O mercado de inverno e o projeto do Hertha Berlim
Números de um investimento ousado, com transferências recordes e técnico renomado.

Para muitos, o Hertha Berlim é um gigante adormecido no futebol alemão. Entretanto, com exceção de dois títulos da extinta e malsucedida Copa da Liga, no início do século, o clube não comemora honrarias de primeiro escalão há quase 90 anos. É uma das equipes tradicionais que nunca venceu a Bundesliga, existente desde 1963. Os títulos nacionais recentes da Velha Senhora foram na Segunda Divisão, onde o clube esteve duas vezes nos últimos dez anos – e onde passou boa parte dos anos 1980 e 1990. A equipe chegou a ficar vinte anos sem disputar competições europeias, e no início desta década passou seis temporadas nesta mesma situação. Desde a gestão de Jürgen Röber, o técnico com mais jogos na história do time (mais de 200), apenas dois treinadores quebraram a barreira das 100 partidas no comando do Hertha. Um deles foi Pál Dárdai, demitido ao fim da última temporada. Agora, Jürgen Klinsmann tem uma chance.
O time da capital passou mais de sete anos sem ser treinado por um alemão. Porém, a chegada de Klinsmann não é meramente técnica. Cerca de um mês antes da demissão de Ante Čović, que passou menos de seis meses à frente do clube, o ex-técnico da seleção dos Estados Unidos já havia voltado ao futebol alemão, como dirigente. Após três anos fora do futebol, ele foi atraído pelo investimento que o milionário Lars Windhorst fez no clube, o maior da história do esporte na Alemanha. Ele não comprou o Hertha, algo proibido no país, mas acredita na ressurreição do time e injetou mais de 120 milhões de euros nisso. Se a Velha Senhora já vinha lentamente crescendo, com boa gestão financeira, talvez este seja o empurrão necessário. E a chegada de um grande técnico não é o único marco. No mercado de inverno encerrado neste domingo (2), o Hertha Berlim quebrou (por muito) o recorde de investimento na Alemanha. Veja os números:
81 milhões (inverno 2019/20)
27M – Krzysztof Piatek (Milan)
25M – Lucas Tousart (Lyon – comprado e emprestado de volta)
18M – Matheus Cunha (RB Leipzig)
11M – Santiago Ascacíbar (Stuttgart)
Ex-recorde alemão de inverno: 35 milhões (Wolfsburg 2014/15)
Piatek é o terceiro jogador em seis meses a ser o mais caro da história do clube

34 milhões (verão 2019)
20M – Dodi Lukebakio (Watford)
7M – Eduard Löwen (Nuremberg)
3M – Daishawn Redan (Chelsea)
2M – Marko Grujic (Liverpool – empréstimo)
2M – Marius Wolf (Borussia Dortmund – empréstimo)
Gasto somado na temporada: 115 milhões
Recorde anterior do Hertha: 17,5 milhões (2001/02)
30 milhões (duas últimas temporadas)
16M – 2018/19
14M – 2017/18
37 milhões (restante da década)
6,5M – 2016/17
7,5M – 2015/16
14,5M – 2014/15
1,5M – 2013/14
2M – 2012/13
1,5M – 2011/12
3,5M – 2010/11
Não apenas o Hertha contratou jogadores bons e requisitados no mercado, como jovens que podem render em campo e financeiramente, no futuro – algo já feito com Valentino Lazaro, vendido para a Inter de Milão por mais que o dobro do valor pago ao Red Bull Salzburgo. Jürgen Klinsmann já chegou distanciando o time da zona de rebaixamento. Em apenas dois meses, o Hertha Berlim saiu de 11 pontos em 12 jogos (empatado com o Fortuna Düsseldorf na fuga do playout) para 23 em 20 rodadas. São seis pontos de distância para o Werder Bremen, que hoje jogaria contra o Stuttgart, da Segunda Divisão, pela vaga. Não é nada arrebatador, mas é um começo. O acordo com Klinsmann para o cargo de técnico é só até o fim da temporada, não há garantia de que o futuro é com ele. Mas o projeto do Hertha Berlim, desta vez, vai muito além do treinador. O elenco está sendo reforçado e o clube cada vez mais fortalecido. Quem sabe agora o gigante acorde.
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