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Um campeonato realmente paraense

Desde 2000, competitividade do interior explodiu, ameaçando finalmente domínio da capital.


Na última segunda (8), pelas semifinais do Campeonato Paraense, o Paysandu bateu o Independente de 1 a 0, na Curuzu, mas não foi suficiente para estragar a festa do Galo elétrico, que havia levado o jogo de ida, em Tucuruí, por 3 a 1. Assim, o time do sudeste paraense chega em sua terceira decisão de estadual em nove anos. É uma das equipes mais bem-sucedidas da década no Parazão, atrás só dos gigantes Remo e Paysandu. Uma década que, inclusive, já está marcada pela força e presença do interior nos momentos agudos do campeonato. O próprio Independente foi, em 2011, o primeiro campeão de fora da capital Belém na história centenária do estadual do Pará. Agora, quer o primeiro bicampeonato interiorano. Não será fácil, em final contra um Leão apoiado pela sua grande torcida, mas os tucuruienses já mostraram que não se deve duvidar. E não só eles. Neste século, o salto de competitividade dos times do interior é impressionante.


Tecnicamente, o século XXI começou na virada de 2000 para 2001, é claro. Mas foi já quando o "20" substituiu o "19" nos calendários que o Campeonato Paraense começou a ver um destaque dos clubes de fora de Belém que nunca antes ocorrera. Após algumas batidas na trave aqui e ali, nos anos 1970 e 1980, as equipes do interior aproveitaram uma reta final da década de 1990 que ficou marcada pelo declínio de Sport Belém, Pinheirense e Tiradentes (todos da capital). Foi neste cenário que, finalmente, um time interiorano chegou ao vice-campeonato pela primeira vez. No ano 2000, o Castanhal decidiu o estadual contra o Paysandu. Além disso, a chegada do Japiim encerrou uma sequência de três dobradinhas seguidas de Leão e Papão – até hoje, não houve mais três torneios consecutivos apenas com Remo e Paysandu dividindo títulos e vice-campeonatos, ocasião que era comum no século passado. A última trinca foi em 1997, 1998 e 1999.


Após duas decisões seguidas com Re-Pa, em 2017 e 2018, é até compreensível que o torcedor tenha esquecido que a ocasião simplesmente não é mais corriqueira. O Independente, ao eliminar o Papão, garantiu que a terceira final entre os rivais não ocorresse, mantendo a escrita dos últimos 20 anos. Porém, voltemos a 2014. Ali, quando Remo e Paysandu se encontraram para decidir o estadual, já eram nove anos sem que um clássico Rei da Amazônia definisse o título. E os mais rigorosos ainda poderiam ir além: em 2005, a final foi pelo segundo turno, com o Remo apenas tentando evitar que o rival fosse campeão antecipado. Não houve finalíssima. Em 2004, mesmo com a dobradinha, o formato também não tinha final. A depender do critério, pode-se dizer que o Re-Pa não decide diretamente o Campeonato Paraense nenhuma vez entre 2002 e 2013. E com participação definidora do interior, em especial a partir de 2006. Veja o cenário levantado pelo NesF:


1908 a 1999

87 edições

Nenhum campeão ou vice do interior

53 dobradinhas Re-Pa

Os quatro campeões:

Remo (38)

Paysandu (37)

Tuna (10)

União Sportiva (2)


Lance de partida entre Independente e Bragantino, os dois melhores do interior em 2019: o Galo elétrico está na final e o Braga disputa o terceiro lugar, além de fazer história na Copa do Brasil. (Facebook/Bragantino CP)

2000 a 2019

20 edições

2 (ou 3) campeões e 8 (ou 9) vices do interior

6 dobradinhas Re-Pa

Os quatro campeões:

Paysandu (10)

Remo (7 ou 8)

Independente (1 ou 2)

Cametá (1)


De 1908 e 1999, o máximo de tempo que Remo e Paysandu ficaram sem uma dobradinha foi quatro anos, com a ascensão da Tuna no início dos anos 1940, em que a cruzmaltina levou um título e três vice-campeonatos. A partir de 2000, os interioranos dificultaram muito mais. A marca duplicou. De 2005 a 2014, era ou Leão ou Papão entre os dois primeiros; nunca a dupla. Durante muito tempo, o campeonato foi totalmente da capital, seja em títulos, competitividade e até superioridade numérica – demorou para haver tantos times de fora de Belém com estrutura e capacidade para participar com consistência do Parazão, quase todos os anos. Até hoje, clubes da capital que estão extintos ou com pouquíssima atividade seguem entre os que mais disputaram edições do estadual. Ainda vai levar um tempo para que os times interioranos estejam consolidados nos números históricos. Porém, os últimos 20 anos já mostram: eles vieram para ficar.


 

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