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Números não mostram Neymar-dependência na Seleção

Craque pode fazer diferença no desempenho, mas com ou sem ele, aproveitamento é similar.


A data FIFA deste fim de março colocou dúvidas no andamento da preparação brasileira para a Copa América. Com menos de dois meses para a convocação decisiva, em 17 de maio, e menos de três meses para a estreia diante da Bolívia, em 14 de junho, no Morumbi, a equipe de Tite mostrou sérios problemas de desempenho. Contra o Panamá, no último sábado (23), um time modificado, em especial no sistema defensivo, viveu maus bocados e apenas empatou por 1 a 1 diante de um adversário que vinha de 9 derrotas em 10 jogos – e não vence desde abril de 2018. Pouco depois, na última terça-feira (26), vitória sobre o time misto da República Tcheca de virada, 3 a 1. Dois gols nos últimos 7 minutos salvaram a seleção, que teve cerca de 25 minutos de bom futebol no jogo. A etapa inicial, principalmente, foi um desastre. Uma das piores performances recentes do Brasil. Isso, é claro, trouxe à tona a grande ausência atual do time: Neymar.


Em 23 de janeiro, o craque do PSG fez ótima partida pela Copa da França, contra o Strasbourg, e classificou seu time para as oitavas de final. No entanto, foi substituído pouco antes da metade do segundo tempo, após lesionar novamente o famigerado quinto metatarso do pé direito, o mesmo que quase o tirou da Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Desde então, o time de Neymar seguiu em frente sem ele, com Di María fazendo grande temporada. O PSG caminha a passos largos para o título francês, está nas semifinais da Copa da França e falhou apenas na Liga dos Campeões – onde tem falhado nos últimos anos, mesmo com Neymar. Isso não significa que um craque deste calibre não faça diferença. Porém, assim como o time francês tem um padrão de jogo muito bem formatado pelo técnico Thomas Tuchel e consegue manter o nível sem Neymar, explicar os problemas da seleção de Tite apenas pela ausência do craque seria uma muleta.


Não só estar sem Neymar não é "licença" para jogar mal e perder, como os números não corroboram com qualquer ideia de dependência. Sim, o melhor jogador do Brasil obviamente faz falta para a seleção, mas a equipe consegue vencer sem ele. As dificuldades de desempenho e resultado têm a ver com questões muito mais profundas, em especial no período pós-Copa, em que o Brasil, com ou sem Neymar, ainda não encantou. Durante a era Tite, a seleção jogou sem o craque – de titular ou, em uma ocasião, saindo do banco – em 23,5% das partidas. E o aproveitamento é muito similar. Foram 8 jogos bastante heterogêneos, com adversários que vão desde a Venezuela (pelas eliminatórias), até amistosos contra Argentina e Alemanha. Sem Neymar, os triunfos também ocorrem em proporção parecida. Não há, nos números, relação entre ausência do craque e má fase da seleção. Veja abaixo o levantamento feito pelo NesF:


A era Tite (desde set-2016)

34 jogos

17 amistosos + 12 nas eliminatórias + 5 na Copa de 2018

27 vitórias

5 empates

2 derrotas

84,3% de aproveitamento

71 gols pró

10 gols contra


Neymar nas Olimpíadas de 2016: título do sub-23 veio com Rogério Micale logo após a demissão de Dunga, enquanto a seleção principal busca o próximo caneco desde a Copa das Confederações de 2013. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Com Neymar

26 jogos

10 amistosos + 11 nas eliminatórias + 5 na Copa de 2018

21 vitórias

4 empates

1 derrota

85,9% de aproveitamento

56 gols pró

7 gols contra


Sem Neymar

8 jogos

7 amistosos + 1 nas eliminatórias

6 vitórias

1 empate

1 derrota

79,2% de aproveitamento

15 gols pró

3 gols contra


Além de Venezuela, Argentina e Alemanha, os jogos do time de Tite sem Neymar foram contra Colômbia (no jogo da amizade, após o acidente de avião da Chapecoense), Austrália e Rússia, somados aos dois recentes, diante de Panamá e República Tcheca. Na preparação para a Copa de 2018, quando voltava de lesão, Neymar entrou no segundo tempo contra a Croácia (e fez até gol). É uma relação extremamente simbiótica, como não poderia deixar de ser, entre o maior craque de um país e a seleção que representa tal nação. E Neymar é, em muitos momentos, um farol para guiar o Brasil a grandes apresentações. Até poderia ser mais do que já é, mas certamente desempenha este papel. No entanto, em termos de resultado e números, Neymar não desequilibra o Brasil tanto assim. Os bons momentos de um são os bons momentos do outro, assim como os maus. Por enquanto, sem entrar em campo, não há redenção. Na Copa América sim, ela pode vir.


 

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