do New England Patriots, Drew Bledsoe. Com apenas 3 passes para 6 jardas naquele ano, Tom Brady parecia estar destinado a sempre ser a segunda escolha, ficando na sombra do QB veterano.


Claro que a partir daí, tudo muda. Bledsoe se machuca no segundo jogo da temporada regular de 2001, Brady entra e lidera o time para seu primeiro título de Super Bowl. Nos anos seguintes, a história não seria diferente; e ao final da temporada de 2004, o jovem e inesperado QB já tinha vencido 3 títulos em 4 anos.


O vestiário do Gillette Stadium, em Foxborough, palco da partida de hoje contra os Chargers: Patriots não perdem em casa nos playoffs desde a temporada de 2012. (Divulgação/New England Patriots).

Ali já era estabelecida a tal dinastia, como conhecemos nos esportes americanos. Uma mesma equipe com títulos consecutivos e/ou frequentes em um curto período de tempo. Como alguém totalmente novo no esporte profissional, Brady rapidamente já estava no mesmo calibre vitorioso de QBs aclamados como Troy Aikman, Terry Bradshaw e seu ídolo Joe Montana. Mas, ao contrário dos gigantes que o precederam, o jovem Tom criou seu império na época em que a internet já se consolidava como meio de comunicação de massa, ampliando a necessidade por gerar informação a todo momento. O retrato atual de boa parte da imprensa é o de uma máquina de controvérsias periódicas – muitas vezes falsas.


Passa-se então a contestar os três títulos dos Patriots: a "Tuck Rule" no jogo contra os Raiders em 2001; o mérito do kicker Adam Vinatieri em 2003 e 2004 (que supostamente seriam maiores que os de Brady); e as derrotas para o New York Giants em 2007 e 2011. Tudo acentuava a desconfiança por parte das torcidas de outros times e de parte da imprensa que sempre torceu o nariz para os feitos do time e, mais ainda, do QB prodígio da Nova Inglaterra.


Entretanto, perdida na própria polêmica, essa parte da mídia não percebeu que estava questionando o fim de uma dinastia enquanto já havia outra sendo formada no lugar. O time que ganhou os três títulos na década de 2000 já não era o mesmo que perdeu pela segunda vez para os Giants em 2011; mas seu substituto também era comandado por Tom Brady e pelo técnico Bill Belichick. Uma equipe que, desde 2001, só faltou aos playoffs duas vezes: no segundo ano de Brady, em 2002; e em 2008, quando o craque rompeu os ligamentos do joelho e ficou fora da temporada.


Desde 2010, o New England Patriots não apenas vai para todos os playoffs, como nunca sequer jogou uma partida da rodada de wildcard; a última foi justamente na temporada de 2009. E a equipe esteve presente em todas as últimas sete finais da Conferência Americana.

Enquanto ainda se pensava nos Patriots dos títulos de 2001 a 2004, o time foi lá e ganhou em 2014 e 2016. E poderia ter vencido, de novo, três em quatro anos, se não fosse pelo brilhante Nick Foles no último Super Bowl. Estamos falando de uma agremiação que esteve presente em 8 finais da NFL nos últimos 17 anos. Neste caminho, boa parte da imprensa, pelo menos, se rendeu aos fatos, passando a apreciar a importância do que estava sendo construído – e em alguns casos, até exagerando para o outro lado e criando uma fenda maniqueísta na opinião pública, o que contribuiu para tornar Brady uma figura que divide opiniões, principalmente fora de campo. Com a bola oval na mão, é difícil contestar o QB dos Patriots. Desde que chegou na liga, nunca passou mais de três anos sem disputar um Super Bowl.


A dinastia não vai acabar. Porque dinastias não acabam. Elas apenas entram para a história, como a dos Patriots já entrou. É um time que se tornou dominante e revolucionou uma franquia que era irrelevante para a liga e passou a ser referência com o legado construído por Brady e Belichick. A dinastia não vai acabar porque, mesmo que perca neste domingo (13) contra os Chargers, os Patriots já deixaram sua marca. Ninguém se importa com o momento em que a dinastia dos 49ers nos anos 1980 supostamente chegou ao fim, muito menos a dos Cowboys na década de 1990, porque dinastias simplesmente existem. Como amantes do esporte, a sorte é nossa: é um privilégio testemunhar algo deste porte.


 

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