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Raptors escrevem história que emula a dos Pistons

Nos anos 1980 e 1990, time de Detroit desafiou favoritismos, como tenta Toronto neste ano.


Se tem algo que o mundo do esporte adora é comparação e analogia. "Será que essa seleção joga mais que a de 1970?", "A campanha de campeão do Liverpool em 2019 lembra a de 2005" e coisas do tipo são sempre destaque na imprensa. No basquete, o mais recente exercício de imaginação foi a comparação do elenco atual do Golden State Warriors com o Chicago Bulls da era Michael Jordan. Antes que você pense que esta profanação será repetida aqui: não, eles não são parecidos e dificilmente algum time chegará perto daqueles Bulls. Mas no caminho da dinastia de Jordan houve uma pedra no sapato: o Detroit Pistons. A loucura da cidade motorizada (Motor City Madness), como ficou conhecida a equipe na época, derrubou alguns figurões a caminho do primeiro título da franquia. Algo que o Toronto Raptors pode fazer caso vença a disputa contra os Warriors.


De 1981 a 1994 os jogadores de Detroit foram os Bad Boys da NBA. O estilo mais físico e agressivo, somado a um elenco desbocado e que parecia gostar daquela fama, fez com que houvesse sempre holofotes voltados para os Pistons. Adeptos da filosofia do "fale mal, mas fale de nós", o elenco calava os críticos com o desempenho dentro de quadra.


A curva ascendente se deu quando o time começou a se tornar um protagonista nas finais da Conferência Leste em 1987, quando foi derrotado pelo Boston Celtics. Esta ascenção culminaria na primeira ida à final na história dos Pistons, logo no ano seguinte, quando a equipe encarou o Los Angeles Lakers de Magic JohnsonKareem Abdul-Jabbar, sendo derrotado em sete jogos emocionantes.


A derrota foi uma motivação para a temporada seguinte, quando Detroit e Los Angeles reprisaram a final, mas com uma completa varrida: 4 a 0 para os Pistons. Os Bad Boys ainda conseguiriam defender seu título em 1990, contra o Portland Trail Blazers, por 4 a 1.


Kevin Durant marca Blake Griffin: em 2019 não há comparação entre Warriors e Pistons, mas a equipe de Detroit conseguiu uma vitória durante a temporada regular. (Divulgação/NBA)

Apesar de uma baita história nas finais da liga, o legado para o elenco bicampeão ficou com força dentro da Conferência Leste. Os Pistons foram os primeiros a segurar os Bulls em duas finais de conferência e são citados por Sua Alteza Real, o próprio Michael Jordan, como um dos motivos que o fizeram atingir o seu máximo como jogador.


Voltando para os dias atuais, Toronto não parece ter um caráter de personalidade coletiva tão forte como aquele time de Detroit – na verdade talvez seja o total oposto. Com um elenco que prefere jogar a falar, a imagem dos Raptors é quase uma cópia da visão estereotipada sobre os canadenses. Até mesmo a maior estrela do time é modesta em suas declarações, não contando vantagem ou fazendo o famoso trash talk, a provocação.


A analogia, além de uma desculpa para lembrar daquele grande Detroit Pistons, marca mais pelo contexto histórico do que pelas similaridades entre as duas equipes. Claro que as semelhanças tambẽm estão em enfrentar times hegemônicos como azarões, ou no caminho para a primeira final de cada franquia, porém, o Motor City Madness foi muito além das quadras.


O bicampeonato dos Pistons foi um divisor de águas na história do basquete, que hoje podemos ver com distanciamento histórico. Não só a virada de uma década, mas o fim do domínio de Celtics e Lakers, que alternaram na conquista de oito títulos em intervalo de dez anos, mas quase uma passagem de tocha para o que viria a ser a dinastia do Chicago Bulls.


Os Raptors não parecem ser um time montado para uma dinastia; talvez no máximo um tiro curto de dois ou três anos competindo pelas finais. Mas ele pode ser a fagulha que faça a Conferência Leste perceber que o Golden State Warriors não é tão bicho-papão assim. Muitas equipes podem despontar e até o embrião de uma dinastia pode surgir. Exatos 30 anos depois, com outros atores e novo contexto, uma história que marcou a NBA pode se repetir.

 

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