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Importa mesmo dominar a primeira fase da Série C?

Papão mostrou há cinco anos, como outros já fizeram, que oscilar faz parte do caminho.


Na última rodada, pelo Campeonato Brasileiro da Série C, o Paysandu foi derrotado na Curuzu pelo Juventude, por 1 a 0. Mais cedo, o rival Remo havia batido o Luverdense, fora de casa, pelo mesmo placar. A distância entre os dois era só de um ponto após a terceira jornada, mas parecia muito mais. O Fenômeno Azul vivia lua de mel com o Leão, enquanto a Avalanche Bicolor contestava o Papão com veemência, pelo que entende ser um desempenho insatisfatório. Este é o cenário que se apresenta para o início da quarta rodada, em que o Paysandu encara neste domingo (19) o líder Volta Redonda, fora de casa. O Remo joga em casa, abraçado pelo torcedor, nesta segunda-feira (20), ante o Ypiranga/RS. É claro que a diferença de clima entre a dupla tem muito a ver com o mosaico mais amplo recente: o Papão vem de um rebaixamento e uma quarta colocação no estadual, enquanto o Leão protagonizou um heroico fim de 2018 e é bicampeão paraense.


A verdade é que, pela primeira vez em muito tempo, os rivais parecem estar em pé de igualdade competitiva. Não apenas um com o outro, em confrontos diretos – até porque nestes sempre há nivelamento –, mas também no cenário geral. Paysandu e Remo não frequentavam a mesma divisão desde 2008, com bicolores oscilando entre as Séries B e C enquanto azulinos passavam por calvário na Série D e, em três oportunidades, na ausência de calendário nacional. Quando retornou enfim à Terceirona, em 2016, o Leão seguiu vendo o rival de longe, já que o Papão vivia sua maior continuidade na Segundona desde a virada do milênio. Não é mais o caso. Talvez a irritação seja normal, mas é preciso lembrar que o Paysandu já chegou a passar sete jogos sem vencer na Série C e ainda levar a última vaga ao mata-mata. A sequência negativa teve início em 19 de maio de 2014, há exatos cinco anos, após derrota para o Salgueiro por 2 a 1.


Paysandu e Macaé fizeram a final da Série C em 2014: os dois haviam terminado a primeira fase na quarta posição em seus grupos. (Tiago Ferreira/Macaé EFC)

Não é como se aquele time fosse especial. Ou melhor, até foi, deixando boas memórias. Pablo, Bruno Veiga, Lima, Djalma, Yago Pikachu... A equipe representou muito bem as cores bicolores no ano do centenário, chegando na final de quase todos os torneios disputados, exceção única à Copa do Brasil. Não teve título, mas teve acesso. O retorno à Segunda Divisão foi imediato, após a queda de 2013. O destaque aqui é a maneira como aquele time conseguiu a vaga; essa sim, absolutamente costumeira na Terceirona. Desde que o formato atual foi estabelecido, em 2012 – com a divisão em dois grupos de dez equipes –, os times que foram ao mata-mata em quarto conquistaram o acesso mais vezes que os campeões de grupo. O próprio Paysandu não passou pela experiência apenas em 2014, mas também em 2012. Após sete edições, oito dos 14 times que encerraram a primeira fase na quarta posição foram à Série B, contra apenas seis dos 14 líderes.


É importante não confundir a disparidade apontada, completamente objetiva, com qualquer defesa à mediocridade. Certamente os clubes paraenses, como todos os outros, devem buscar desempenho e resultado no melhor nível possível desde a fase de grupos. O que o Paysandu de 2014 mostra, tanto quanto outros exemplos na história recente da Série C, é que a oscilação também pode fazer parte de uma campanha bem-sucedida. Isso para falar apenas de uma equipe que ficou na quarta posição. O Fortaleza, por exemplo, hoje time de Série A, teve quatro anos de excelente aproveitamento na primeira fase, batendo na trave. Só subiu, finalmente, em 2017, quando foi terceiro em seu grupo. Pontuações muito altas certamente são o objetivo de todos, precisam ser, mas não garantem nada. Em 2014, o Papão abriu o campeonato com duas vitórias e um empate, apenas para depois perder quatro e empatar três. Nas últimas oito rodadas, cinco triunfos.


Indo além do acesso e falando em título, apenas uma vez no formato atual da Série C um líder de grupo foi campeão: o Santa Cruz, em 2013. Vice-líderes conquistaram o caneco três vezes (Operário/PR, CSA e Boa Esporte, nas últimas três edições), enquanto Macaé (2014) e Oeste (2012) ficaram na quarta posição e venceram o torneio no mata-mata. O único terceiro colocado que conseguiu foi o Vila Nova, em 2015.

É claro que foi uma arrancada para chegar ao mata-mata. Naquele ano, o técnico Mazola Júnior comandava a equipe no início da Série C, inclusive na partida diante do Salgueiro, há exatos cinco anos, que marcou a primeira derrota no campeonato e abriu sequência de seis jogos sem vitória por todas as competições, culminando na perda do título paraense para o Remo. Por questões pessoais, o treinador deixou o clube, que continuou a piorar até que ele retornasse, menos de dois meses depois. Sem Mazola, o Paysandu não venceu nenhum jogo, mas com ele, subiu de divisão. Isso, além do estilo fanfarrão do treinador, o fez cair nas graças da torcida. A esperança bicolor é que 2019 possa emular 2014, em especial no quesito "bate-e-volta" entre as divisões. Não será fácil e tropeços são normais. O que importa é estar no G4 – ou, dependendo da ambição, estar fora do Z2 – ao fim da 18ª rodada. Isso não vale apenas para o Papão, mas para todos.


Paysandu (duas vezes), Oeste, Sampaio Corrêa, Macaé, Brasil/RS, Juventude e Bragantino subiram à Série B após ficarem na quarta posição. Icasa, Chapecoense, Vila Nova, Tupi, Fortaleza e Cuiabá, terceiros colocados, fizeram o mesmo. São todos exemplos intrínsecos ao formato atual da Terceira Divisão. O que o Papão fez em 2014 não foi um feito inédito e histórico, mas uma rota totalmente viável de ser reproduzida. A fase de grupos da Série C funciona para separar o joio do trigo; precisa ser encarada desta maneira. O próprio Remo, após um início difícil e ameaçado pelo rebaixamento em 2018, chegou a sonhar com classificação. Da mesma forma, em 2016, foi uma má fase no fim que tirou o Leão do mata-mata. Acima de tudo, os padrões demonstram que entre os altos e baixos inevitáveis durante a competição, o mais importante é chegar ajustado na reta final. Normalmente, para isso, é necessário errar e aprender. As lições estão no caminho.

 

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