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Retrospectiva Trapalhões: Oakland Raiders

Balanço anual é sempre feliz? Na última coluna de 2018, o time mais tragicômico da NFL.


O fim de ano geralmente é época de fazer um balanço dos últimos 12 meses e avaliar o que foi bom e o que foi mau durante esse período – para então fazer um textão e publicar nas redes sociais, é claro. Possivelmente 2018 foi bem ruim para muita gente (todo ano é), então nada mais justo do que falar aqui sobre o time da NFL com a maior quantidade de acontecimentos ruins neste giro do calendário: o Oakland Raiders.


Atualmente a terceira pior equipe de toda a liga, atrás somente de San Francisco 49ers e Arizona Cardinals (que Deus os tenha), Oakland vive uma temporada que se assemelha a um roteiro de tragicomédia, com inúmeras decisões que parecem ter sido tomadas com a trilha sonora dos Trapalhões tocando ao fundo. Porém, para poder analisar todo o incêndio no circo negro-prata, é necessário voltar alguns anos para destacar pontos-chave que, bem ou mal, estão ecoando até hoje na cidade californiana.


Em 2016, o então St. Louis Rams conseguiu aprovação para a mudança da franquia para Los Angeles, o que aumentou o interesse dos Chargers (antes em San Diego) e dos próprios Raiders – duas equipes que também almejavam uma mudança para a Cidade dos Anjos. A NFL ofereceu aos dois clubes 100 milhões de dólares caso decidissem ficar em suas cidades, mas esse plano não durou muito. O município de San Diego recusou, através de referendo popular, uma reforma no estádio dos Chargers; e o empresariado de Las Vegas abraçou a causa de Mark Davis, dono do time de Oakland.


A NFL então deu aval para que os dois times se mudassem, mas os Raiders só poderiam ir para Los Angeles caso os Chargers não fossem. Eles foram. À essa altura, Davis ainda tinha a opção de receber os 100 milhões da própria NFL, para ajudar na construção de um novo estádio em Oakland ou para reformar o cinquentenário Coliseum; mas já era tarde demais. Naquele mesmo ano, o mandatário anunciou seu desejo de ir para Nevada.


Grande contratação para a temporada, o técnico Jon Gruden chegou com um contrato de 10 anos e 100 milhões de dólares: e imediatamente hipotecou 2018 para apostar no futuro. (Divulgação/Oakland Raiders)

O anúncio oficial só foi feito em 2017, mas já foi cercado de péssimas escolhas (com a música dos Trapalhões tocando ao fundo novamente). Ao contrário de Rams e Chargers, que se mudaram oficialmente tanto de endereço quanto de cidade, os Raiders anunciaram que iriam jogar mais dois anos em Oakland, mantendo o nome enquanto o estádio em Las Vegas ainda não ficasse pronto. Colocando de forma mais simples: o time abandona a sua cidade abertamente, mas só vai sair de lá dois anos depois. Faltou dramaticidade no exemplo? Então pronto: é como se você terminasse um relacionamento, mas continuasse morando junto com a ex enquanto a atual termina a reforma do apartamento.


Claro que essa decisão trouxe péssimas consequências para o time, que agora joga diante de uma torcida extremamente magoada, sem ímpeto algum em encher o estádio para uma equipe que não lhe pertence mais – e que está em litígio público com a própria cidade, após processo legal por parte do município de Oakland. A temporada horrível dos Raiders não ajuda em nada, mas para falar do time dentro de campo, outra pequena retrospectiva se faz necessária.


Em janeiro deste ano, Jon Gruden foi anunciado como o novo técnico da equipe. Gruden voltou a comandar um time profissional depois de nove anos como comentarista da ESPN americana e 20 anos após ter liderado os próprios Raiders no início do século – levando a equipe a uma final de Conferência e dois títulos de divisão, que não vinham desde 1990. Mesmo com bons anos comandando o clube naquela primeira passagem, Gruden saiu também por certas rusgas de comunicação com Al Davis, pai de Mark e dono do time até 2011, quando faleceu.


A volta de Gruden, em 2018, foi tomada com empolgação pela torcida e ajudou a acalmar um pouco os ânimos, exaltados por conta do turbilhão que tem sido a realidade da franquia. Só que, é claro, a alegria durou bem pouco. Neste momento, a música dos Trapalhões deixou de ser ruído de fundo; agora já é possível imaginar Didi gritando “porrada!" pelas arquibancadas do Oakland Coliseum.


Com as trocas e uma temporada fraquíssima, os Raiders se preparam para um Draft recheado em 2019. No momento, a equipe tem quatro das primeiras 35 escolhas; sendo três delas na primeira rodada. Entretanto, a margem de erro diminui conforme tantas posições do elenco se tornam necessidades imediatas.

No início da temporada, Gruden fez uma negociação que envolveu a ida do linebacker Khalil Mack para o Chicago Bears em troca de duas escolhas de primeira rodada no Draft. Uma ótima posição para remontar o time nos próximos anos... Não fosse o fato de que havia coisas que não precisavam ser remontadas. Mack está na melhor temporada de sua carreira e a defesa de Oakland só passou vergonha até aqui. Gruden então mandou Amari Cooper, recebedor que teve bons números ao lado de Derek Carr, para o Dallas Cowboys; em troca de mais uma escolha de primeira rodada. Os Cowboys vão para os playoffs, os Raiders não. Longe disso.


Com a última rodada valendo absolutamente nada, os Raiders agora podem sentar numa mesa de boteco e pedir uma cerveja para tentar esquecer 2018, enquanto Mussum arma uma pindureta ao fundo. Mas se o ano que está terminando não é bonitinho para fazer uma retrospectiva no Stories do Instagram, 2019 não parece tão melhor.


O time pode ter que ser itinerante em seus jogos "dentro de casa" já que a situação com a cidade de Oakland fica cada vez mais insustentável. Há a possibilidade de cada jogo ser em local diferente, além da franquia considerar a opção de sediar suas partidas em Londres. O time se livrou de um jogador excelente e de outro bastante regular para poder montar seu elenco futuro, mas abriu mão de trunfos importantes para o presente; e agora tem ainda mais lacunas para preencher, percebendo, da pior maneira possível, o quão deficitário é o elenco.


Resumindo... Quando você achar que tomou decisões ruins e que seu ano foi difícil, olhe para o Oakland Raiders e constate que poderia estar muito, mas muito pior.


 

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