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Empate é a moeda oficial da nova Copa do Brasil

Números mostram visitantes que, sem precisar vencer, jogam primeira fase no limite.


Nesta quinta-feira (14), chegou ao fim a primeira fase da Copa do Brasil. Desde 2017, o estágio inicial da competição mais democrática no país está de "roupa nova". São 80 clubes disputando 40 jogos; e só. Qualquer que seja o resultado, a classificação se define ali mesmo. Jogo único, 90 minutos, na casa da equipe de menor ranking. Não tem chororô, embora haja casos bem mais complicados na própria edição 2019 do torneio. Mas já são três temporadas vendo clubes grandes e médios sendo eliminados, logo na primeira partida, por agremiações de menor expressão e poder econômico – não que antes não ocorresse, em dois jogos. Em 2017, foi o caso de Ceará, Figueirense e Fortaleza, entre outros. No ano passado o peso foi ainda maior, com a queda do Botafogo, ao lado de Santa Cruz e Atlético/GO. Já os clubes do Pará também sentiram este gosto amargo, mesmo como favoritos. O Paysandu caiu em 2018 e o Remo, desclassificado em 2017, também ficou pelo caminho na última quarta-feira (13).


Por outro lado, São Raimundo e São Francisco (há dois anos) e agora o Bragantino – após vencer o ASA por 1 a 0 neste semana – viveram o inverso. Aproveitaram-se do jogo único para se classificar, quando a situação poderia ser bem mais complicada em 180 minutos, devido ao poderio elevado dos adversários. Isso só para falar dos paraenses. A regra divide opiniões exatamente porque há argumentos fortes para os dois lados. Antes, quando os grandes podiam anular o segundo jogo com um triunfo por dois gols de diferença, havia um estímulo para a vitória, mas caso ela não viesse, mais 90 minutos em casa para resolver. Agora, não há nenhum dos dois: os melhores ranqueados decidem fora de casa, mas podem jogar pelo empate. É justamente este detalhe, o empate, que tem sido tão decisivo nos últimos anos. E em 2019, mais ainda. Abaixo, em levantamento do NesF, uma comparação entre os resultados da nova primeira fase da Copa do Brasil:


2017

13 mandantes vitoriosos e classificados (32,5%)

27 visitantes classificados (67,5%)

Como?

20 vitórias dos visitantes (74,1%)

7 empates (25,9%)


Vágner Love e Gustavo comemoram gol do Corinthians diante do Ferroviário: Timão foi um dos que jogou no limite e sofreu até o fim, pressionado pelos cearenses, que precisavam de apenas um gol para eliminar os paulistas. (Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)

2018

10 mandantes vitoriosos e classificados (25%)

30 visitantes classificados (75%)

Como?

17 vitórias dos visitantes (56,7%)

13 empates (43,3%)


2019

11 mandantes vitoriosos e classificados (27,5%)

29 visitantes classificados (72,5%)

Como?

16 vitórias dos visitantes (55,2%)

13 empates (44,8%)


Após um ano de "adaptação", por assim dizer, nas duas últimas temporadas a primeira fase da Copa do Brasil encontrou sua "identidade". Pouco menos de 30% dos mandantes conseguem a suada vitória, enquanto pouco mais de 70% dos visitantes, em tese favoritos, avançam. A forma como se classificam, entretanto, chama a atenção, em especial a partir de 2018. Se em 2017 mais de 70% dos visitantes passou com vitória, desde então o cenário se modificou radicalmente. Os números de mandantes classificados diminuiu, embora levemente, mas a grande queda foi na taxa de triunfos dos clubes mais bem ranqueados. Pouco menos de 45% dos classificados passam por conta da vantagem do empate. Além disso, neste ano, 8 dos 11 mandantes que avançaram venceram por apenas um gol de diferença. Dos 10 de 2018, foram 6. Sintomas de visitantes que jogam no limite: em busca do empate, muitos o conseguem; alguns ficam pelo caminho.


Rodada-bônus


Como curiosidade, já que este levantamento não fez distinção entre o suposto "tamanho" dos clubes visitantes na primeira fase da Copa do Brasil, o NesF também traz o desempenho do Pote A – ou seja, os clubes do topo do ranking – na fase inicial das duas últimas edições do torneio (em 2017, quase todos passaram com vitória, com excecão do Coritiba, que empatou, e do eliminado Figueirense). De certa forma, muitos dos mesmos rastros estatísticos aparecem, como os empates. Mas, neste ano, as derrotas triplicaram. Veja:


2018

4 vitórias (São Paulo, Fluminense, Sport e Vitória)

5 empates (Atlético/MG, Atlético/PR, Internacional, Ponte Preta e Coritiba)

1 derrota (Botafogo)


2019

3 vitórias (Santos, Botafogo e Fluminense)

4 empates (Corinthians, Chapecoense, Vasco e Bahia)

3 derrotas (Sport, Vitória e Ponte Preta)


 

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