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Nesta era da Série A, Grêmio é um destaque sem taça

Segundo maior pontuador nas 13 edições, números mostram clube forte, mas título não vem.


O Campeonato Brasileiro de 2019 chegou. Neste fim de semana, começam as principais disputas da temporada no futebol nacional. A Série B já tem início logo mais, nesta sexta (26). No sábado (27), a Terceirona e a elite também iniciam os trabalhos. No caso da Série A, será o 14º campeonato no formato atual, vigente desde 2006. A disputa em pontos corridos, embora tenha estreado em 2003, passou por período de transição que já vinha desde 2001. Naquele ano, a Primeira Divisão era integrada por 28 clubes, que jogavam entre si em turno único, com os oito melhores passando para uma fase de mata-mata que decidiria o campeão. O mesmo ocorreu em 2002, mas com duas equipes a menos; 26. Foram quatro rebaixados e apenas dois promovidos por mais alguns anos, tanto com mata-mata quanto com pontos corridos, até que se chegasse ao formato atual: 20 clubes, todos contra todos em ida e volta e o maior pontuador ficando com o título.


O ano de 2006 marca, inevitavelmente, o ponto de virada da era atual vivida pela elite do futebol brasileiro. Se recentemente o colega Rodrigo Capelo separou apenas Corinthians, Flamengo, São Paulo e Palmeiras como os atuais times grandes do país, talvez seja por uma visão diferente do que destaca o período recente do esporte no Brasil. Títulos e grandes campanhas continentais, mundiais e até estaduais são de muita relevância para o tamanho dos clubes, assim como as copas nacionais, mas o que define a realidade do futebol de um país é a sua liga. O Grêmio, por exemplo, que Capelo coloca como "time que se reveza no grupo dos grandes" com outros, como Cruzeiro, Atlético/MG e Internacional, tem um papel de extrema grandeza e importância na era atual da Série A – mesmo que não seja campeão brasileiro desde 1996. Isso, é claro, para não falar de outras conquistas de expressão do tricolor gaúcho, como a Libertadores de 2017.


Porém, a intenção aqui é destacar o papel da era atual do Campeonato Brasileiro. E nela, o Grêmio é um dos clubes de desempenho mais regular, ainda que não tenha levantado a taça. A equipe fez menos de 50 pontos uma única vez, em 2011. E em ambas as categorias, só fica atrás do São Paulo, que abriu o novo formato, a partir de 2006, com três títulos consecutivos. O tricolor paulista é o único que nunca conquistou menos de 50 pontos na era atual da Série A. Por outro lado, nos últimos sete anos, o São Paulo pontuou mais que o rival gaúcho apenas uma vez, em 2014. Da mesma forma, o Palmeiras, por exemplo, extremamente competitivo nos últimos anos, mal entra no top 10 dos maiores pontuadores, devido à fase muito fraca no início da década. Não é porque o presente é saudável e o futuro promissor que o passado não existiu. A lista também mostra a ascensão do Athletico/PR e as quedas de Botafogo e Vasco. Veja o levantamento do NesF:


Ranking da Série A 2006-2018

1. São Paulo – 822 pontos em 13 participações (3 títulos)

2. Grêmio – 809 pontos em 13 participações 3. Cruzeiro – 778 pontos em 13 participações (2 títulos)

4. Flamengo – 744 pontos em 13 participações (1 título)

5. Santos – 734 pontos em 13 participações

6. Corinthians – 716 pontos em 12 participações (3 títulos)

7. Fluminense – 704 pontos em 13 participações (2 títulos)

8. Internacional – 701 pontos em 12 participações

9. Atlético/MG – 684 pontos em 12 participações

10. Palmeiras – 679 pontos em 12 participações (2 títulos)


Pedro Geromal é um dos pilares do Grêmio nos últimos anos: falta um título brasileiro, mas o clube sabe ser competitivo como poucos na Série A. (Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

11. Botafogo – 634 pontos em 12 participações

12. Athletico/PR – 630 pontos em 12 participações

13. Vasco – 513 pontos em 10 participações

14. Coritiba – 431 pontos em 9 participações

15. Sport – 417 pontos em 9 participações

16. Goiás – 385 pontos em 8 participações

17. Figueirense – 369 pontos em 8 participações

18. Vitória – 364 pontos em 8 participações

19. Bahia – 276 pontos em 6 participações

20. Ponte Preta – 267 pontos em 6 participações

21. Chapecoense – 240 pontos em 5 participações

22. Avaí – 216 pontos em 5 participações

23. Náutico – 200 pontos em 5 participações

24. Atlético/GO – 156 pontos em 4 participações

25. Ceará – 130 pontos em 3 participações

26. Portuguesa – 127 pontos em 3 participações

27. Paraná – 124 pontos em 3 participações

28. América/MG – 108 pontos em 3 participações

29. Juventude – 88 pontos em 2 participações

30. Criciúma – 78 pontos em 2 participações

31. Grêmio Barueri/Prudente – 77 pontos em 2 participações

32. Santa Cruz – 56 pontos em 2 participações

33. Santo André – 41 pontos em 1 participação

34. Fortaleza – 38 pontos em 1 participação

35. Guarani – 37 pontos em 1 participação

36. São Caetano – 36 pontos em 1 participação

37. Ipatinga – 35 pontos em 1 participação

38. Joinville – 31 pontos em 1 participação

39. América/RN – 17 pontos em 1 participação

40. CSA – estreante no formato (não jogava a Série A desde 1986)

*integrantes de 2019


A 14ª edição da Série A na era atual está prestes a começar. Assim como se destacam equipes que tiveram pico curto e queda muito acentuada, como Portuguesa, Grêmio Prudente, Santo André e Ipatinga – todos sem divisão em 2019 –, a avaliação no topo é eloquente. Qualquer reordenação de grandezas no futebol brasileiro, se for necessária, precisa passar pelos números dos 13 Brasileiros disputados com o formato atual. Mesmo assim, outras questões entram em jogo, mas minimizar a liga nacional é, no mínimo, míope. O Santos, no top 5 dos pontuadores, e o Fluminense, com dois títulos, são "times que não são mais grandes" para Capelo – ambos até com campanhas continentais de destaque. O Corinthians, na lista dos gigantes, passou 23 anos sem título e não deixou de sê-lo. Há quedas e ascensões recentes, como já ocorreu antes. Porém, definir tamanho em termos frios e com memória curta faz pouco sentido. Ignorar os últimos 13 anos do Grêmio também.


 

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