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Pelé, Santos e Vasco: os 50 anos do milésimo

Comemoração resgata traços da trajetória do Rei do Futebol e de dois times que o marcaram.


Santos e Vasco não fizeram um grande Robertão em 1969. Na verdade, os dois gigantes do futebol brasileiro foram mal. O cruzmaltino ficou na lanterna do grupo B, com a pior campanha geral, e o alvinegro ficou até o fim na parte de baixo da tabela no grupo A. Sete pontos distante do Cruzeiro, que foi às semifinais, mas só três à frente do Flamengo, último colocado. E ainda assim, para um campeonato com uma história tão rica quanto aquele, seria de se espantar que uma partida entre duas equipes cambaleantes fosse tão lembrada. Seria. Pois, na verdade, sejamos honestos: o jogo entre Vasco e Santos que se tornou imediatamente histórico em 1969 pouco tinha a ver com o momento dos dois times. Só um homem importava. Edson Arantes do Nascimento, de apelido Pelé, vivia busca por uma marca sem precedentes. E foi naquela noite, há exatos 50 anos, que o craque histórico do Santos marcou o milésimo gol da carreira.


A partida de Pelé contra o time de infância realmente não valia nada para o campeonato. Talvez tivesse mesmo que ser assim. Uma marca como o gol de número mil feito pelo maior futebolista da história merecia os holofotes todos para si. Mas havia também um ar simbólico: a relação entre o Rei do Futebol, o seu Santos e o Vasco parecia culminar naquele 19 de novembro de 1969. Cláudio Nogueira chegou a chamar o duelo de "o clássico do Rei". O time carioca não era apenas aquele que Edson amava quando menino. Foi também a equipe com a qual, em combinado com o Peixe, o jovem Pelé disputou alguns dos primeiros grandes jogos. Enquanto as estrelas excursionavam pela Europa, em 1957, os times montaram um combinado para o Torneio Internacional do Morumbi. Foram quatro jogos, três com a camisa do Vasco e um com o manto santista. Pelé marcou seis gols. O ano seguinte era de Copa do Mundo... O resto é história.


Na volta olímpica após marcar o milésimo gol em cima do Vasco, Pelé chegou a tirar a camisa do Santos e vestir a do adversário. (Divulgação)

Após tanto tempo e tantos louros merecidos, a carreira que o homem Edson construiu, tão brilhante e inigualável, já não parece surpresa para ninguém. Porém, poucos momentos "amarraram" tanto as diversas facetas da trajetória de Pelé quanto a noite do milésimo gol. Desde a infância, em que o fã do goleiro vascaíno Bilé não conseguia pronunciar o nome do ídolo; até se tornar lenda e conquistar o que ninguém imaginava possível. A primeira convocação do craque para a seleção brasileira, pela qual foi tricampeão mundial (o único, como jogador), veio na esteira de suas atuações pelo mistão de Santos e Vasco em 1957. O grupo do torneio também tinha Flamengo, Belenenses e Dinamo Zagreb. E um ídolo rubro-negro, Sylvio Pirillo, era o técnico do Brasil para a Copa Roca (atual Superclássico das Américas) daquele ano. Ele convocou Pelé. Inicialmente reserva, o Rei saiu do banco para fazer gol em sua estreia, no Maracanã.


A relação entre Vasco, Santos e o Rei do Futebol também encontra paralelo na luta contra o racismo. Pelé não é apenas o maior atleta negro da história do futebol, mas o maior, ponto. O clube carioca teve um papel pioneiro pela luta já nos anos 1920, enquanto os paulistas construíram importante história de inclusão racial.

Foi também no Maracanã que veio o milésimo, naquela noite há exatos 50 anos. Ao contrário do Brasil, o time de Pelé venceu: 2 a 1 sobre o Vasco. Na estreia pela seleção, 2 a 1 para a Argentina. No jogo seguinte, já era titular e marcou de novo – o Brasil virou no agregado sobre os hermanos. O estádio também marcou inúmeros momentos memoráveis da carreira do craque, como a despedida da seleção em 1971, 14 anos depois do torneio que o fez chegar lá. Dizem que a disputa, organizada pelo São Paulo para promover o Morumbi, não deu certo. Ela sequer chegou até o fim, por falta de interesse. Os jogos que Pelé disputou no Rio de Janeiro não chegaram a 15 mil pagantes. O outro grupo, com São Paulo, Corinthians, Lazio e Sevilla, não foi diferente. O Morumbi nem estava pronto, afinal. Só é duro dizer que "não deu certo". Se Pelé brilhou, funcionou. Antes de ser a lenda dos mil gols, o menino reserva tinha que virar titular.

 

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