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Uma breve história do capacete de futebol americano

Concepção, desenvolvimento e modernização do equipamento que Antonio Brown polemiza.


Hoje em dia, é quase impossível imaginar todo o impacto que ocorre durante os quatro períodos de uma partida de futebol americano sem o auxílio dos capacetes (ok, tem o rúgbi, mas vocês entenderam...). E, apesar de ser um item imprescindível no atual cenário, a proteção de cabeça é fruto de anos de lesões sérias combinadas com a busca da National Football League (NFL) em tornar o esporte menos danoso aos seus atletas. E com tanto burburinho ao redor deste acessório de segurança, é um bom momento para lembrar suas origens e o motivo de sua existência.


Existem muitos relatos da invenção do capacete de futebol americano, todos do final do século XIX. A versão mais famosa é a do Almirante Joseph M. Reeves, da marinha americana. O militar fazia parte do time da Naval Academy Midshipman e tinha recebido péssimas notícias após uma consulta médica. Segundo o doutor que atendeu Reeves, mais um impacto forte na cabeça poderia causar "insanidade instantânea" (em termos da época) ou até mesmo sua morte. O almirante então foi até um sapateiro e pediu que fizesse uma proteção de couro para a cabeça, uma versão rudimentar dos "Leatherheads" (cabeças-de-couro) que viriam nas décadas seguintes. O design da proteção foi tão bem visto que o exército americano chegou a usar o molde como inspiração para os capacetes de pilotos e paraquedistas durante a I Guerra Mundial. Apesar disso, muitos jogadores ainda preferiam jogar sem o aparato por conta do calor do couro e das abas protetoras de orelha, que atrapalhavam na hora de escutar os planos das jogadas.


Para tentar amenizar os pontos negativos deste novo acessório, Bob Zuppke, treinador de Illinois em 1917, adicionou furos no topo dos capacetes e nas abas laterais, permitindo maior ventilação e não abafando a audição dos jogadores que os vestissem. Alguns anos depois o couro macio utilizado na fabricação da vestimenta seria substituído por um couro mais rígido, dando aos jogadores justamente o apelido de cabeças-de-couro. São deles as imagens que vem à mente quando lembramos do futebol americano no início do século XX.


Somente no final da década de 1930, os acessórios começaram a tomar um formato mais parecido com o que temos hoje, com a ajuda de um nome bem conhecido dos fãs de futebol americano. John Riddel, criador da marca que fabrica material esportivo até os dias atuais, apresentou os capacetes feitos de plástico em 1939. Nos dois anos seguintes, Riddel ainda incluiria o suporte de queixo e alças ajustáveis na parte interna, permitindo mais fixação e conforto. Essa mudança chamou mais uma vez a atenção do exército americano, que contratou o fabricante para mudar o equipamento militar para a II Guerra Mundial, dando luz ao capacete M1.


Sem capacete, Antonio Brown sorri durante treinamento dos Raiders: o jogador não planeja deixar de jogar, mas segue na luta para usar o tipo de proteção que deseja. (Divulgação/Oakland Raiders)

Mas a guerra teve seu impacto negativo na proteção dos jogadores também. Com a demanda de plástico aumentando no conflito em território europeu, pouco restava em território americano para a fabricação do equipamento, fazendo com que ficassem mais frágeis e até mesmo quebrassem durante as partidas. Por um tempo, os capacetes foram banidos da liga, problema que só seria resolvido no fim da guerra, quando a NFL tornou capacetes obrigatórios para todos os jogadores em 1943.


Isso complicou a vida dos quarterbacks, que sentiam dificuldade em identificar seus companheiros de equipe, já que todos os capacetes eram basicamente iguais. Cinco anos mais tarde, o Los Angeles Rams se tornou o primeiro time a desenhar o escudo no capacete, para ajudar na identificação. Assimilando, assim, o equipamento como parte do uniforme.


Em 1955, o então técnico do Cleveland Browns, o histórico Bob Brown, improvisou uma grade de plástico no capacete de seu quarterback, Otto Graham, após o jogador levar uma pancada no rosto que precisou de 15 pontos de sutura. Brown levou a ideia para Riddel, que desenvolveu uma versão mais segura e resistente do que a improvisada pelo comandante da franquia de Cleveland.


De lá pra cá se passaram mais de 60 anos, com os capacetes de futebol americano vivendo evolução mais constante e menos abrupta que em sua primeira metade de vida. As grandes questões sempre foram: a melhoria da proteção, com materiais mais resistentes; almofadas de amortecimento de impacto; e, para proteção dos olhos, visores.


Estudos recentes fizeram com que não só a NFL, mas também a NFLPA, a Associação de Jogadores da liga, banissem modelos menos seguros. Assim, jogadores famosos terão que se adaptar aos novos moldes, casos de Tom Brady e Aaron Rodgers, por exemplo. Antonio Brown, recebedor do Oakland Raiders, não gostou das mudanças e luta até mesmo na justiça para usar uma versão que lhe agrade, motivo pelo qual o tema se tornou quente em tempos de pré-temporada.


Em pouco mais de 100 anos desde a criação, sendo cerca de 70 anos desde a concepção do que temos até hoje, o capacete de futebol americano sempre evoluiu para proteger os jogadores e permitir que o esporte seguisse crescendo e entretendo seus fãs. A história do equipamento mostra que, em sua maioria, as mudanças vêm para melhor. Isso, é claro, se o seu nome não for Antonio Brown.

 

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