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Renovação de Dak Prescott e o teto salarial na NFL

Estrela dos Cowboys quer alto salário, mas pode sentir falta quando afetar elenco do time.


O teto salarial da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) é sempre um dos assuntos mais comentados durante a intertemporada. Os times, gerentes gerais e donos tem que rebolar e chegar no número máximo estipulado pela liga até o começo dos jogos oficiais, isso com elencos que chegam a ter 90 e são fechados em 53 jogadores. Os holofotes dessa vez estão novamente sobre o Dallas Cowboys e sua negociação com o quarterback Dak Prescott. O "time da América" ofereceu um gordo contrato de 30 milhões de dólares por ano que foi sumariamente recusado pelo atleta, que pediu 40 milhões. O impacto da negociação não afeta apenas o time do Texas, mas a liga como um todo. Em 2019, uma franquia pode investir até 188 milhões em salários.


Pode parecer irreal nos dias de hoje, mas a idealização do que os americanos chamam "salary cap" pode ser relacionada com o Cleveland Browns. Na antiga All American Football Conference (AAFC), nos anos 1940, a equipe do estado de Ohio era dominante. Foram quatro anos de liga e quatro títulos dos Browns. A partir do segundo, no entanto, o interesse do público começou a cair, exatamente por conta da pouca competitividade. Daí surgiu o embrião do que a NFL fez a partir de 1994: uma regra para deixar as equipes mais parelhas em seu poder de aquisição de jogadores, evitando que franquias criassem elencos papa-títulos apenas injetando muito mais dinheiro que as outras. Isso acontece no beisebol, por exemplo, como já abordamos em textos anteriores, pois o teto salarial funciona de forma bastante diferente.


Mas o salary cap também trouxe alguns problemas para os jogadores. Com um teto estabelecido, era comum que veteranos fossem deixados de lado para que novatos chegassem com salários menores, já que ainda eram desconhecidos em campo. Foi aí que a Associação de Jogadores da NFL (NFLPA) entrou em cena e definiu também uma espécie de "salário mínimo" para veteranos, buscando evitar que os jogadores mais velhos fossem simplesmente descartados.


Dak Prescott comemora com o ex-companheiro Dez Bryant: enquanto luta por um salário astronômico, o QB vê um elenco apenas ok ao seu redor, em Dallas. (Keith Allison/Creative Commons)

Desde então a questão salarial vem sendo um grande cabo de guerra entre a liga, os donos e os atletas. Não é coincidência que os impasses nas negociações tenham sido tão comuns. A corda deste cabo de guerra é, justamente, o quanto um jogador merece receber para defender uma equipe.


Sejamos sinceros: no caso de Prescott, por exemplo, é claro que ele está longe de ser um top 10 de sua posição, apesar do ano brilhante como calouro, em 2016. O fato de um jogador mediano fazer questão de ser o mais bem pago da liga muda os precedentes para os colegas de função, caso a franquia aceite. Quando se olha para Tom Brady, o melhor QB de todos os tempos "só" receberá 23 milhões de dólares neste ano.


Isto traz, principalmente, uma reflexão sobre a maneira como os atletas se valorizam diante da liga. Brady sabe que é o melhor do jogo e que está num time com grande estabilidade e potencial de ir para a pós-temporada por anos a fio, então ele possui a habilidade de diminuir seu salário para aumentar o espaço que seu time tem para gastar, buscando justamente jogadores melhores que possam manter os Patriots sempre no topo da liga. Ele se valoriza em campo, ano após ano, talvez sem ganhar exatamente o que mereça em comparações de mercado.


Para jogadores medianos, o medo de ser descartado é grande e muito real, ainda mais se você sofrer com lesões, como foi destacado aqui na semana passada, por exemplo. A luta por um salário gordo e, principalmente, com boa parte dele em dinheiro garantido mesmo em caso de dispensa, é indissociável deste contexto. Prescott não vale 40 milhões por ano, mas talvez os 35 que possa vir a ganhar salvem um hipotético fim de carreira precoce, risco que todo jogador corre.


Não há injustiçados nesta equação, é uma negociação e cada lado defende o seu ponte de vista. O atleta é um trabalhador e tem o direito de se preocupar com sua aposentadoria. Porém, é sempre bom lembrar que estamos falando de cifras milionárias. Prescott não é um simples assalariado. Existe, também, por trás de toda negociação como essa, o desejo de ser ainda mais rico.

 

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