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O fim do rebaixamento no México e a sombra da MLS

Liga MX aboliu mobilidade entre divisões, assumindo o formato americano após anos de flerte.


A liga de futebol mais popular nos Estados Unidos não é a MLS, mas a Liga MX. O Campeonato Mexicano, até pela quantidade de imigrantes do país que moram no vizinho do norte, muitas vezes tem mais audiência que a Liga dos Campeões e o Campeonato Inglês, deixando no chinelo a rival local. De olho neste mercado, a Federação Mexicana tenta "americanizar" a competição há muitos anos. O formato de playoffs ao fim da temporada, vigente desde a década de 1970, já era bastante palatável. O "problema" era o sistema de acesso e rebaixamento, inexistente no esporte dos Estados Unidos. As regras passaram a ter um caráter também comercial: para subir, mesmo com o direito conquistado em campo, uma equipe precisa ter sua "infraestrutura" aprovada para disputar a Liga MX. Isso até a última sexta-feira (17), quando foi anunciado o fim da mobilidade entre divisões por um período de cinco anos.


O "problema", no México, é pouca profundidade na riqueza do futebol. Cerca de metade dos clubes das duas primeiras divisões são propriedades de apenas cinco grupos, o que significa que muitos são investimentos secundários, jogando em estádios acanhados e muitas vezes sequer tendo divisões de base. Este foi o argumento para a criação da regra que, efetivamente, podia impedir acessos. A partir de 2017, caso a equipe que subiria fosse barrada, o time que cairia tinha que pagar 120 milhões de pesos ao rival, em tese para ajustes que, futuramente, permitissem disputa da elite. A mesma chance, de comprar a permanência, foi oferecida ao Veracruz, rebaixado em 2019, quando a liga pensava em expandir para 20 times. O time pagou a taxa, mas não pagou os funcionários e jogadores por meses. Foi excluído e teve licença cassada pela Federação no meio da atual temporada. Agora, a Liga MX fica cada vez mais MLS.


Partida do Campeonato Mexicano: quinta liga de maior público no mundo não terá mais ascenso e descenso. (Divulgação/Liga MX)

Os clubes da divisão inferior concordaram com a proposta, quase reféns do auxílio financeiro. Pela impossibilidade de lutar pelo acesso, cada equipe receberá 850 mil pesos por ano. Nos últimos anos, a Liga Ascenso já havia passado de 18 para 12 clubes, e a temporada corrente foi cancelada pouco após a paralisação devido ao coronavírus, tamanha a crise. A partir de agora, a Segundona mexicana servirá apenas para revelar jogadores, talvez com regras sub-23. Os 18 times mais poderosos estão garantidos na Liga MX pelos próximos cinco anos, talvez com convites para expansão aqui e ali – exatamente no formato americano. O precedente está justamente na MLS, que recentemente venceu caso no Tribunal Arbitral do Esporte, permitindo a manutenção do sistema fechado apesar do Artigo 9 do regulamento da FIFA, que versa sobre mobilidade entre divisões. Após anos de flertes, as duas ligas enfim estão na mesma página.


Já houve competições entre clubes da MLS e da Liga MX no passado, mas a aproximação foi revivida em 2018, com a criação da Copa dos Campeões, uma espécie de Supercopa da América do Norte. No ano seguinte, veio a Copa das Ligas, torneio mata-mata com quatro representantes de cada país.

A MLS já é, tecnicamente, uma liga binacional, uma vez que tem clubes do Canadá. O país, aliás, recentemente criou sua própria liga, pensando em expandir o esporte até a Copa de 2026, que será sediada em conjunto com os Estados Unidos e o México. Os murmúrios são exatamente de que a relação com a FIFA, que deve ser estreitada no planejamento da Copa, possa ajudar numa eventual fusão entre a Liga MX e a MLS, após 2026, para formação da primeira liga trinacional da história. Como funcionará, caso aconteça, ainda é um mistério. A preparação mexicana, no entanto, parece enfim completa. O fim "temporário" do acesso e do rebaixamento, na verdade, carrega contornos definitivos. Cinco anos é muito tempo, o futebol se adapta rápido. Será preciso convencer os times da elite, basicamente, a abdicar de um conforto, de uma garantia. Esta decisão acaba de pautar todo o futuro do futebol mexicano.

 

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