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O que Rangnick oferece ao Bragantino (e vice-versa)

Spoiler do alemão que chefiará o desenvolvimento do clube: é possível esperar coisas boas.


A parceria entre a Red Bull e o Clube Atlético Bragantino está sendo de sucesso imediato na Série B do Campeonato Brasileiro. A equipe, que segue com o nome do time paulista, após decisão de adiar a nova marca para 2020, lidera a Segunda Divisão, ainda que com um jogo a mais. O caminho para a Série A é longo. O time disputou apenas sete jogos (venceu cinco), faltam 31, e o torneio viverá paralisação de mais de um mês a partir da próxima terça-feira (11). O treinador, Antônio Carlos Zago, é um dos especulados para assumir o Shakhtar Donetsk, clube ucraniano em que já foi auxiliar, para substituir o jovem e promissor técnico português Paulo Fonseca, que pode sair da equipe após três anos e sete títulos. Ou seja, ainda há muitas pedras, previsíveis e imprevisíveis, na rota entre o Bragantino e o retorno à elite do futebol brasileiro, que a equipe não frequenta desde 1998. Há, no entanto, um plano muito bem traçado e ambicioso.


Mesmo já tendo jogado sua partida da sétima rodada, o Massa Bruta tem a melhor defesa da Série B, empatado com o rival de topo de tabela Botafogo/SP, com apenas dois gols sofridos. O ataque é o mais prolífico isoladamente: 11 gols marcados, dois a mais que a também paulista Ponte Preta. Diante do São Bento, outro colega de estado, o Braga teve o zagueiro Léo Ortiz injustamente expulso aos 11 minutos do primeiro tempo e dominou o jogo inteiro, vencendo por 2 a 0 – e poderia ter sido mais. É um time que já mostra, em campo, todo o potencial que busca fora dele. O passo mais recente, por decisão da matriz, foi o novo papel de Ralf Rangnick na chefia esportiva e de desenvolvimento do clube. O alemão será um dos pilares do novo organograma do Red Bull Bragantino e do Nova Iorque Red Bulls, os dois times da franquia nas Américas. Foi ele, como diretor de futebol e técnico, que fez do RB Leipzig uma das melhores equipes do futebol alemão.


No cargo de treinador, o alemão impulsionou o RB Leipzig aos melhores momentos de sua história, mas não seria possível sem o trabalho muito bem feito, também, nos bastidores. (Steffen Prößdorf/Creative Commons)

A empresa, sediada na Áustria – onde o Bragantino fará intertemporada durante a Copa América, aliás –, tinha o Red Bull Salzburgo como seu principal expoente no futebol. Não tem mais. A gestão incrível de Rangnick no time de Leipzig, cidade da antiga Alemanha Oriental, mudou a ordem de forças. Treinador de início difícil no Stuttgart e boas campanhas de título e acessos com Hannover e Hoffenheim, as conquistas mais importantes de Rangnick vieram em duas passagens pelo Schalke 04, incluindo duas Copas e uma semifinal de Liga dos Campeões. Desde 2011, a preferência do alemão tem sido por trabalhar como executivo, embora ele ainda tenha sido muito bem sucedido em duas temporadas acumulando a função de técnico do RB Leipzig, após dificuldades para encontrar profissionais que agradassem os critérios do clube. Foi com Rangnick que o Leipzig chegou à elite e, há menos de duas semanas, disputou sua primeira final de Copa.


Agora, o executivo retorna para o papel que mais o agrada atualmente. E o principal: passa a ser uma engrenagem fundamental no projeto global da Red Bull. Do ponto de vista do Bragantino, ainda será preciso entender melhor a participação que ele terá no dia a dia do clube, porém, "o Professor", como ele é conhecido, certamente está entre os profissionais mais requisitados do futebol europeu. Taticamente brilhante e um mestre da organização e do planejamento, Rangnick é conhecido por seus três "Ks": "Kapital", "Konzept" e "Kompetenz". Em alemão, dinheiro, ideia e competência. Foram os mantras que o diretor inculcou em Leipzig para fazer o clube ir muito além do investimento (alto, é claro) da empresa que o banca. Em 2017, o time disputou a Liga dos Campeões e a Liga Europa pela primeira vez. Na última temporada, esteve novamente na segunda competição europeia e, em 2019/20, retorna à principal.


A torcida do Nova Iorque Red Bulls, é claro, sofre com a debandada de muitos de seus principais jogadores para os times de Salzburgo e Leipzig. É algo que o Bragantino pode ter que conviver em algum momento. Caso ocorra, é possível argumentar que foi porque a parceria deu certo, entretanto. Este é um ponto importante, mas que precisa de tempo e prática para ser analisado.

Esta é a lógica de trabalho que, agora, Ralf Rangnick pretende inserir, aos poucos, no Nova Iorque Red Bulls e no Red Bull Bragantino. Ele trabalhará com o analista Lars Kornetka e o olheiro Paul Mitchell. Além do desenvolvimento fora do campo, a ideia é investir de baixo para cima, encontrar jogadores jovens e convencê-los a "comprar a filosofia" do clube – um processo colocado em prática à perfeição na Alemanha. Markus Krösche, que levou o Paderborn da Terceirona à elite alemã em dois anos, assume o cargo de diretor esportivo em Leipzig, enquanto Julian Nagelsmann, ex-Hoffenheim, chega para a vaga de treinador. O clube alemão vive um momento de estabilização e pensa em saltos maiores. No Brasil e nos Estados Unidos, o objetivo da Red Bull é pela construção e solidificação de uma fundação financeiramente sustentável e cuja estrutura naturalmente renda frutos tanto dentro quanto fora de campo. Nisso, há poucos melhores que Rangnick.


O mercado de Nova Iorque, é claro, talvez chame mais atenção que o de Bragança Paulista. Porém, a proximidade com São Paulo, o bom momento do Bragantino, a tradição e a boa relação com a torcida podem ser catalisadores para investimento e esmero ainda maiores. A equipe dos Estados Unidos, bem ou mal, já é uma das mais importantes do seu país, apesar de ainda estar devendo títulos. E o sistema de gestão é diferente na Major League Soccer (MLS), em que os contratos são firmados diretamente com a liga, não com os clubes. O potencial de crescimento do Braga é grande e há um pouco mais de flexibilidade no Brasil, sem falar nos talentos a serem encontrados, abundantes nos rincões do país. Se a cobrança pela Série A, o aporte financeiro no Red Bull Brasil e, agora, no Bragantino, pareciam soluções fáceis e imediatistas, a mensagem que a chegada de Ralf Rangnick passa é outra. A busca é por competitividade e estrutura; a longo prazo.

 

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