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O curto e memorável ápice do Esporte Clube Poções

Nordestão chega e blog recorda o semifinalista mais improvável de toda a história do torneio.


Certas histórias do futebol brasileiro nunca serão contadas da forma que merecem. Porém, isso não significa que, na medida do possível, elas não devam ser destacadas. É difícil até conseguir certas informações sobre a campanha do Esporte Clube Poções na Copa do Nordeste de 2000. Mas é fato que ela foi histórica. O pequeno time – que na época tinha apenas 15 anos de fundação – vindo de uma cidade com menos de 50 mil habitantes, no interior da Bahia, deixou para trás Botafogo/PB e CSA, conquistou mais que o dobro de pontos do Ceará e foi melhor que Bahia, Santa Cruz e Treze na primeira fase da competição. Na época, a Raposa do Agreste vinha em plena ascensão. Vice do Campeonato Baiano em 1996, após eliminar o Bahia, chegou a mais duas semifinais até o fim da década e revelou o atacante Liédson, que jogou a Copa do Mundo por Portugal em 2010. O ápice, provavelmente, veio mesmo no ano 2000.


O Poções participou, pela primeira vez na sua história, de competições que extrapolassem o estado da Bahia. Na Copa do Brasil, foi eliminado em casa na estreia. No entanto, acostumado a enfrentar os gigantes de Salvador, a mais de 400km de distância, o time agora precisava ir a João Pessoa, Recife e Maceió para encarar outros grandes. O grupo era duro, com Sport, Botafogo/PB e CSA. A Raposa venceu todos, dois deles fora de casa. Bateu pernambucanos e alagoanos em terreno hostil, venceu os paraibanos em casa e empatou mais dois jogos, perdendo apenas para o Sport no estádio Heraldão lotado, em Poções. Um clube novato, com menos de duas décadas de existência e que havia saído da Segunda Divisão baiana apenas sete anos antes, como campeão de 1993, de repente competia com os peixes grandes. A estreia da campanha foi exatos vinte anos, em 20 de janeiro de 2000: empate por 1 a 1 com o Botafogo/PB.


O Heraldão foi renovado no fim de 2016, mas a arquibancada está vazia, aguardando o retorno do Poções. (Divulgação/Sudesb)

A rodada final da primeira fase também colocou o Belo no caminho do Poções, com a vaga em disputa. O empate era suficiente para os baianos, que jogavam em casa, enquanto os paraibanos precisavam vencer. Poções 2, Botafogo 0. Enquanto isso, no grupo B, o Treze empata em casa com o Juazeiro, perdendo a liderança para o Miguelense, que vence (e elimina) o Santa Cruz. Todos esperavam que os confrontos das quartas de final fossem entre Sport, Santa Cruz, Botafogo/PB e Treze, porém o Poções passa para encarar o Miguelense. Vence em casa, empata fora e chega à inimaginável semifinal, contra o Sport, único time que o derrotou na competição inteira. Cai de pé, após igualdade em Poções e derrota em Recife. O azul, o vermelho e o branco brilharam naquele ano, intensamente: foi o primeiro clube do interior da Bahia a chegar na semifinal da Copa do Nordeste, o segundo do interior de qualquer estado.


Nesta terça (21), com a partida entre Imperatriz e CRB, no caldeirão do Frei Epifânio D'Abadia, começa a edição 2020 da Copa do Nordeste, revivida em 2013, expandida em 2015 e muito bem-sucedida desde então. Parece improvável que apareça um "novo Poções" hoje em dia, mas o time marcou a história da competição.

Depois disso, o Poções ainda teve bons momentos. Jogou final de turno pelo estadual, ficou entre os quatro melhores mais duas vezes e disputou até a Série C do Brasileiro, sem brilho, em 2007. A queda, porém, foi ainda mais veloz que a ascensão. Em 2009, a Raposa caiu no estadual. Em 2011, com apenas uma vitória, ficou tecnicamente fora até mesmo da Segundona, precisando disputar um torneio seletivo para garantir o retorno. O clube está inativo desde 2012, no profissional, embora tenha retornado, nos últimos anos, para a disputa de torneios de base; principalmente o Campeonato Baiano sub-20. Fundado em 8 de janeiro de 1985, recentemente o Poções comemorou seus 35 anos de existência. Não há muito o que comemorar atualmente, é verdade. Mas também é verdade que o clube sempre terá a campanha na Copa do Nordeste de 2000 para celebrar. Uma campanha que começou há exatos vinte anos e que ficou, com muito mérito, para sempre.

 

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