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O Super Bowl: caminho inesperado, final previsível

Análise ponderada de um jogo aquém da expectativa, mas que sagrou o campeão de sempre.


O cronômetro zera, os jogadores invadem o campo e Bill Belichick toma o clássico banho de Gatorade, enquanto Tom Brady ruma ao encontro de Jared Goff para o tradicional aperto de mão. Alguns são parabenizados, outros confortam rapidamente os adversários. Tudo segue como esperado na festa do sexto Super Bowl da carreira de Brady, de Belichick e da história do New England Patriots. Não haveria muita contestação, no início da temporada, de uma previsão de que o time da Nova Inglaterra seria campeão. Mas se fosse possível voltar no tempo e detalhar, para as mesmas pessoas, como foi a grande final deste ano, é possível que ninguém acreditasse.


O cenário pré-jogo tinha seus tons poéticos, daqueles que o esporte de vez em quando gosta de nos apresentar: os Patriots enfrentavam os Rams com a maior diferença de idade entre QBs em uma final, Belichick poderia se tornar o treinador mais velho a levantar o troféu Vince Lombardi e, caso isso acontecesse, o time dele se tornaria o maior campeão da era Super Bowl, igualando em títulos a franquia do Pittsburgh Steelers.


Do outro lado, as chances da narrativa cinematográfica também eram grandes. O time que foi derrotado no início da dinastia dos Patriots poderia ser o mesmo a, para alguns, finalizá-la – já falamos aqui sobre essa tal insistência em decretar o fim da dinastia, mas vocês entenderam. Sean McVay e Jared Goff poderiam, de fato, mostrar com título uma nova face da NFL, a de um time jovem e bem montado superando a maior dupla entre QB e treinador da história. Mas não foi desta vez.


O jogo começou com duas defesas no topo de sua habilidades. Afinal, era difícil imaginar que Brady lançaria uma interceptação em seu primeiro passe no jogo e que Goff, com tantas armas à disposição, teria dificuldades em simplesmente conseguir alcançar alguém com seus lançamentos.


O momento da conquista e o banho em Belichick: mais um troféu e "ai" de quem diga que pode ter sido o último. (Divulgação/New England Patriots)

No fim das contas, foi o pior tipo de jogo para mostrar para aquele seu amigo que queria conhecer mais de futebol americano, mas para quem já é apaixonado pelo esporte, ali estava uma grande demonstração de força defensiva por parte das duas equipes. Pelo menos era o que parecia até a reta final do primeiro tempo. Sim, as defesas estavam fazendo um ótimo trabalho, mas estava ficando claro, principalmente do lado dos Rams, que a ineficiência do ataque começava a se tornar uma arma maior do adversário.


Goff começou a cometer erros que só seriam aceitáveis em um início de temporada de calouro. O jovem QB não soube se livrar da bola quando precisava, tomou decisões precipitadas e mostrou capacidade de movimentação equivalente a uma pedra amarrada em outra pedra ainda maior. O nervosismo do garoto não transmitiu confiança e os companheiros ainda deixaram escapar algumas recepções pontuais. E nada de touchdown...


Brady, por sua vez, pode não ter acordado nos seus melhores dias – bem longe disso –, mas a frieza e experiência de tantos anos na NFL, além do talento e preparo do craque dos Patriots, foram primordiais. Rapidamente, as campanhas ofensivas comiam tempo e jardas, fazendo com que o relógio também virasse inimigo de Los Angeles. Com um touchdown terrestre e uma interceptação no fim do jogo, New England garantiu mais um título; e deixando surpresos um total de zero pessoas. Mais do que isso, o jogo mostrou que mesmo o time-prodígio da NFC ainda tem muito o que aprender, principalmente nos momentos agudos da temporada.


O Super Bowl poderia ter sido melhor, mas no fim, foi um jogo emocionante. Ah, e ainda conseguiu escapar, facilmente, do posto de pior entretenimento da noite, pois tivemos o fraco show do Maroon 5. Além disso, o que é um jogo ruim? A temporada da NFL foi uma bela montanha-russa – e a intertemporada já começou. A NBA está a todo o vapor, a MLB está chegando... E o esporte não para. Ainda bem.


 

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