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Relação esportiva EUA-Cuba: após avanço, o tropeço

Governo dos EUA desfez acordo que facilitava transferências, o que afeta as ligas e os atletas.


O beisebol provavelmente é o esporte americano de menor popularidade em terras brasileiras – talvez ao lado do hóquei, mas eu sei que você via Os Super Patos na TV CRUJ. Porém, é inegável o apelo da bola e do bastão em países vizinhos como a Venezuela ou até mesmo mais distantes, como o Japão. E outro país cuja cultura desenvolveu uma grande paixão pelo esporte estadunidense foi a ilha de Cuba, por mais irônico que pareça. Mas, devido aos embargos comerciais, os jogadores que almejassem carreira profissional na Major League Baseball (MLB) precisavam fugir de sua terra natal, com todos os riscos envolvidos. Durante a administração de Barack Obama, uma aproximação entre as duas nações estabeleceu que a Federação Cubana de Beisebol (FCB) não era parte do embargo que dura mais de meio século. Com isso, jogadores poderiam ser negociados sem precisar abandonar o país. Até que o acordo foi desfeito.


Firmada em dezembro de 2018, a regra permitia que jogadores da Série Nacional, a liga cubana, fossem diretamente para franquias da MLB. Os atletas receberiam todo o bônus por assinatura dos contratos e o time contratante pagaria 25% para a Federação como taxa de transferência. Além disso, seriam aplicados impostos aos jogadores, que deveriam ser pagos ao governo cubano. O acordo é o mesmo que a MLB tem com outras ligas do mundo.


Yasiel Puig, defensor externo do Cincinatti Reds, quando ainda jogava pelos Dodgers: ele fugiu de casa e se envolveu em situações pesadas para jogar na MLB. (Ron Reiring/Creative Commons)

O principal ponto positivo deste tipo de acordo ia muito além do esporte, como sempre é ressaltado aqui no blog e no "Por que Waldemar?". Ao assinar tal documento, ambas as ligas e ambos os países deixavam de lado rivalidades e diferenças, pondo a vida e o desejo de pessoas que amam o beisebol em primeiro lugar. Não só você poderia se tornar um jogador profissional na maior liga do esporte no mundo, como manteria sua nacionalidade, seu lar e sua família. Claro que está longe de ser um acordo benevolente e puramente altruísta – quase nada é. Todas as partes iriam ganhar toneladas de dinheiro, principalmente a FCB.


Além disso, a federação do país centro-americano foi bastante aberta ao acordo, tendo em vista o quão predatório o mercado dos Estados Unidos pode ser. O Japão, citado anteriormente, só permite a negociação de jogadores que estão em atividade há pelo menos oito anos na liga Profissional Nippon de Beisebol (NPB), o torneio nacional, para evitar perder jovens talentos e diluir a força de seu campeonato.


Porém, aos olhos mesquinhos da atual gestão dos EUA, pagar taxas para a FCB seria o mesmo que dar dinheiro para o regime cubano, o que feriria o embargo ainda vigente. A decisão de encerrar o acordo assinado foi tomada em abril deste ano e deixou na mão 34 jogadores que já estavam na lista de permissão para transferência. O que não faltam são exemplos de como a liberação seria benéfica. Yasiel Puig, jogador cubano da MLB, lembrou das dificuldades que teve de passar e estava esperançoso para o cumprimento das negociações. "Saber que futuros jogadores cubanos não terão que passar pelo que passamos, me deixa muito, muito feliz", chegou a dizer Puig.


Ser mais que apenas um esporte sempre vai permitir que se enxergue além de fronteiras religiosas, econômicas e sociais. Mas, infelizmente, ser mais que um esporte também faz com que os pequenos percebam a grandeza que o esporte tem, buscando usá-la para tomar decisões que os torna ainda menores. Pelo menos por enquanto, sonhos de muitos terão que ser adiados pelo pensamento tacanho e míope de poucos.

 

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