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Futebol na avenida

O melhor Carnaval: como seria um desfile com as figuras marcantes da bola no Brasil.


Alegria nas pernas. A ginga que durante o ano vira drible pelos gramados do Brasil, até esta quarta-feira (6) evolui sambando pela avenida país afora. Como sonhar não custa nada, o Grêmio Recreativo Escola de Samba NesF reúne boleiros de muitos carnavais num desfile de placa.


Olha quem vem na comissão de frente! Gilmar e Taffarel dão voos rasantes enquanto, de dentro de uma bola, sai o Barbosa. Um reconhecimento para o goleiro tão castigado pelo Maracanazo. "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", evoca o arqueiro vascaíno, livrando-se do peso do gol de Ghiggia.


No abre-alas, Nilton Santos ocupa a canhota fantasiado de enciclopédia. Carlos Alberto Torres vem no pique pela direita da alegoria. Até ser parado pelo repórter Léo Aquino, que o questiona sobre um problema com o carro na entrada do sambódromo. "Vai te foder! Que pergunta é essa, porra? Vai tomar no cu!", responde com fidalguia o capita.


De capitão para capitão. Bellini comanda e bota para cima a ala Jules Rimet. Que beleza a ala divino mestre! Domingos e Ademir da Guia, pai e filho sambando juntos no tempo da marcação. De olho no relógio: quase meia hora de desfile. E ainda tem muita escola para entrar.


Aí vem o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Quem empunha o pavilhão da escola com garra é a Formiga, acompanhada pela elegância do Falcão, o rei de Roma. "A minha alegria atravessou o mar", lembra o volante. Quero ver alguém passar por esse bailado de efes na cabeça de área...


Ué, cadê a bateria? "A regra é clara, amados! Sem bateria, não tem carnaval", explica o comentarista Milton Cunha. Bum bum paticumbum prugurundum. Taí o que você queria, Milton. A bateria-show do mestre Telê vem que vem. Doutor Sócrates marca no surdo e o Galinho quebra tudo no tamborim.


Em 2016, a Grande Rio homenageou a cidade de Santos e, é claro, o Rei Pelé e diversas gerações de Meninos da Vila: melhor que isso, só o desfile de craques do NesF. (Divulgação/Riotur)

Nas arquibancadas, a massa rubro-negra faz festa para Zico. E canta empolgada feito comemoração de gol. "Balança, sacode, estremeeeece o sambódromo", exalta o repórter Márcio Canuto no meio da galera.


No chão, não tem para ninguém: Garrincha sobra como passista. As pernas tortas se trançam, pela ponta-direita da avenida, no ritmo do samba de enredo. E Elza Soares acompanha de camarote: "Viva Mané"! Na ponta-esquerda, Rivellino evolui com seu indefectível bigode rodando o pandeiro no dedo pra lá e pra cá.


O carro alegórico da realeza é de cair o queixo. Rei e rainha lado a lado, cada um com sua coroa. "Ô-lê-lê, ô-lá-lá, pega no ganzê, pega no ganzá". Tem festa para um rei negro chamado Pelé. "Oguntê, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Inaê, Janaína, Iemanjá. São Rainhas do Mar". E entre as rainhas do mar, tem Marta. No quesito camisa 10, é nota deeeez!


Mais um carnaval chegando ao fim. O relógio marca 1 hora e 5 minutos. Lá vem a última ala, da artilharia nacional. Se somar tudo, é gol que não acaba mais. Tem o diamante negro Leônidas da Silva, o furacão Jairzinho, o baixinho Romário e o fenômeno Ronaldo. Quer mais? Pretinha e Cristiane também desfilam na ala.


Fechou o portão! Dentro do tempo. Sem prorrogação, com animação. “Um arraso!”, comenta Milton Cunha. E agora, no arrastão, a passarela do samba recebe os boleiros anônimos que, de segunda a sexta, trabalham como garis, estivadores, eletricistas, professores e burocratas.


Na dispersão, o repórter pergunta sobre o sentimento que fica. A escola, em coro, responde: "Explode coração na maior felicidade"! Será que vale Estandarte de Ouro e título? O apresentador Alex Escobar alega não ser capaz de opinar. "Cagão!", diz um comentário anônimo vindo do Rio Grande do Sul...


 

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