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Por que é difícil declarar o fim de campeonatos?

Cada país vive uma realidade na crise, mas poucos cogitam ideia e pouquíssimos já a utilizaram.


O Campeonato Alemão está voltando. Sem jogos desde 11 de março, o retorno está marcado para o próximo sábado (16), pouco menos de 70 dias depois. É a primeira das ligas com audiência global a voltar, desde a paralisação generalizada do futebol. Durante o mês de março, o mundo foi engolido pela pandemia do novo coronavírus, com o futebol aos poucos sendo adiado ou cancelado. Sete dias após a parada na Alemanha, era o Brasil que parava, com as competições europeias, sul-americanas e países como Argentina e México fazendo o mesmo no meio do caminho. Outros, como Turquia e Rússia, demoraram mais, enquanto Bielorrússia e Nicarágua, por exemplo, sequer pararam. Entre as cinco grandes ligas europeias, na Alemanha houve jogo após 10 de março; Inglaterra, Espanha, Itália e França pararam antes. Porém, a Bundesliga será a primeira a testar as águas do retorno. E a Ligue 1 foi a única a ser declarada encerrada.


A questão financeira, os contratos de televisão e de patrocínios, o esperneio de certos clubes; alguns dos motivos para a hesitação de encerrar um campeonato parecem óbvios. No entanto, os exemplos de Holanda, Bélgica e até Argentina – em que a liga já havia terminado, mas foram encerradas duas Copas –, além da própria França, mostram uma vantagem bastante clara na medida: a possibilidade de olhar para frente. É claro que há ramificações legais para lidar. O Lyon já entrou na justiça contra o título do PSG e a não-classificação do time para a Liga dos Campeões, enquanto na Bélgica, por exemplo, a definição de vagas europeias ainda está em negociação e pode haver reviravolta até esta sexta-feira (15). Mas é inegável a necessidade de uma boa dose de coragem para declarar encerrado um campeonato. Ao redor do mundo, dirigentes passaram os últimos meses usando projeções irreais de retorno só para segurar o interesse público.


As portas fechadas do Parque dos Príncipes: assim o PSG foi campeão, enquanto outras ligas, como a holandesa, foram encerradas sem vencedor. (Divulgação/PSG)

É claro que uma "possibilidade iminente" da volta do futebol ajuda os clubes a movimentar torcedores e seguir tirando proveito dos patrocínios de formas diferentes, a partir de acordos com os parceiros comerciais. Só que também ignora medidas certamente necessárias, como o reajuste financeiro que times holandeses, por exemplo, já estão fazendo para a próxima temporada, seja lá quando ela tiver início. O caso da Holanda é bastante simbólico: a decisão principal veio do governo, deixando as entidades futebolísticas com pouca saída. Ainda assim, o formato de paralisação foi malfeito, uma vez que não permitiu acessos e efetivamente "trancou" equipes na Segunda Divisão, incluindo os líderes Cambuur e De Graafschap, que subiriam sem playoffs e tinham distância confortável para os adversários. Ou seja, como esperado, o encerramento cria problemas. Porém, são para a temporada seguinte, com tempo para serem resolvidos.


Nunca haverá real justiça em um campeonato que inicia com um regulamento e não consegue cumpri-lo até o fim. Isso inclui um terço das rodadas realizadas sem público, aliás, maneira como ocorrerão as ligas que decidirem voltar, tal qual na Alemanha. Além disso, voltando ou não, as perdas financeiras já são enormes. A incerteza, em muitos casos, as amplia.

As negociações contratuais, pelo mundo todo, seja de patrocínios, direitos de transmissão ou até de clubes com jogadores, já estão ocorrendo: muitas vezes há entendimento de, digamos, "dividir o prejuízo". Ligas e emissoras de televisão, clubes e empresas parceiras, todos estão no mesmo barco. O problema é que alguns querem desembarcar, quando for possível, levando tudo e deixando outros sem nada. Nenhum dos países que declarou encerrada a temporada de futebol o fez de forma ideal, sem cometer injustiças. Porém, num momento em que o esporte redimensiona sua importância, quanto mais o tempo passa, mais parece razoável adiar certas questões, enquanto outras maiores tomam atenção. "Ganhar tempo" é, sim, fundamental. Encerrar a temporada significa lidar com ela em termos de suas consequências para o futuro, não em termos do quão rápido ela voltará, colocando a vida de todos em risco. O resto é possível de solucionar.

 

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