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Panorama inicial de todas as divisões da NFL

Temporada chega com palpites furados, previsões erradas, um tal de clubismo e bom humor.


Seis meses. Os 182 dias que separam duas temporadas são longuíssimos para o torcedor de futebol americano. São 4.368 horas de especulações, esperanças e decepções com a intertemporada da sua equipe favorita e com o lamento das aposentadorias dos jogadores favoritos. Mas a metade de ano que passamos em angústia pela volta da bola oval finalmente acabou. Estamos diante da centésima temporada do esporte mais popular dos Estados Unidos. E nenhuma temporada começa de verdade sem toda a tradição das previsões de quem vai se dar bem e quem vai se dar mal no ano. Este é aquele texto para mandar ao seu amigo que torce para um time que está em baixa ou guardar com orgulho se o seu time estiver bem. Porém, sabemos que o mais importante é salvar o link para cobrar do colunista todos os inevitáveis erros que ele comete na análise. Tendo isso em mente, vejamos quem eu acho que se garante no ano de 2019:


AFC Leste


Esta divisão é um presente para todo analista. Dizer que o New England Patriots vai liderar com folga é chover no molhado, mas também não deixa de ser verdade. O ponto negativo do grupo fica por conta do Miami Dolphins, que parece ter criado um buraco negro de esperança entre os fãs. A realidade já parece estar no Draft de 2020. Bufallo Bills e New York Jets, por outro lado, estão em caminhos parecidos numa lenta retomada para (quem sabe, um dia...) desafiar a hegemonia de Brady e Belichick. É um caminho longo, lento e que provavelmente só vai se realizar após a aposentadoria da dupla de quarterback e treinador, mas ainda é uma esperança para as duas torcidas do estado de Nova Iorque.


Vejo os Bills em vantagem sobre os Jets, com um recomeço aparentemente planejado. O time da Big Apple já tentou se reconstruir algumas vezes, sem sucesso.


AFC Norte


Eis a divisão que deu a volta mais maluca desde o último ano. Com Baltimore Ravens e Pittsburgh Steelers se alternando na liderança a cada ano e o Cincinnati Bengals ocasionalmente abocanhando uma vaga de wildcard, dizer nos últimos anos que o favorito ao título seria o Cleveland Browns provavelmente levaria a uma prisão perpétua em cela alcochoada.


Mas a verdade é que o posto de favorito veio por muito mérito dos Browns, mas também pela decadência de seus rivais. O desmonte sofrido pelos Steelers no último ano foi algo pesado não apenas dentro de campo, mas revelou um time essencialmente quebrado no vestiário. O time de Mike Tomlin se encontra sem antigos pilares e com desconfiança no comando. Os Ravens, por sua vez, parecem sofrer ao não definir a maneira que querem reconstruir o time. Sem um perfil definido para os próximos anos, a equipe de Baltimore vai como coringa dentro do grupo. Já os Bengals, bem... Eles são os Bengals.


AFC Sul


Esta era uma divisão tranquila e pacata, daquelas que o colunista adora prever. Parecia ter papéis definidos. Até que o senhor Andrew Luck decidiu se aposentar e jogou tudo pelo ralo. Mas ninguém pode provar se eu tive ou não que reescrever esta análise mais de cinco vezes, portanto...


O grande ponto de interrogação aqui fica na conta dos quarterbacks de Houston Texans e Indianapolis Colts. Com a aposentadoria de Luck, o desafio dos potros de Indiana é contar com um jogo aéreo minimamente decente. No lado dos texanos, a grande questão é manter Deshaun Watson saudável o bastante para que o time possa sonhar em ganhar a divisão pela quarta vez nos últimos cinco anos.


O Jacksonville Jaguars talvez seja o maior fator queima-língua da divisão. Com Nick Foles de titular, a equipe da Flórida pode finalmente ser o que sempre sonhava, mas não correspondia – exatamente por ter QBs de qualidade duvidosa. Mas o retrospecto do time não ajuda e a falta de uma mentalidade vencedora pode pesar contra os Jaguars, por mais clichê que isso soe.


Os gatos escaldados do Tennessee Titans colocaram Ryan Tannehill para a vaga de reserva de Marcus Mariota. O problema é o conflito interno que essa decisão pode gerar. A contratação de Tannehill vem por conta de algumas lesões de Mariota e pelo fato do QB titular simplesmente não ter evoluído como o esperado. Isso fez com que o time tenha optado pela extensão de seu contrato de calouro – ao invés de um novo acordo –, colocando em dúvida o futuro do atleta na equipe.


AFC Oeste


Agora o completo contrário: há dois times bem favoritos ao título, mas o modo como eles se apresentam torna muito fácil identificar quem parece largar na frente neste momento. Claro que estou falando de Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers.


Os Chiefs são os plenos favoritos, sem dúvida alguma. Com praticamente nenhuma mudança desde a temporada passada, em que o time vermelho voou na temporada regular, Kansas City promete atropelar seus rivais de divisão e garantir a primeira colocação.


Os Chargers são um time que eu elogio bastante, mas eles já tem aquele selo de time que arrega quando mais precisava. Talvez arregar seja até forte, mas a verdade é que a equipe dw Philip Rivers sofre da falta de "clutch", como os americanos tanto amam dizer.


Depois de temporadas turbulentas, o Denver Broncos, comandando pelo gerente John Elway, aposta suas fichas em um quarterback veterano para poder voltar aos tempos de glória. A gente já viu essa história antes, mas dessa vez estou falando de Joe Flacco, não de Peyton Manning. Que Deus tenha piedade da cidade de Denver.


O Oakland Raiders já foi meu alvo nesta coluna e a verdade é que tem tanta coisa acontecendo no vestiário do time que renderia (renderá...?) um texto só para ele. Mas se você espera muito dos Raiders nesta temporada, eu deixo um lugar separado na cela acolchoada que mencionei há alguns parágrafos.


A temporada que se inicia nesta quinta-feira marca a comemoração de 100 anos da liga. (Divulgação/NFL)

NFC Leste


No papel, o Philadelphia Eagles é o favorito desta divisão. Porém, temos que levar em conta o fator Carson Wentz. O menino de ouro de Philly tem sido uma dúvida nos finais de temporada, quando geralmente se machuca. Nos anos anteriores, os Eagles tinham Nick Foles, que carregava o fardo e fazia com o time se mantivesse no mesmo patamar. Agora que seu reserva foi para Jacksonville, é ainda mais indispensável manter o titular saudável.


Quem segue na cola de Filadélfia é o Dallas Cowboys, mas toda a controvérsia nos contratos de Ezekiel ElliottDak Prescott criam dúvidas no clima de vestiário. Além disso, Prescott ainda é uma peça duvidosa na montagem do time. Dallas tem o péssimo costume de tropeçar nas próprias pernas. Em anos anteriores, a falta de qualidade da própria divisão ajudou, mas desta vez as coisas não parecem tão favoráveis.


O New York Giants é um remendo de time, por enquanto. Ao mesmo tempo em que quer se renovar, deve boa parte de sua história recente a Eli Manning, que já passou do auge há muito tempo. Entre o respeito e a renovação, os Giants ficam presos no meio do caminho e prometem mais derrotas do que vitórias na temporada.


Já o Washington Redskins só está aqui para me dar o prazer de dizer que dificilmente vai longe. Mas eu juro que não é clubismo, minha gente.


NFC Norte


Assim como sua contraparte da AFC, a Divisão Norte deu uma virada interessante na NFC. Com a queda de rendimento e todo o embaraço entre o ex-técnico Mike McCarthy e a estrela Aaron Rodgers, no Green Bay Packers, apareceu o Chicago Bears ganhando mais força do que na última temporada. Agora, talvez seja o claríssimo favorito ao título divisional.


Por outro lado, o Minnesota Vikings passa pela pressão de fazer valer seu antigo status de favorito, que despencou em 2018 com uma campanha de apenas oito vitórias. O time de Minnesota não pegou uma tabela muito fácil e encara Chiefs, Chargers e Seahawks fora de casa.


Já o Detroit Lions segue na dúvida: é a cidade de Detroit ou o time dos Lions que está em estado mais lastimável? Neste ano, a dúvida deve permanecer.


NFC Sul


Discutivelmente a mais equilibrada divisão da conferência nacional, o Sul tem três times que parecem capazes de liderar ao fim da temporada, todos dependendo da incompetência um do outro.


O Atlanta Falcons segue em declínio desde que levou uma virada histórica no Super Bowl LI. Após a decepcionante última temporada, a equipe fez mudanças nos seus cargos de comando, mas tem uma tabela difícil pela frente.


Enquanto isso, o Carolina Panthers passa por um momento de angústia que todo time e toda torcida da NFL conhecem. Após jogar o fim da temporada anterior com o ombro machucado, o QB Cam Newton passou por uma cirurgia no mês de janeiro. Tenho críticas ao atleta, mas ele é o ponto que define como o time joga. Se não voltar 100% para a temporada, os Panthers têm poucas chances de ir para os playoffs.


Depois do fim de temporada traumático ano passado, o New Orleans Saints ainda é um dos favoritos da divisão, mas pouco fez neste intervalo e pode ter problemas caso seus adversários vençam os confrontos diretos.


A inconsistência de Jameis Winston segue como principal problema do Tampa Bay Buccaneers. Perdendo boa parte dos jogos pela diferença de uma posse de bola, o time promete terminar com campanha negativa mais uma vez.


NFC Oeste


Curiosamente, o leste tem um grande concorrente para esta temporada. Infelizmente para os fãs da franquia, estou falando do Arizona Cardinals e de sua capacidade real de roubar a primeira escolha no Draft de 2020 que os Dolphins tanto almejam.


O grande nome da divisão, Los Angeles Rams, vive uma situação parecida com a do Atlanta Falcons, ano passado. Após uma pífia apresentação no Super Bowl diante do Patriots, as dúvidas começam a se tornar um forte oponente ao time da Cidade dos Anjos. O elenco permanece com a mesma qualidade do ano passado, quando venceu 13 dos 16 jogos, mas há de se observar o fator psicológico dos carneiros.


Existem rumores, que cada vez ganham mais força, de que o Levi’s Stadium foi construído sobre o esqueleto de um burro, pois só isso explica o destino do San Francisco 49ers desde que se mudou para o estádio. Em 2018, o time vermelho e dourado chegou como um dos mais esperados e acabou perdendo 12 partidas após uma série de lesões, inclusive de sua grande contratação, o quarterback Jimmy Garoppolo. Só se os problemas se resolverem é que São Francisco voltará a sorrir.


O Seattle Seahawks entra aqui com um argumento mais futebolístico do que tático. É um time muito raçudo e que pode surpreender seus adversários. Claro que isso vai depender da proteção a Russell Wilson, que vem sofrendo tentativas de assassinato a cada jogo pelos últimos dois anos. Sem isso, o time segue dando sopa para o azar e uma eventual lesão de Wilson pode matar os sonhos de playoffs.


Então é isso, gele a cerveja e compre os salgadinhos, a temporada está de volta!

 

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