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O Rio-São Paulo que "reciclou" jogos e não acabou

Há 80 anos, em 1940, duelo que também era do Paulistão abriu o torneio que nunca terminou.


A edição inaugural do Torneio Rio-São Paulo, em 1933, teve 132 jogos. Destes, apenas 70 foram, digamos assim, "exclusivos" da competição. As outras 62 partidas eram compartilhadas. Ou seja, valiam também para os campeonatos estaduais. Os duelos entre times do Rio eram, também, jogos do Campeonato Carioca. E o mesmo ocorria para os clubes de São Paulo e o Paulista. A prática se tornou rara com o tempo, embora tenha aparecido recentemente, com Gre-Nal em 2016, a Recopa Gaúcha de 2019... Até os anos 1990, ainda era comum: a Recopa Sul-Americana de 1993, vencida pelo São Paulo, teve um dos jogos valendo no Brasileiro, enquanto a primeira Supercopa do Brasil, em 1990, foi conquistada pelo Grêmio após bater o Vasco em duas partidas da... Libertadores. Em quase todos os casos, o artifício era uma forma de superar limitações de calendário. No entanto, às vezes nem mesmo isso é suficiente.


Afinal, após aquele primeiro Rio-São Paulo, o torneio virou problema. Não ocorreu em 1934, após divergências principalmente de Vasco e Palmeiras quanto ao regulamento, só retomando realização anual a partir de 1950. No meio do caminho, porém, houve mais uma tentativa. Em 1940, os times e as entidades organizadoras decidiram tentar de novo. Mas o cenário não foi muito diferente. Dos 36 jogos disputados, 16 foram novamente divididos com o Paulista e o Carioca; só 20, pouco mais da metade (assim como em 1933), valiam apenas pelo torneio regional. O regulamento também era o mesmo: todos contra todos em ida e volta. Porém, a disputa foi encerrada ao fim do primeiro turno. Com o título de 1933, o Palestra Itália seguia como único campeão. E foi um 3 a 0 do Palestra sobre a Portuguesa, há exatos 80 anos, em 16 de junho de 1940, que abriu aquele Rio-São Paulo, embora já valesse pela terceira rodada do Paulistão.


O Pacaembu foi inaugurado em 1940 e recebeu jogos do Rio-São Paulo. (Werner Haberkorn/Creative Commons)

A verdade é que o torneio não agradou nem os cariocas – que reclamavam do custo alto de jogar no Pacaembu em certas rodadas –, nem os paulistas – que de fato tiveram a iniciativa do cancelamento. É claro que, como qualquer competição cancelada (algo que o mundo está vivendo tão intensamente em 2020), haveria polêmica. Afinal, Flamengo e Fluminense lideravam a classificação no momento da parada. O Flu, inclusive, estava invicto, enquanto o Fla tinha um ataque avassalador, liderado por Leônidas da Silva. Ambos os times se orgulham das campanhas que fizeram e inclusive resgataram, recentemente, a memória deste Rio-São Paulo. Iniciativa louvável, mesmo sem o título oficializado para nenhum dos dois; nem mesmo foi dividida a honraria, como ocorreu algumas vezes na história do torneio. Inevitavelmente, as equipes também disputaram o título estadual, já que muitas partidas eram as mesmas. O campeão foi o tricolor.


A partir de 1950, o costume de disputar o Rio-São Paulo com partidas compartilhadas se tornou obsoleto. O programado para 1940, por exemplo, eram 16 rodadas, mas apenas 8 foram disputadas. Nas próximas 24 edições, só uma vez um time precisou de 16 jogos para ser campeão, o Palmeiras, em 1965. Quando levou o título em 1933, o Palestra Itália jogou 22 jogos.

Quando o campeonato voltou a ser disputado, em 1950, ele já era muito similar à edição incompleta de 1940. Como já havia ficado claro o limite do calendário, o formato de ida e volta foi descartado. O campeão foi o Corinthians. Um carioca só venceria o Rio-São Paulo após oito edições completas, com o título do Fluminense em 1957. Entretanto, é justo que tanto o Flu, quanto o rival rubro-negro se orgulhem do que fizeram em 1940. E por incrível que pareça, aquela vitória do Palestra Itália em cima da Lusa, que inaugurou o campeonato, seria importante também; mas só porque valia por duas competições diferentes. Apesar dos altos e baixos no regional, a campanha do Verdão no restante do estadual foi ótima. A luta pela taça foi ponto a ponto, exatamente contra a Portuguesa. E no segundo confronto direto, deu Lusa (3 a 1). Ou seja, os pontos conquistados há exatos 80 anos se mostraram fundamentais. E só porque o jogo "valia por dois".

 

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