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E se a Taça Brasil fosse uma Copa do Brasil?

Como seria o ranking de títulos nacionais se a CBF apoiasse grande parte dos especialistas.


Em dezembro de 2010, a CBF não deu título a ninguém. Reconheceu a história e, talvez erroneamente, a unificou. Mas as taças levantadas por Santos e Palmeiras (os maiores "beneficiados" pela decisão) foram reais, palpáveis, merecidas e muito comemoradas em sua época. Eram motivo de orgulho para as suas torcidas muito antes de 2010 – ou pelo menos deveriam ser. Sobre a unificação, sim, as opiniões sempre foram distintas e variadas. No entanto, talvez seja pouco controverso dizer que o Roberto Gomes Pedrosa (RGP), a partir de 1967, se tornou um campeonato brasileiro. Já a Taça Brasil (TB) gera mais discussão. E muita discussão. Afinal, já que se está comparando o incomparável, ela está mais para Liga ou para Copa? Juca Kfouri e Mauro Beting, entre outros, tendem para a segunda opção.


Há o argumento, também bastante difundido, de que a TB não pode ser equiparada à Copa do Brasil (CB) porque, na sua época, era o título mais importante do país – enquanto a CB, criada em 1989, nunca foi, pois o Brasileiro (BR) já existia. O que faz pouco sentido, pois parte do pressuposto de que a relevância de um torneio não muda, naturalmente, com o tempo. Formatos e participantes são muito mais definitivos no caráter de uma competição. Mesmo enquanto a TB (ou até o RGP) era disputada, os estaduais ainda eram considerados maiores para muitos clubes. Se o Carioca foi o campeonato mais importante do Brasil em determinado momento, seu campeão deve ser declarado campeão brasileiro? Na Inglaterra, o berço do futebol, a Copa nacional foi criada 17 anos antes da Liga. Por todo esse tempo, o campeão da Copa era o único campeão inglês. Ou seja, por baixo, foram quase duas décadas sendo a principal competição. Depois, se tornou a segunda, como é hoje. E segue sendo Copa.


Considerar a TB como mãe da CB seria uma "mudança" simples na forma como a CBF unificou os campeonatos, mas permitiria uma recuperação da história da TB como o prestigiado torneio de mata-mata que foi – vencido pelo Bahia em sua primeira edição e depois dominado pelo Santos de Pelé. Não há tanto motivo para unificar além deste: tentar comunicar ao presente e ao futuro algo que foi importante no passado, mas que novos formatos e paradigmas fizeram perder valor. O ideal era nada precisar ser equiparado a nada, sem que se perdesse a noção do tamanho das conquistas passadas; porém, aparentemente, não é o que ocorre.


Portanto, a entidade máxima do futebol brasileiro poderia ter valorizado suas duas Copas (a atual e a TB) e feito uma unificação dos títulos nacionais como um todo. Nada de dois campeões do mesmo campeonato no mesmo ano, como a canetada tornou possível – com a exceção de 1987, por outros motivos, já que ambas torcidas, de Flamengo e Sport, merecem se orgulhar das taças que levantaram, independente do imbróglio. Veja a seguir como ficaria, dentre deste realinhamento, o ranking (com destaques para os clube mais bem-sucedidos em cada categoria) das 14 equipes detentoras de mais de um título nacional do primeiro escalão:


Palmeiras

13 títulos nacionais unificados

8 Brasileiros

(RGP 1967, 1969; BR 1972, 1973, 1993, 1994, 2016, 2018)

5 Copas do Brasil

(TB 1960, 1967; CB 1998, 2012, 2015)


Corinthians

10 títulos nacionais unificados

7 Brasileiros

(BR 1990, 1998, 1999, 2005, 2011, 2015, 2017)

3 Copas do Brasil

(CB 1995, 2002, 2009)


Cruzeiro

10 títulos nacionais unificados

3 Brasileiros

(BR 2003, 2013, 2014)

7 Copas do Brasil

(TB 1966; CB 1993, 1996, 2000, 2003, 2017, 2018)


Santos

9 títulos nacionais unificados

3 Brasileiros

(RGP 1968; BR 2002, 2004)

6 Copas do Brasil

(TB 1961, 1962, 1963, 1964, 1965; CB 2010)


Luis Álvaro Ribeiro, então presidente do Santos, e Salvador Hugo Palaia, então presidente interino do Palmeiras, posam com as taças recebidas em 2010: se a imagem é anacrônica, o reconhecimento é merecido; mas talvez pudesse ter sido feito de forma diferente. (Divulgação/CBF)

Flamengo

9 títulos nacionais unificados

6 Brasileiros

(BR 1980, 1982, 1983, 1987*, 1992, 2009)

3 Copas do Brasil

(CB 1990, 2006, 2013)


Grêmio

7 títulos nacionais unificados

2 Brasileiros

(BR 1981, 1996)

5 Copas do Brasil

(CB 1989, 1994, 1997, 2001, 2016)


São Paulo

6 títulos nacionais unificados

6 Brasileiros

(BR 1977, 1986, 1991, 2006, 2007, 2008)


Vasco

5 títulos nacionais unificados

4 Brasileiros

(BR 1974, 1989, 1997, 2000)

1 Copa do Brasil

(CB 2011)


Fluminense

5 títulos nacionais unificados

4 Brasileiros

(RGP 1970; BR 1984, 2010, 2012)

1 Copa do Brasil

(CB 2007)


Internacional

4 títulos nacionais unificados

3 Brasileiros

(BR 1975, 1976, 1979)

1 Copa do Brasil

(CB 1992)


Bahia

2 títulos nacionais unificados

1 Brasileiro

(BR 1988)

1 Copa do Brasil

(TB 1959)


Botafogo

2 títulos nacionais unificados

1 Brasileiro

(BR 1995)

1 Copa do Brasil

(TB 1968)


Sport

2 títulos nacionais unificados

1 Brasileiro

(BR 1987*)

1 Copa do Brasil

(CB 2008)


Atlético/MG

2 títulos nacionais unificados

1 Brasileiro

(BR 1971)

1 Copa do Brasil

(CB 2014)


O leitor mais atento poderia nos cobrar a inclusão da Copa dos Campeões Estaduais de 1937 na lista, competição vencida pelo Atlético/MG. Pode muito bem se dizer que ela foi uma espécie de embrião de todos os campeonatos nacionais, embora não tenha tido continuidade e envolvesse apenas a região Sudeste. O próprio Galo também venceu a Copa dos Campeões da Copa do Brasil em 1978. Este exercício, entretanto, foi apenas uma tentativa de repensar as unificações que já foram feitas pela CBF – nas quais o torneio foi deixado de fora. Isso não diminui em nada, é claro, a conquista do Galo, destacada até mesmo no hino do clube.


O mesmo pode ser dito sobre as Supercopas de Grêmio e Corinthians, em 1990 e 1991, e sobre a Copa dos Campeões, vencida por Palmeiras (2000) e Flamengo (2001). Tal como, unificando ou não, nenhum dos troféus levantados no Brasil entre 1959 e 1970 pode ser contestado em termos de relevância esportiva. Foi um período de ouro no futebol brasileiro, não era fácil ser campeão, e cada clube merece se orgulhar de seus triunfos, assim como seus torcedores. Para sempre.

 

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