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Há 20 anos, Palmeiras conquistava a América do Sul

Em 16 de junho de 1999, Zapata perdeu pênalti e time de Felipão coroou campanha histórica.


Na última quinta-feira (13), o Palmeiras recebeu em seu estádio os eternos ídolos campeões continentais com a camisa alviverde. Foi uma festa bonita e merecida, antes da partida contra o Avaí, pelo Campeonato Brasileiro da Série A. O Verdão venceu, como tem sido praxe, e segue líder absoluto na parada para a Copa América. É a única equipe invicta nas três principais divisões nacionais. Relembrar o passado não precisa significar um resgate, motivado por um presente escasso de glórias, como ocorre em diversos clubes brasileiros. O Palmeiras viveu tempos difíceis na década passada, mas hoje é um time dominante no país. O sucesso atual torna até mais forte a homenagem feita às conquistas de outrora. Foram elas, afinal, que moldaram o caminho – tenha ele se mantido bem-sucedido ou não. A equipe palmeirense de 2019 deve muito à de 2018, que deve à de 2016 e assim por diante, até chegar em 1999. Time que, aliás, está muito ligado ao ano anterior.


Em 1996, o Palmeiras foi vice-campeão da Copa do Brasil em pleno Parque Antártica, ao deixar o Cruzeiro virar no finalzinho. Doeu. E o clube chegou em 1998, mesmo com todo o investimento da Parmalat, sem levantar uma taça nacional há quatro anos. Pois foram logo duas. O timaço montado por Luiz Felipe Scolari (coincidência ou não) deu o troco duplicado no rival palestrino mineiro: com gol de Oséas na reta final, levou a Copa do Brasil de virada, no primeiro semestre, após já ter eliminado Botafogo e Santos, entre outros. No segundo semestre, veio a Copa Mercosul. Seis jogos e seis vitórias na fase de grupos, Boca Juniors e Olimpia ficaram para trás no mata-mata e de novo o Verdão tinha o Cruzeiro pela frente na final. Três jogos, duas vitórias e o primeiro título continental do clube. Parece muito, mas era só o começo. Menos de seis meses depois, em 14 de junho de 1999 e há exatos 20 anos, Zapata chutou para fora. E a América era verde.


A concentração e a fé dos jogadores alviverdes: disputas de pênalti foram cruciais para que o Verdão conquistasse a Libertadores. (Divulgação/SE Palmeiras)

É importante contextualizar a caminhada desde 1998, já que foi ali que o esquadrão palmeirense se reencontrou com os títulos e as campanhas históricas, que voltariam a ser costume pelos anos seguintes. Em 2000, não houve ressaca de Libertadores: o time levou a Copa dos Campeões e o Rio-São Paulo, além de chegar em duas finais continentais, na Mercosul e na própria Libertadores. De certa forma, o ano de 1999 foi o mais "escasso" do período, com "apenas" um título. Mas que título foi. E o Verdão ainda jogou também a final da Mercosul – sim, foram três seguidas entre 1998 e 2000. Em 1999, todos sabiam: o Palmeiras queria a Libertadores. Era verdadeira obsessão. Foi o ano em que Paulo Nunes popularizou a expressão "Paulistinha" para se referir ao estadual de São Paulo, após o título do Corinthians no famoso jogo das embaixadinhas de Edílson. Na Libertadores, os dois times ainda estavam no mesmo grupo; uma vitória para cada lado.


Era o grupo da morte. E o segundo dérbi paulista foi marcante na campanha. O Palmeiras perdeu, sim, porém um jovem goleiro Marcos assumia a titularidade, por lesão de Velloso. Ninguém sabia, mas naquele momento se desenhava a eliminação corintiana, nas quartas de final. Depois de bater o campeão Vasco, nas oitavas, o Verdão encarou o arquirrival novamente. Dos 14 jogos naquela Copa Libertadores, quatro foram contra o Timão. E por uma vaga na semifinal, para enfrentar o River Plate, novamente uma vitória para cada. Pênaltis. Só uma cobrança foi defendida: a de Vampeta, por Marcos. Para muitos palmeirenses, a sensação de eliminar o Corinthians nas quartas de final, rumo ao título, é ainda mais forte e valorizada do que tudo o que veio a seguir. E foi o início do caminho de um garoto à santidade. Marcos faria, na semifinal do ano seguinte, diante de Marcelinho Carioca e no pênalti decisivo, o mesmo que fez com Vampeta em 1999.


A campanha do Verdão na Libertadores 1999 teve 14 jogos. Foram 7 vitórias, 2 empates e 5 derrotas, com 24 gols marcados e 18 sofridos. O time-base era: Marcos; Arce, Roque Júnior, Júnior Baiano, Júnior; César Sampaio, Rogério, Zinho, Alex (Euller); Paulo Nunes, Oséas. Téc.: Luiz Felipe Scolari.

Até aquele momento, na Libertadores, o Verdão tinha passado por adversidades, mas nunca saído atrás em um confronto de 180 minutos. Foi o que aconteceu diante do River: 1 a 0. E ao mesmo tempo, ocorria na Copa do Brasil, contra o Flamengo: 2 a 1. Menos de uma semana antes do jogo de volta valendo vaga na final continental, o Palmeiras recebeu o rival carioca. Aos quinze minutos do segundo tempo, perdia de novo por 2 a 1. E mesmo o empate, logo depois, apenas significava que ainda faltavam dois gols. Aos 40', torcedores já haviam deixado o Parque Antártica. Aos 41', Euller vira. Aos 44', Euller classifica. O estádio enlouquece, enquanto o Flamengo ainda tentava um gol salvador. O Palmeiras foi à semifinal de forma heroica. Cairia diante do Botafogo, nos pênaltis. A lição, porém, fora aprendida. E colocada em prática contra os argentinos: 3 a 0, virada com sobras. Alviverde finalista da Libertadores pela terceira vez, a primeira desde 1968.


A final, contra o Deportivo Cali, foi uma amálgama dos duelos diante de Corinthians e River Plate. Derrota na ida, vitória na volta, pênaltis. Os jogadores do Deportivo Cali comemoraram. Faltou combinar com... eles mesmos. Desta vez, Marcos sequer foi herói. Zinho perdeu, os colombianos saíram na frente, mas Bedoya e Zapata erraram as duas últimas cobranças. Os mesmos pênaltis que haviam tirado o Verdão da Copa do Brasil, menos de uma semana antes, agora davam à equipe o ponto mais alto de sua história. Pela terceira vez seguida, após Cruzeiro e Vasco, um time brasileiro conquistava a Libertadores. Pela segunda vez em sua carreira, Felipão levantava aquele imponente troféu. E pela primeira vez, o Palmeiras tinha o gosto de sair por cima na principal competição da América do Sul. E quanto melhor o gosto da vitória, mais se quer experimentá-lo novamente. O clube segue tentando, embalado pelas memórias daquele 16 de junho, há exatos 20 anos.

 

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