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Na Liberta, aprender com tropeços pode levar à taça

Os números: entre brasileiros campeões, só o Galo começou campanha com três vitórias.


Foi um meio de semana de altos e baixos para o futebol brasileiro na Libertadores. Bom, talvez mais baixos que altos. Na terça-feira (2), o Palmeiras foi batido pelos argentinos do San Lorenzo, fora de casa, por 1 a 0. E na mesma noite, o Athletico viveu um dos grandes jogos de sua história, ao bater o Boca Juniors com autoridade, em Curitiba, pelo placar de 3 a 0. Na quarta (3) foi a vez, principalmente, de Flamengo e Atlético/MG terem seus momentos de emoções distintas. O rubro-negro caiu para o Peñarol no Maracanã lotado (1 a 0), enquanto o Galo usou a força do Mineirão e virou diante do Zamora, vencendo por 3 a 2 quando, no intervalo, perdia de 2 a 0. Já nesta quinta (4), o Grêmio jogou mal em Santiago e perdeu (1 a 0) para a Universidad Católica; é o brasileiro em condição mais complicada. Todos, entretanto, ainda estão vivos após três jogos. Para ser campeão, por incrível que pareça, é um passo importante.


A imprensa costuma cobrar grande nível dos brasileiros na Libertadores, o que é compreensível – quem disputa competições de régua alta, tem que se mostrar à altura. Há, no entanto, tendência ao exagero. Derrotas podem se tornar crises desproporcionais e certos triunfos são supervalorizados, principalmente no início das campanhas. Às vezes nem é preciso mais do que um único jogo para que fracassos e sucessos sejam diagnosticados. Isso se contesta, de forma simples, com perspectiva. Representantes do Brasil conquistaram a Libertadores 18 vezes. Apenas seis (33,3%) já começaram com vitória. Foram sete estreias com empate (38,9%) e cinco com derrota (27,8%). Agora, após três partidas das equipes brasileiras na edição 2019 – o Internacional empatou com o River Plate (2 a 2) e o Cruzeiro venceu o Emelec (1 a 0) – quase todas elas podem afirmar que fazem campanha de título. É o que mostram os números históricos. Apenas a campanha atual do Atlético/MG nunca rendeu taça.


Aliás, foi o Atlético/MG de 2013 o único brasileiro da história a ser campeão após iniciar uma Libertadores com três vitórias. E o que não sofreu no início, convenhamos, compensou no fim. Simplesmente não há título de Libertadores sem sofrimento, revés, dificuldade. E muitos passam por isso no começo, se encontrando depois. O São Paulo bicampeão consecutivo em 1992 e 1993 abriu as duas campanhas com derrota. E o Cruzeiro, hoje 100%, tinha 0% de aproveitamento após três jogos em 1997: campeão. Nem Palmeiras e Flamengo, que sofreram as primeiras derrotas, nem Atlético/MG e Grêmio, os de menor pontuação até aqui, podem ser descartados. Pelo menos não ainda. Campanhas de superação como de Vasco em 1998 e Santos em 2011 servem de motivação. Veja abaixo o levantamento do NesF com os três primeiros jogos dos brasileiros campeões e a comparação com as campanhas de 2019, até aqui:


Três vitórias

Atlético/MG (2013)

Em 2019: Cruzeiro


Marcelo Cirino e o artilheiro Marco Rúben comemoram a vitória do Athletico: time estreou com derrota e já teve boa recuperação na Libertadores. (Divulgação/CAP)

Duas vitórias e um empate

Santos (1962, 1963)

Cruzeiro (1976)

Grêmio (1983)

Internacional (2006)

Grêmio (2017)

Em 2019: Internacional


Duas vitórias e uma derrota

Palmeiras (1999)

Em 2019: Palmeiras, Athletico e Flamengo


Dois empates e uma vitória

Flamengo (1981)

São Paulo (2005)

Internacional (2010)

Corinthians (2012)


Uma vitória, um empate e uma derrota

São Paulo (1992, 1993)

Grêmio (1995)


Dois empates e uma derrota

Santos (2011)


Duas derrotas e uma vitória

Em 2019: Atlético/MG


Duas derrotas e um empate

Vasco (1998)

Em 2019: Grêmio


Três derrotas

Cruzeiro (1997)


Nem o Santos de Pelé ganhou a Libertadores com três vitórias nos primeiros três jogos – inclusive em 1963, ano em que o esquadrão entrou já nas semifinais. Grandes times como Cruzeiro de 1997, Vasco de 1998 e o próprio Santos de 2011 sequer possuíam um triunfo após três partidas. Depois, fizeram campanhas magníficas. O Flamengo de 1981 empatou cinco de seus primeiros sete jogos. Questionar o grande São Paulo de 1992 é impensável hoje, mas a estreia foi com derrota de 3 a 0 para o Criciúma. No ano seguinte, entrando direto nas oitavas de final, o time campeão também foi batido pelo Newell's Old Boys na partida de ida, por 2 a 0. Na volta, enfiou quatro. E os exemplos se acumulam. É mais do que normal ver uma equipe campeã "acontecendo" durante o torneio. Os reveses fazem parte do caminho e podem até ajudar a moldar um time vitorioso. Mas é preciso, claro, saber usá-los. E quem está mal tem que acordar. Imediatamente.


 

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