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Há 50 anos, Cruzeiro marcou o título do Palmeiras

Em 1969, Raposa bateu Verdão antes de arrancada em que os próprios mineiros "ajudaram".

Os títulos "de fax" reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2010 – que "beneficiaram" principalmente Santos e Palmeiras –, tomaram de tal forma o debate público sobre as competições nacionais da década de 1960 que as histórias daqueles títulos, com as vitórias, derrotas, superações e adversidades que todas as conquistas têm, ficaram ofuscadas. Em especial as quatro edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, entre 1967 e 1970, que carregam o peso de preceder o Campeonato Brasileiro que se conhece atualmente. Os três campeões do Robertão, com o Flu se juntando à dupla paulista, tiveram que passar por etapas similares às de diversas equipes triunfantes na competição que se iniciou em 1971. E no caso do Verdão, mesmo separando as duas Taças Brasil vencidas, o clube segue sendo o maior campeão da história do principal torneio nacional. Os títulos de 1967 e 1969 se somam aos seis da "era moderna", chegando a oito.


Porém, se no ano de estreia do Robertão o Palmeiras foi avassalador – passando o trator nos times adversários com melhor aproveitamento, melhor ataque e menos derrotas –, a conquista de 1969 foi menos dominante. Também, pudera, era época de craques fazendo a diferença em diversas equipes. O Verdão tinha Ademir da Guia, mas o Botafogo tinha Jairzinho, o Corinthians tinha Rivellino, o Atlético/MG tinha Dario... Isso para não falar do Santos de Pelé. Foi no Robertão de 1969 que o Rei fez o milésimo gol, mas o Peixe não passou nem perto de ser campeão. Quem passou perto foi outro timaço, o Cruzeiro de Dirceu Lopes, Palhinha e Tostão. Na verdade, o Palmeiras demorou seis jogos para conseguir a primeira vitória na competição, incluindo três derrotas consecutivas para abrir a campanha. E a terceira veio há exatos 50 anos, em 17 de setembro de 1969, quando o time celeste invadiu o Parque Antártica e, com gol de Tostão, venceu por 1 a 0.


O time que foi da vice-lanterna ao título; em pé: Eurico, Leão, Baldocchi, Dudu e Zeca; agachados: Cardoso, Jaime, César Maluco, Ademir da Guia e Pio. (Reprodução/Placar)

Demorou para ficar claro que aquele início difícil não representava a verdadeira força palmeirense. No entanto, havia tempo. Embora todos os 17 clubes se enfrentassem, a classificação era dividida em dois grupos. Assim, as derrotas iniciais do Verdão foram para equipes que não disputavam as mesmas vagas. Além disso, a tabela era difícil: com exceção do revés para o lanterna Flamengo, tropeços diante de Cruzeiro e Internacional, além do empate com o América/RJ, eram considerados normais. As primeiras vitórias vieram contra Santa Cruz, o próprio Santos de Pelé e os ótimos times de Botafogo e Atlético/MG, antes de uma sequência incrível de cinco triunfos seguidos. Foi César Maluco quem tratou de liderar a artilharia palestrina com maestria, em ano de transição para o time. Enquanto a Primeira Academia de Futebol dava as últimas alegrias à torcida, a Segunda Academia estava em desenvolvimento; com o goleiro Leão, por exemplo.


Ao fim da primeira fase, o Palmeiras se classificou como líder do grupo B, mas com campanha que sequer classificaria no grupo A. Como passavam apenas dois de cada chave, o Internacional ficou de fora com 20 pontos do outro lado, enquanto o Verdão liderava seu grupo com 19 pontos. O início ruim pesou: o time terminou com seis derrotas em 16 jogos, mas em compensação venceu nove das outras dez partidas. Era um time que empatava pouco. Porém, no quadrangular final, a história era diferente. Quatro times, seis jogos, a taça em jogo. O Verdão só teria um jogo como mandante, na rodada final, contra o Botafogo, mas ainda pegaria o Corinthians em campo neutro. O Cruzeiro, algoz da terceira rodada, era o único adversário que o time de Rubens Minelli não tinha vencido na fase de classificação. O jogo seria no Mineirão. O que o Palmeiras precisava era ficar vivo, com chances de título, até poder jogar em casa, no Pacaembu.


A campanha do Verdão no Robertão 1969 teve 19 jogos. Foram 10 vitórias, 3 empates e 6 derrotas, com 28 gols marcados e 21 sofridos. O time-base era: Leão; Eurico, Baldocchi, Nélson, Zeca; Dudu, Ademir; Cardoso, Jaime, César Maluco, Pio. Téc.: Rubens Minelli.

Com a taça no horizonte, a verdade é que nenhum time sobrou. Uma pitada de conservadorismo, aliada ao nível de competitividade das equipes, tornou o quadrangular muito mais emocionante e disputado do que parecia. Cruzeiro e Corinthians, vindos do grupo A, não fizeram valer as melhores campanhas para cima de Palmeiras e Botafogo. Na primeira rodada, só empates, enquanto o Timão venceu apertado o Fogão no segundo jogo. E contra a Raposa, diferente daquele 17 de setembro há 50 anos, o Verdão segurou o empate também: 1 a 1, gols de Palhinha e César Maluco. Assim, quem chegava na última rodada com o título nas mãos era o arquirrival Corinthians, que dependia de si. Uma vitória sobre o Cruzeiro garantia a taça, que também seria possível com um empate. Já para o Palmeiras, era bater o Botafogo no Pacaembu lotado e torcer pela derrota do rival, mas não por um placar elástico, já que os mineiros seguiam vivos. Difícil.


Mas quem disse que havia de ser fácil? Em campo, o time alviverde passeou no primeiro tempo. Antes do Botafogo saber o que acontecia, já estava 3 a 0, dois de Ademir da Guia e um de César Maluco; Ferretti descontou no segundo tempo. Só que, em Belo Horizonte, Cruzeiro e Corinthians empatavam por 1 a 1. A taça estava indo para o Parque São Jorge, com o craque Rivellino fazendo o gol do título para o time de Dino Sani. Faltando pouco mais de 20 minutos para o fim do torneio, o tento decisivo: Dirceu Lopes colocou a Raposa à frente. Tecnicamente, o gol do título do Palmeiras veio dos pés de um cruzeirense. Ironia do destino. Naquele cenário, qualquer gol nos dois jogos poderia alterar o destino da taça. Porém, o grito final veio de um Pacaembu lotado. Verdão campeão no saldo de gols. O vice? Aquele time que fez o campeão iniciar com três derrotas seguidas. Só que os três jogos que mais importavam, como sempre, vieram no fim.

 

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