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Pelé, gols e o novo Brasileiro, a partir de 1971

Há 45 anos, o Rei marcava seus últimos tentos no torneio: não levou título, mas fez história.


Pelé transcendeu eras. É desnecessário exaltá-lo, até porque palavras não explicam o que fazia em campo o Rei do Futebol. Por ocasião da unificação de títulos brasileiros, em 2010, o maior jogador da história do esporte foi condecorado pela CBF com seis medalhas de ouro, pelas conquistas da Taça Brasil e do Robertão com o Santos. Foi um pentacampeonato consecutivo de 1961 a 1965, seguido por mais um título em 1968. Edson Arantes do Nascimento, é claro, fez muito mais do que isso, com o bicontinental e o bimundial pelo Peixe, uma dezena de Campeonatos Paulistas, quatro Torneios Rio-São Paulo e, principalmente, as três Copas do Mundo com a seleção brasileira. Isso para não falar dos intangíveis; Pelé foi ainda maior do que os absurdos que fez dentro de campo. Parou guerras. Uniu povos. Emocionou pessoas. E ainda assim, pouco se destaca o Rei no futebol nacional após a reestruturação do Campeonato Brasileiro, em 1971.


De fato, os títulos do Santos minguaram. Após um grande ano em 1968, a equipe fez um Robertão de meio de tabela em 1969; apesar de ter vencido o Paulista. As mesmas dificuldades seguiram nos anos seguintes. Pelé ainda era Pelé, mas o Peixe não era mais o timaço que fora. O Rei jogou talvez no maior esquadrão de sua carreira, a seleção de 1970, em época que não tinha mais um esquadrão no Santos. A equipe só voltou a levantar uma taça em 1973, em polêmico estadual: por erro do juiz, o Peixe foi declarado campeão nos pênaltis, mas a Portuguesa tinha chance. Ninguém percebeu e a Federação deu o título aos dois. Pelé foi artilheiro, com 26 gols. Porém, a draga no Brasileiro (agora de fato chamado de Campeonato Nacional, desde 1971) seguia. E com o Santos mal, Pelé buscava artilharias. Há exatos 45 anos, em 28 de abril de 1974, o Rei fez o gol da vitória santista sobre o Nacional/AM, por 1 a 0, um dos gols que marcou em seu último Brasileiro.


Dispensa legendas. (Divulgação/Santos FC)

Não era como se Pelé, individualmente, não fizesse mais a diferença. Durante o período de "baixa", por exemplo, ele chegou a marcar 50 gols em 1972. Especificamente no Campeonato Brasileiro, no entanto, os números realmente sofreram um baque, considerando a unificação. Até 1966, em que o Santos foi vice para o Cruzeiro, o Rei nunca havia disputado mais de seis jogos em uma edição – já que a Taça Brasil era um mata-mata de tiro curto. O Peixe não disputou a de 1967 e na de 1968, já esvaziada, desistiu. Mas esteve sempre no Robertão. Portanto, a partir de 1967, Pelé passou a jogar mais partidas a nível nacional. Foram 12 gols em 18 jogos no título de 1968 e incríveis 11 gols em 12 jogos na campanha mediana de 1969. E então veio a queda. Apenas quatro gols em 1970 e no novo campeonato, em 1971, só um gol em 21 jogos. Pelé era muito mais do que números, mas o aproveitamento não era o mesmo. Porém, não acabou ali.


Pelé pode nunca ter vencido o Brasileiro após a reestruturação, mas esteve longe de passar batido. Passar batido era algo quase impossível para o Rei. Foi na penúltima participação no campeonato que ele deixou sua melhor marca. Em 1973, o Santos teve uma das grandes campanhas da primeira fase, batendo na trave na segunda e ficando fora do quadrangular decisivo. Ainda assim, terminou com o melhor ataque; muito graças a Pelé. O Rei marcou 19 dos 56 gols santistas, tendo jogado 30 das 37 partidas. Era quase um canto do cisne, um argumento, uma demonstração de que, chegando aos 34 anos, Edson Arantes do Nascimento não poderia deixar de abrilhantar o novo torneio, criado em 1971. Lutou gol a gol pela artilharia com Leivinha, do Palmeiras, Mirandinha, do São Paulo e Ramón, do Santa Cruz. Os rivais fizeram grande reta final e a eliminação do Santos pesou para que o Rei ficasse em quarto, só dois gols atrás de Ramón.


A campanha do Peixe no Brasileiro de 1974 teve 27 jogos, com 13 vitórias, 8 empates e 6 derrotas. O time-base era: Cejas; Hermes, Bianchi, Vicente, Zé Carlos; Léo Oliveira (Nelsi), Brecha; Mazinho, Nenê, Pelé (Cláudio Adão), Edu. Téc.: Tim.

Enfim, 1974 marcou o último Campeonato Brasileiro disputado por Pelé. Os números não foram tão espetaculares, mas o Rei já não jogava todas as partidas. Aliás, esteve fora de pouco menos da metade dos jogos do Santos naquele campeonato. Foram 17 aparições e nove gols. Pelé era a referência técnica mas, acima de tudo, de liderança e de experiência para o time. Vicente, Léo Oliveira, Nenê Belarmino, Cláudio Adão... Por parte do ano, o treinador da equipe era Pepe, ex-companheiro histórico de Pelé no ataque do Peixe. O jogo contra o Nacional/AM, naquele 28 de abril, há exatos 45 anos, foi justamente o primeiro de Tim à frente do comando técnico alvinegro. Craque da seleção e do Fluminense nos anos 1930 e 1940, ele chegou para treinar Pelé e cia. nos meses finais do Rei pelo Santos. A despedida foi em outubro, pelo Paulista, contra a Ponte Preta. Mas antes, o time foi longe no Brasileiro.


Antes da semiaposentadoria – voltaria para defender o Cosmos, nos Estados Unidos, por dois anos –, o Rei deixou o Santos entre os quatro melhores do país uma última vez. Não acontecia desde o título de 1968; e não ocorreria novamente até o vice-campeonato de 1983. Dos 29 gols alvinegros na primeira fase, oito foram marcados por Pelé. Na segunda fase, invicto, o Peixe foi líder do seu grupo e passou para o quadrangular final. Foi nele que o Rei marcou seu último gol na história do Campeonato Brasileiro, em derrota para um timaço do Vasco, que acabaria campeão. O Santos ficou em terceiro. Pelé se despediu sem título, mas com orgulho, dignidade e muitos gols. Aposentado da seleção desde 1971, ele ainda foi procurado pelo ditador Ernesto Geisel para defender o Brasil na Copa de 1974, mas rejeitou. A marca do Rei na Copa do Mundo estava mais do que estabelecida. E, não importa o que digam, no novo Campeonato Brasileiro também.

 

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