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Dona Philly e seus dois QBs

Manter Carson Wentz e Nick Foles no mesmo elenco para o ano que vem deve ser difícil.


Ter um quarterback decente parece um trabalho hercúleo para algumas equipes da NFL. Sempre vamos lembrar de nomes como Tom Brady, Drew Brees e Aaron Rodgers, mas a verdade é que boa parte das franquias da liga está relegada a realidades muito mais próximas de jovens promessas como Josh Allen e Sam Darnold; para não falar de quem tem que se virar com Case Keenum e Ryan Tannehill. Dentro dessa realidade medíocre, o Philadelphia Eagles até que vive em um mundo de ostentação, tendo o luxo de ter um QB reserva que joga no mesmo nível que seu titular – embora nenhum dos dois esteja no patamar mais alto da NFL. Só que dependendo de como a temporada dos Eagles terminar, a virtude pode se tornar complicação.


O cenário atual parece muito com o de 2017: Carson Wentz se machuca e deixa o futuro do time da Filadélfia nas mãos de Nick Foles. Ano passado, todos sabem como isso acabou, dando aos Eagles o primeiro Super Bowl de sua história. Mas o ano de 2018 traz novos agravantes para a definição da titularidade na principal posição da equipe. O time faz, afinal, uma campanha fraquíssima até aqui, principalmente levando em conta que é o atual campeão. As Águias simplesmente falharam na reconstrução de seu ataque após a saída do ex-coordenador ofensivo Frank Reich e do ex-treinador de QBs John DeFilippo. Para piorar, Carson Wentz precisou se afastar mais uma vez devido a grave lesão nas costas. Desta vez, Foles entrou na jogada não como azarão, mas com o status que conquistou na última temporada: de herói adormecido, que agora poderia resgatar as chances de playoffs.


Os dois QBs treinando juntos, em meados da temporada 2018: cena pode não se repetir no ano que vem. (Kiel Leggere/Philadelphia Eagles)

Pode parecer um peso menor do que levar o time ao Super Bowl, mas a grande afirmação de Foles foi em vitória incontestável diante do Los Angeles Rams, um dos melhores times da temporada até aqui. O jogo era grande, mas não foi problema. E a verdade é que Foles parece bem à vontade com a pressão. Com esse resultado inesperado, os Eagles voltam a sonhar com a pós-temporada e sua torcida agora exalta o QB reserva como o Messias que os tirará do deserto em que se encontravam.


Mas o que acontece se a equipe da Filadélfia de fato for aos playoffs? Não estou nem propondo um exercício mais difícil de imaginação como um retorno ao Super Bowl, mas apenas uma ida para a pós-temporada, talvez uma vitória na rodada de wildcard... Os Eagles têm um QB titular que nunca jogou uma partida de mata-mata em sua (ainda curta, ok) carreira. Ao mesmo tempo, a franquia tem um QB reserva que lhes levou ao ápice de sua história – e em duelo direto contra o maior quarterback da liga.


Talvez esteja longe de ser uma escolha de Sofia, mas o que vai acontecer quando chegar aos Eagles uma proposta astronômica de qualquer outro time da liga? Pode parecer um cenário alarmista para o fã da franquia, mas é só olhar para os vizinhos de divisão para entender a dureza do cenário: talvez seja impossível manter por muito tempo dois bons jogadores na posição mais importante do esporte. Os Giants estão perto da aposentadoria de Eli Manning (espontânea ou não); os Cowboys parecem perdidos entre procurar um QB para substituir Dak Prescott ou seguir fingindo que o garoto maravilha não se tornou apenas um jogador mediano; e os Redskins de Josh Johnson são os piores desta lista. Não apenas estão sem um quarterback de confiança, como perderam Alex Smith com requintes de crueldade, em lesão que pode encerrar a carreira do jogador. Não seria loucura imaginar qualquer um desses times buscando Foles ou Wentz.


Outro detalhe pode ampliar ainda mais possíveis interesses, ao redor de toda a liga, pelos QBs dos Eagles: a safra da posição no próximo Draft não parece promissora. Para muitas franquias, o caminho será mesmo ir em busca de um QB que já está no mercado.

Se esse cenário de avidez já é real na divisão, ele se torna ainda mais intenso quando levamos para toda a NFL. Friamente, é bem possível que tanto Wentz quanto Foles fossem titulares em quase 80% dos times. Em 4 de fevereiro, dia seguinte ao próximo Super Bowl, a temporada de caça pode ser aberta. Não são poucas as diretorias pela liga que devem estar dispostas a derramar dinheiro (e jogadores, e escolhas de Draft...) na porta dos Eagles, implorando por um de seus dois preciosos QBs.


O ano de 2019 deve ter um mercado efervescente na posição mais central do futebol americano. Enquanto isso, os Eagles seguem vivos na luta pelo título da Divisão Leste na Conferência Nacional. E Nick Foles segue em busca de se consolidar como o reserva mais titular da NFL. Caso consiga levar a divisão, ou mesmo carregar o time da Filadélfia aos playoffs, o QB talvez possa também se considerar o reserva mais vitorioso dos últimos anos. O mais cobiçado, provavelmente, ele já é.


 

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