banner 2 globo esporte (branco).png
banner 1 globo esporte (branco).png

O lugar atual do Norte é bem longe da Série A

De novo fora até da Série B, a região alcança 27 ausências em 35 edições da Primeira Divisão.


No Campeonato Brasileiro da Série C de 2019, a queda dos clubes nortistas veio aos poucos. Primeiro, em meio a campanha ridícula e com direito a goleada para colega de região, foi a vez do Atlético/AC cair. E neste caso, literalmente cair, rumo à Quarta Divisão. Será substituído, ao menos, pelo Manaus, o recém-promovido vice-campeão da Série D. O rebaixamento do Galo Carijó foi decretado ainda na antepenúltima rodada. Duas semanas depois, foi a vez do Remo ficar pelo caminho, vitimado pela própria falta de pontaria e por pênalti inexistente assinalado a favor do Ypiranga/RS, em jogo contra o Juventude. Mais duas semanas se passaram e, com roteiro similar, desta vez foi o Paysandu a cair, eliminado pelo Náutico nas quartas de final. Assim, nenhuma das equipes do Norte do país conseguiu o acesso, o que deixa a Série B de 2020 sem representantes da região. E garante que, no mínimo até 2022, o mesmo ocorra com a Primeira Divisão.


É claro que, na situação atual do futebol nortista, pensar na Elite não passa de sonho. Entretanto, simplesmente ao estar na Segundona, o objetivo passa a ser possível. Boas contratações, um time encaixado... O sonho, bem ou mal, está ao alcance. E até 1986, último ano em que a principal divisão do futebol nacional teve mais de 32 equipes, era quase impossível não haver representatividade de todas as regiões do país na Elite. A partir de 1987, porém, tudo muda. Em muitos sentidos, para melhor; mas em outros, para pior. Impossível não constatar que, desde então, uma região do Brasil se tornou quase invisível para o topo da pirâmide. Se 2022 é o próximo ano em que talvez um time do Norte chegue lá, isso significa ao menos 27 ausências em 35 temporadas. Destas, no mínimo 16 serão em sequência: desde 2006, quando passou a ter 20 clubes, para a Elite é como se só existissem quatro regiões no país. Veja abaixo as informações compiladas pelo NesF:


Elite sem Nordeste, Sudeste ou Sul, desde 1987 (nenhuma edição)


Elite sem o Centro-Oeste, desde 1987 (3 edições)

1994 (24 clubes)

2016 (20)

2018 (20)


Douglas Packer se lamenta em empate contra o Ypiranga/RS: não foi em confronto direto, mas o Remo foi prejudicado pela arbitragem, como o Paysandu. (Divulgação/Clube do Remo)

Elite sem o Norte, desde 1987 (27 edições)

1987 (31 clubes nos dois Módulos)

1988 (24 clubes)

1989 (22)

1990-1991 (20)

1996 (24)

1997 (26)

1998 (24)

1999 (22)

2000 (25 clubes no Módulo Azul)

2001 (28 clubes)

2006-2021 (20)


A ideia, aqui, é mostrar o abismo de representatividade esportiva entre as regiões, com o Norte sendo claramente a parte mais afetada do país. Questões socioeconômicas certamente já fariam com que o cenário fosse desfavorável, mas a distância parece bem maior. Isso porque, se forem considerados os anos em que apenas um time representou uma região inteira, ficam ainda mais óbvios os buracos atuais, tanto do Norte quanto do Centro-Oeste. Este levantamento é meramente um recorte, podendo facilmente ser ampliado, inclusive aqui no NesF. A própria Segunda Divisão pode ser pensada por este prisma, pois aos poucos, começa a mostrar problemas de representatividade que se assemelham aos da Elite. Cada vez mais, o país é diminuído esportivamente. O Campeonato verdadeiramente Brasileiro, no sentido estrito do termo, tem sido o da Terceira Divisão. E é dali para baixo onde estarão, mais uma vez, todos os representantes do Norte.

 

#Brasil #Estatísticas


#FutebolNortista #FutebolParaense #Remo #Paysandu #Estrutura #Calendário #Regras #CifrasdoEsporte #Representatividade #CampeonatoBrasileiro #SérieA #SérieB #SérieC